Taxista aquático é investigado após colisão que matou brasileira e marido na lagoa de Veneza

Procura italiana apura homicídio náutico e tenta reconstruir velocidade, visibilidade e trajetória das embarcações no canal Tessera

Da
Redação
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Equipes de emergência em operação na lagoa de Veneza, cenário de recorrentes acidentes náuticos.Vigili del Fuoco / reprodução editorial
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A Procuradoria de Veneza investiga o condutor de um táxi aquático envolvido na colisão que matou a brasileira Gabriella Querino, de 26 anos, e o marido, Sean Michieli, de 25, na lagoa de Veneza. O procedimento foi aberto por homicídio náutico e busca esclarecer a dinâmica do choque ocorrido no canal Tessera, uma das rotas utilizadas por embarcações que seguem em direção ao aeroporto Marco Polo.

O acidente aconteceu na madrugada de sábado (12), quando o pequeno barco do casal se chocou com o táxi aquático. Michieli sofreu traumatismo grave, foi levado ao hospital dell’Angelo, em Mestre, e teve a morte declarada no domingo. Gabriella ficou desaparecida por três dias e seu corpo foi encontrado na terça-feira (15), próximo à região de Campalto.

Procura investiga condutor

O motorista do táxi aquático, um veneziano de 38 anos, foi formalmente incluído na investigação. A medida é um procedimento utilizado para permitir a realização de perícias e outros atos técnicos com garantia de defesa, e não representa conclusão antecipada sobre responsabilidade.

A promotora Daniela Moroni coordena o inquérito. Entre os pontos que deverão ser esclarecidos estão a velocidade das duas embarcações, o sentido de deslocamento, as condições de visibilidade e o ponto exato do impacto.

O condutor foi submetido a exames toxicológicos após o acidente. As autoridades também determinaram perícias no barco do casal, que afundou depois da colisão e foi recuperado posteriormente.

A investigação deverá combinar exames periciais, depoimentos e dados das embarcações para reconstruir os segundos anteriores ao choque.

Casal saiu antes do amanhecer

Sean e Gabriella haviam deixado Burano por volta das 5h. Michieli trabalhava como pescador e saiu para buscar iscas, atividade que fazia regularmente. A brasileira costumava acompanhá-lo nas saídas e vivia na região havia cerca de dois anos.

O choque ocorreu pouco depois, no canal Tessera. O barco particular sofreu danos severos e afundou. Sean foi resgatado em estado crítico e levado ao hospital, onde passou por cirurgias, mas não recuperou a consciência.

Gabriella não foi localizada nas primeiras horas. As buscas mobilizaram mergulhadores dos bombeiros, helicópteros, embarcações com sonar, motos aquáticas e equipes de polícia e guarda costeira.

Corpo foi encontrado

O corpo de Gabriella foi avistado por uma pessoa que navegava perto de Campalto na manhã de terça-feira. Bombeiros fizeram o resgate e levaram o corpo para análise. As primeiras verificações apontaram ferimentos compatíveis com um acidente náutico.

A brasileira era natural de Ribeirão Preto, no interior de São Paulo, e havia se casado com Sean poucos meses antes. Familiares viajaram à Itália para acompanhar os procedimentos de identificação e as providências após a morte.

Sean teve a morte oficialmente declarada depois da conclusão do protocolo médico para constatação de morte cerebral. A Procuradoria determinou autópsia para obter informações adicionais que possam ajudar na reconstrução do acidente.

Testemunhas podem ajudar

As autoridades também tentam localizar dois turistas americanos que estavam no táxi aquático no momento da colisão. Segundo a imprensa italiana, eles deixaram o local em outra embarcação e seguiram viagem, mas podem fornecer informações importantes sobre o impacto.

O canal Tessera é uma rota movimentada por táxis aquáticos que transportam passageiros entre Veneza e o aeroporto. A circulação e a velocidade das embarcações serão analisadas para determinar se houve violação de regras de navegação ou falha de percepção entre os condutores.

Até a conclusão das perícias, a dinâmica exata do acidente permanece em investigação. O motorista do táxi não foi condenado e terá direito de defesa durante o processo. A apuração deverá definir se existem elementos suficientes para responsabilização criminal pelo choque que matou o casal.

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