Laudo aponta pesticida em bebê morto após broncoaspiração na Paraíba

Exame toxicológico identificou terbufós no organismo de Noah, de 1 ano; Polícia Civil investiga como a substância foi ingerida.

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Redação
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Exame toxicológico identificou terbufós no organismo de Noah, de 1 ano; Polícia Civil investiga como a substância foi ingerida.
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O laudo toxicológico concluído pelo Instituto de Polícia Científica da Paraíba apontou que Noah, um bebê de 1 ano, morreu por broncoaspiração associada a intoxicação exógena por terbufós, um pesticida do grupo dos organofosforados. A criança vivia com a família em uma ocupação no Centro de João Pessoa e morreu no início de setembro após passar mal e ser levada ao Hospital de Emergência e Trauma.

A confirmação foi divulgada nesta sexta-feira, 18 de setembro. O exame complementar foi feito após a autópsia e encerrou a etapa cadavérica da perícia. A Polícia Civil continua investigando como a substância tóxica chegou ao organismo do bebê e se houve alguma conduta criminosa relacionada ao caso.

Laudo identifica pesticida no corpo

O exame toxicológico detectou terbufós no organismo de Noah. A substância pertence ao grupo dos pesticidas organofosforados e é usada no controle de insetos em determinadas aplicações agrícolas.

O laudo classificou o quadro como intoxicação exógena, termo usado quando uma substância externa entra no organismo e provoca efeitos tóxicos. No caso do bebê, a perícia associou essa intoxicação à broncoaspiração.

A broncoaspiração ocorre quando alimento, líquido ou outro conteúdo alcança as vias respiratórias. Dependendo da quantidade e das condições da vítima, o quadro pode comprometer rapidamente a oxigenação.

A perícia fechou a causa da morte como broncoaspiração e intoxicação exógena por veneno, mas não determinou publicamente como o pesticida foi ingerido.

Morte ocorreu após engasgo

Noah passou mal no dia 7 de setembro dentro da ocupação onde morava com familiares, na região central de João Pessoa. As informações divulgadas à época indicavam episódios de agitação e engasgo.

O bebê foi levado para o Hospital de Emergência e Trauma, mas não resistiu. Nos primeiros dias após a morte, a principal informação pericial disponível era de sufocação consecutiva associada à broncoaspiração.

Naquele momento, o Instituto Médico Legal ainda aguardava os exames complementares. Amostras haviam sido coletadas justamente para verificar a presença de substâncias capazes de explicar ou contribuir para o quadro.

Com o resultado toxicológico divulgado agora, a hipótese inicial foi ampliada e passou a incluir a intoxicação por terbufós como parte da causa oficial da morte.

Perícia muda quadro inicial

As primeiras informações oficiais não confirmavam envenenamento. A conclusão só veio depois da análise laboratorial complementar, etapa que detectou a substância no organismo da criança.

Esse tipo de evolução é comum em investigações médico-legais quando a autópsia identifica sinais físicos, mas ainda depende de exames químicos para esclarecer agentes tóxicos ou medicamentos presentes no corpo.

O resultado final modificou o entendimento inicial porque passou a apontar dois componentes associados: a broncoaspiração e a intoxicação exógena.

Isso não significa, por si só, que já esteja esclarecido se a ingestão foi acidental, provocada ou resultado de outra circunstância. Essa resposta depende da investigação policial.

Polícia apura origem do veneno

A Polícia Civil da Paraíba segue investigando o caso. Entre os pontos centrais está descobrir de que forma o terbufós chegou ao alimento ou ao ambiente ao qual o bebê teve acesso.

Uma das hipóteses mencionadas desde o início da apuração envolve comida que teria sido preparada com veneno para animais. Essa possibilidade, porém, ainda precisa ser confrontada com depoimentos, perícias e demais elementos reunidos no inquérito.

Até agora, não há anúncio público de indiciamento, prisão ou responsabilização criminal relacionada à morte de Noah.

A investigação deverá buscar reconstruir as horas anteriores ao mal-estar, identificar quem tinha acesso à substância e esclarecer em que momento ocorreu a ingestão.

Terbufós exige apuração cuidadosa

O terbufós é um pesticida organofosforado, grupo de substâncias que pode provocar intoxicações graves quando ingerido ou absorvido em quantidade suficiente.

Em crianças pequenas, qualquer exposição a produtos tóxicos exige resposta rápida porque o organismo é mais vulnerável e a evolução do quadro pode ser acelerada.

O fato de a substância ter sido identificada no exame não permite concluir, isoladamente, a origem ou a intenção por trás da exposição. É justamente por isso que a perícia médica e a investigação criminal cumprem papéis diferentes e complementares.

Enquanto o laudo estabelece tecnicamente a causa da morte, cabe à Polícia Civil esclarecer as circunstâncias que levaram ao contato do bebê com o veneno.

Caso segue sem conclusão criminal

A divulgação do laudo representa um avanço importante na investigação porque resolve uma das principais dúvidas médicas deixadas após a morte.

Ainda assim, o caso permanece aberto. A definição da causa do óbito não equivale a uma definição de responsabilidade penal.

Os investigadores ainda precisam determinar se houve acidente, negligência ou ação deliberada, além de verificar quem poderia ter acesso ao pesticida e ao alimento consumido pela criança.

Com a conclusão pericial, o inquérito passa a contar com um elemento objetivo adicional. A próxima etapa será cruzar o resultado toxicológico com depoimentos, vestígios e informações sobre a rotina da família e da ocupação onde Noah vivia.

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