Diesel S-10 sobe a R$ 7,13 e atinge maior preço desde maio

Combustível avançou 2,3% na semana, segundo a ANP, em meio à alta do petróleo e ao aumento da demanda no início do plantio de soja

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Redação
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Diesel no Brasil encerra semana no maior valor desde maio, diz ANP •Paulo Whitaker/Reuters
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O preço médio do diesel S-10 nos postos brasileiros chegou a R$ 7,13 por litro nesta semana, alta de 2,3% em relação à semana anterior e maior valor desde o fim de maio. O dado consta do levantamento semanal da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis, atualizado nesta sexta-feira, 18 de setembro.

A elevação ocorre em um momento de forte pressão sobre as cotações internacionais de petróleo e derivados. O barril do Brent terminou a sexta-feira a US$ 104,87, acima dos cerca de US$ 93 observados no início do mês.

O avanço também coincide com o início do plantio de soja no Brasil, período em que a demanda por diesel costuma crescer por causa do uso intenso em máquinas agrícolas e no transporte de cargas.

O diesel S-10 voltou ao maior patamar em quase quatro meses justamente quando o mercado combina petróleo caro, consumo agrícola maior e preocupação com importações.

S-10 sobe 2,3% na semana

O levantamento da ANP referente à semana de 13 a 19 de setembro mostra o diesel S-10 em média nacional de R$ 7,13 por litro.

Esse tipo de diesel, com menor teor de enxofre, é hoje a principal referência do mercado brasileiro e é amplamente usado em veículos pesados e motores mais modernos.

A alta semanal levou o preço ao maior nível desde o fim de maio de 2026.

O movimento tem impacto potencial sobre custos logísticos porque o diesel é um dos principais insumos do transporte rodoviário no país.

Veja os preços médios

Compare os principais valores
CombustívelPreço médio
Diesel S-10R$ 7,13/litro
Diesel comumR$ 6,65/litro
GasolinaR$ 6,54/litro
EtanolR$ 4,08/litro

Fonte: ANP.

Petróleo pressiona custos internos

A alta dos combustíveis ocorre após uma escalada das cotações internacionais do petróleo ao longo de setembro.

O Brent fechou a sexta-feira a US$ 104,87 por barril, valor superior ao observado no início do mês.

Conflitos no Oriente Médio e a guerra entre Rússia e Ucrânia aumentaram a percepção de risco sobre a oferta global.

Quando o petróleo sobe de forma persistente, cresce a pressão sobre derivados importados e sobre referências usadas pelo mercado brasileiro.

Importações ampliam exposição brasileira

Cerca de 30% do diesel consumido no Brasil é importado, segundo informação citada pelo setor.

Essa dependência deixa o mercado doméstico mais sensível a oscilações internacionais de preço e câmbio.

Com a diferença entre preços externos e domésticos mais ampla, importadores podem adiar compras quando a operação perde atratividade econômica.

Esse cenário aumenta a atenção sobre eventuais desequilíbrios regionais de oferta, embora não represente automaticamente falta de combustível nos postos.

Petrobras ajusta valor às distribuidoras

A Petrobras anunciou nesta semana aumento de R$ 1 por litro no preço médio do diesel vendido às distribuidoras.

A empresa informou, porém, que houve desconto de igual valor associado à subvenção econômica do governo federal.

Com isso, o ajuste anunciado foi neutralizado para os agentes alcançados pelo mecanismo.

O preço final nas bombas depende ainda de distribuição, logística, tributos, margens e mistura obrigatória de biocombustíveis.

Setor pede análise da cadeia

A Fecombustíveis afirmou acompanhar com preocupação a instabilidade do mercado internacional e seus efeitos sobre preços e abastecimento.

A entidade ressaltou que o valor ao consumidor incorpora várias etapas anteriores à revenda.

Qualquer avaliação sobre a evolução dos preços deve considerar todo o percurso do combustível.

Fecombustíveis

A federação defende análise técnica de produção, importação, refino, distribuição, logística, tributação e mistura obrigatória de biocombustíveis.

O objetivo é evitar que toda a variação de custo seja atribuída apenas aos postos.

Alta pesa sobre transporte e agro

O diesel é central para a logística brasileira, especialmente em um país fortemente dependente do transporte rodoviário.

Quando o combustível fica mais caro, empresas de transporte e produtores rurais enfrentam aumento de custos operacionais.

O início do plantio de soja amplia a atenção sobre o mercado porque tratores, máquinas e caminhões elevam o consumo nesse período.

A evolução nas próximas semanas dependerá principalmente do comportamento do petróleo internacional, das importações e das medidas adotadas para amortecer os impactos no mercado doméstico.

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