O lançamento de um novo livro de Charles Spencer, irmão mais novo da princesa Diana, voltou a colocar a família real britânica no centro de uma controvérsia sobre os dias que se seguiram à morte dela, em agosto de 1997. Em “Swan Song: Diana, My Sister”, que chega às livrarias em 22 de setembro, o conde Spencer apresenta sua versão sobre conversas privadas, decisões relacionadas ao funeral e o relacionamento entre Diana e o então príncipe Charles, hoje rei Charles III.
Entre as alegações de maior repercussão está o relato de uma discussão telefônica sobre a participação dos príncipes William e Harry, então com 15 e 12 anos, na caminhada atrás do caixão da mãe. Spencer afirma que se opôs à ideia por considerar que Diana não desejaria expor os filhos daquela maneira. Segundo ele, a conversa com Charles se tornou tensa e terminou com uma frase que interpretou como desprezo pela memória da princesa.
O Palácio de Buckingham respondeu de forma incomum. Em vez de ignorar a acusação, como ocorre em grande parte das disputas envolvendo memórias privadas da família real, uma manifestação atribuída ao rei afirmou que o luto pode influenciar a memória e o julgamento. A formulação não endossa a versão de Spencer e contesta implicitamente a precisão de suas lembranças quase três décadas depois dos fatos.
Livro revisita semana de 1997
“Swan Song: Diana, My Sister” é apresentado pela editora Penguin Random House como o relato mais pessoal de Charles Spencer sobre a irmã. O livro reconstrói a infância dos dois, a transformação de Diana em figura pública global, o colapso do casamento real e, principalmente, a semana entre a morte da princesa em Paris e o funeral realizado na Abadia de Westminster.
Spencer tinha 33 anos quando fez o discurso fúnebre que se tornou um dos momentos mais lembrados da cerimônia. Na obra, ele retoma episódios que afirma ter presenciado diretamente e tenta corrigir versões que considera incompletas ou incorretas sobre a irmã. A editora informa que o volume tem lançamento internacional previsto para 22 de setembro de 2026.
No Brasil, a edição será publicada pela Objetiva com o título “Canto do cisne: Diana, minha irmã”. A obra brasileira tem tradução de Débora Landsberg, Natalie Gerhardt e Regiane Winarski e foi anunciada em pré-venda por R$ 79,90.
O núcleo mais sensível do livro está nos relatos de Spencer sobre as horas e os dias que antecederam o funeral de Diana, quando decisões familiares e protocolares foram tomadas sob intensa pressão pública.
Spencer contesta cortejo fúnebre
Charles Spencer afirma que tentou impedir a participação de William e Harry na procissão fúnebre. Seu argumento era que os dois adolescentes estavam enfrentando o choque da morte da mãe e não deveriam ser submetidos a uma caminhada televisionada diante de uma multidão.
O conde relata que discutiu o assunto diretamente com o então príncipe Charles. Segundo sua versão, o pai dos meninos defendeu a participação no cortejo, e a conversa escalou para uma troca ríspida. Spencer diz ter entendido que a decisão não refletia aquilo que Diana teria desejado para os filhos.
A caminhada atrás do caixão acabou reunindo William, Harry, o príncipe Philip, Charles e o próprio Spencer. O episódio se tornou uma das imagens mais conhecidas do funeral e voltou a ser discutido ao longo dos anos. Harry, em relatos posteriores sobre a própria vida, já descreveu a experiência como profundamente difícil.
O livro também questiona a forma como parte das decisões do funeral foi conduzida entre a família Spencer e a Casa Real. Essas afirmações representam a memória e a interpretação de Charles Spencer sobre os acontecimentos e não são tratadas como fatos consensuais por todos os envolvidos.
Palácio rejeita versão apresentada
A reação de Buckingham foi considerada incomum porque o palácio raramente responde de maneira tão direta a relatos sobre conversas privadas ocorridas décadas atrás. A mensagem divulgada após a circulação dos trechos sustentou que o luto pode alterar lembranças e afetar avaliações feitas posteriormente.
O comentário não apresentou uma reconstituição alternativa completa do telefonema descrito por Spencer. Também não houve uma negação detalhada de cada episódio do livro. Ainda assim, a resposta deixou claro que a Casa Real contesta a interpretação do autor sobre a postura do então príncipe Charles após a morte de Diana.
Antigos integrantes da equipe de comunicação de Charles também reagiram publicamente. Alguns deles disseram não reconhecer no relato de Spencer o comportamento que observaram no período e destacaram que o príncipe participou dos preparativos do funeral e acompanhou os filhos durante a cerimônia.
A divergência ilustra uma dificuldade recorrente em reconstruções baseadas em conversas privadas: há lembranças pessoais, registros públicos e versões conflitantes, mas nem sempre documentação independente capaz de confirmar cada frase atribuída a participantes específicos.
Memória de Diana volta ao centro
A publicação ocorre às vésperas dos 30 anos da morte de Diana, que serão completados em agosto de 2027. O aniversário já começa a estimular novos livros, documentários, reportagens e projetos de homenagem, aumentando novamente a atenção sobre a vida da princesa e a relação dela com a monarquia.
Spencer afirma que escreveu o livro para oferecer uma perspectiva de irmão e preservar uma memória mais íntima de Diana. A obra aborda a proximidade dos dois na infância, a separação dos pais, os anos em internatos e a mudança radical ocorrida quando ela se casou com o príncipe de Gales.
O interesse renovado também ocorre em um momento em que William e Harry mantêm relações distintas com a instituição monárquica. William continua como herdeiro direto do trono e desempenha funções oficiais, enquanto Harry deixou o papel de membro sênior da família real em 2020 e passou a viver principalmente fora do Reino Unido.
As revelações de Charles Spencer não encerram a disputa sobre o legado de Diana. Elas acrescentam uma nova fonte pessoal a uma história que já foi contada por familiares, jornalistas, biógrafos e integrantes da própria monarquia. A reação do Palácio de Buckingham mostra que, quase três décadas depois da morte da princesa, a interpretação daqueles dias continua sendo um tema sensível dentro da família real britânica.


