Reino Unido abre investigação sobre fusão bilionária entre AkzoNobel e Axalta

Autoridade de concorrência avalia se combinação de duas gigantes de tintas e revestimentos pode reduzir competição no mercado britânico

Da
Redação
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Planta da Axalta em Mechelen, na Bélgica; empresa planeja fusão com a AkzoNobel.Reprodução / HLN
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A Competition and Markets Authority, autoridade de concorrência do Reino Unido, avançou nesta quinta-feira (17) na investigação da fusão entre AkzoNobel e Axalta Coating Systems, operação estimada em aproximadamente US$ 25 bilhões. O órgão quer determinar se a combinação pode provocar redução substancial da concorrência em segmentos do mercado britânico de tintas e revestimentos.

As duas empresas anunciaram uma fusão entre iguais para formar um dos maiores grupos globais do setor. A AkzoNobel é dona de marcas como Dulux e tem presença ampla em tintas decorativas e revestimentos industriais. A Axalta tem forte atuação em revestimentos automotivos, industriais e de repintura.

CMA amplia análise

A autoridade britânica já havia aberto, em abril, uma etapa preliminar para receber comentários de clientes, concorrentes e outros interessados. O avanço da investigação significa que o regulador passou a examinar de forma mais estruturada os efeitos da transação.

O foco de uma análise de primeira fase é verificar se há possibilidade realista de a operação resultar em menor concorrência. Isso pode ocorrer quando duas empresas que competem diretamente passam a integrar o mesmo grupo e ganham participação significativa em determinados mercados.

A CMA pode analisar preços, capacidade produtiva, contratos, participação de mercado e alternativas disponíveis aos consumidores. Também pode delimitar mercados específicos, já que tintas decorativas, revestimentos automotivos e soluções industriais têm concorrentes e clientes diferentes.

A abertura da investigação não significa que a fusão será bloqueada, mas submete o negócio a uma avaliação antitruste formal antes de sua conclusão no Reino Unido.

Fusão cria gigante global

O acordo prevê a combinação de duas companhias com operações em dezenas de países. A escala conjunta é apresentada pelas empresas como forma de ampliar investimento em inovação, eficiência de produção e capacidade de atendimento a clientes multinacionais.

Ao mesmo tempo, fusões entre grandes concorrentes costumam receber escrutínio de reguladores porque podem reduzir opções para compradores. O setor de revestimentos atende desde consumidores residenciais até montadoras, oficinas, fabricantes de equipamentos e empresas de construção.

Outras autoridades de concorrência também podem analisar a transação em seus respectivos mercados. A conclusão global do negócio depende das autorizações exigidas nas jurisdições relevantes.

Regulador pode impor condições

Se a CMA identificar problemas, as empresas podem oferecer remédios concorrenciais. Entre as possibilidades estão venda de ativos, licenciamento de tecnologias, separação de unidades ou compromissos sobre determinadas operações.

Caso as soluções não sejam consideradas suficientes, o negócio pode ser encaminhado para uma investigação aprofundada de segunda fase. Nesse estágio, um grupo independente examina com maior detalhe os efeitos da transação.

A autoridade também pode liberar a fusão sem condições se concluir que não existe risco relevante para a competição no Reino Unido.

Setor acompanha decisão

O resultado será acompanhado por montadoras, oficinas, redes de varejo e fabricantes que compram tintas e revestimentos em grande escala. Mudanças na estrutura do setor podem influenciar negociações comerciais, disponibilidade de produtos e investimento em novas tecnologias.

Para AkzoNobel e Axalta, a investigação é uma etapa regulatória central de um processo que envolve diferentes países. As companhias continuam defendendo a combinação como oportunidade de criar um grupo global mais competitivo.

A CMA atualizará o calendário e os próximos passos na página oficial do caso. Até uma decisão, a transação permanece sujeita à análise regulatória britânica.

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