Bachelet desiste de disputar comando da ONU após revés no Conselho

Ex-presidente do Chile agradeceu apoio de Brasil e México e deixou corrida depois de receber apenas um voto favorável em consulta informal

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Redação
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Ex-presidente do Chile agradeceu apoio de Brasil e México e deixou corrida depois de receber apenas um voto favorável em consulta informal
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A ex-presidente do Chile Michelle Bachelet anunciou neste sábado, 19 de setembro, a retirada de sua candidatura ao cargo de secretária-geral das Nações Unidas. A decisão veio após uma sequência de resultados desfavoráveis nas consultas informais do Conselho de Segurança da ONU.

Bachelet contava com o apoio do Brasil e do México, mas sua candidatura perdeu força ao longo dos últimos meses. Na mais recente votação informal, recebeu apenas um voto favorável, 11 contrários e três manifestações classificadas como “sem opinião”.

A ex-presidente agradeceu publicamente o apoio do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e da presidente mexicana Claudia Sheinbaum e afirmou que não se arrepende de ter participado da disputa.

Bachelet anuncia retirada da disputa

Em vídeo divulgado nas redes sociais, Bachelet confirmou que não seguirá tentando substituir António Guterres no comando das Nações Unidas.

Hoje anuncio que decidi não continuar com minha candidatura à Secretaria-Geral das Nações Unidas.

Michelle Bachelet

A ex-presidente chilena disse que algumas pessoas podem considerar que o cenário internacional não era favorável ao tipo de candidatura que tentou representar.

A retirada ocorreu depois de uma votação informal em que Bachelet ficou perto do fim da lista entre os candidatos avaliados pelo Conselho de Segurança.

Brasil e México mantiveram apoio

Bachelet agradeceu diretamente aos presidentes do Brasil e do México pelo respaldo dado desde o início da campanha.

Lula e Claudia Sheinbaum apoiaram a candidatura como parte de uma articulação para aumentar a representação latino-americana e feminina na cúpula da ONU.

Mesmo depois de o governo chileno retirar formalmente seu apoio em março, Brasil e México continuaram associados à candidatura.

A ex-presidente destacou essa sustentação política em sua mensagem de despedida e afirmou que seguirá atuando em defesa de princípios multilaterais e de direitos humanos.

Chile havia retirado apoio em março

O governo do Chile retirou oficialmente seu apoio à candidatura de Bachelet em 24 de março. O Ministério das Relações Exteriores informou à época que avaliava como inviável o sucesso da postulação.

O comunicado citou a fragmentação das candidaturas latino-americanas e diferenças com atores relevantes que participam da escolha do secretário-geral.

Apesar da retirada do patrocínio oficial, o governo chileno afirmou que se absteria de apoiar outro candidato caso Bachelet decidisse permanecer na corrida.

A mudança reduziu a força política da candidatura, que passou a depender principalmente do apoio internacional construído por outros governos.

Consulta informal mostrou forte rejeição

A escolha do secretário-geral começa no Conselho de Segurança, formado por 15 países. Os cinco membros permanentes, Estados Unidos, China, Rússia, França e Reino Unido, possuem poder de veto.

Na última consulta informal, Bachelet recebeu um voto de incentivo, 11 votos contrários e três posições neutras.

O desempenho indicava dificuldade para alcançar os nove votos necessários para avançar e, sobretudo, para evitar um eventual veto de algum dos membros permanentes.

As consultas não são a votação final, mas funcionam como termômetro da viabilidade política de cada candidatura.

Corrida segue com outras mulheres

Com a saída de Bachelet, outras candidatas continuam na disputa. Rebeca Grynspan, da Costa Rica, e Carolyn Rodrigues Birkett, da Guiana, apareciam entre os nomes mais bem colocados nas consultas recentes.

Grynspan recebeu nove votos favoráveis na última sondagem informal, enquanto Birkett obteve oito.

A escolha permanece aberta e novos nomes ainda podem surgir antes de uma decisão definitiva do Conselho de Segurança.

A ONU nunca teve uma mulher como secretária-geral desde sua criação, em 1945, o que aumentou a pressão política por uma mudança de perfil na sucessão.

Sucessão de Guterres entra na reta decisiva

António Guterres encerrará seu segundo mandato em 31 de dezembro de 2026, depois de dez anos no cargo.

O nome escolhido pelo Conselho de Segurança precisa ser recomendado à Assembleia Geral, que formaliza a nomeação.

Bachelet afirmou que sua campanha ajudou a colocar no debate internacional a defesa de uma mulher latino-americana no comando da organização.

Mesmo fora da disputa, ela disse que continuará defendendo multilateralismo, direitos humanos, democracia e combate às mudanças climáticas, temas que apresentou como eixos centrais de sua candidatura.

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