O padre Román de la Cruz Hernández, de 48 anos, foi encontrado morto a tiros em uma estrada no estado de Hidalgo, região central do México. O corpo do sacerdote foi localizado na terça-feira (15) no trecho Tlolango-Tetlapayac, entre os municípios de Lolotla e Tlanchinol. Uma cartolina com uma mensagem de teor ameaçador foi encontrada junto ao corpo, segundo relatos locais, e seu conteúdo permanece sob investigação.
A Procuradoria-Geral de Justiça de Hidalgo abriu uma investigação para esclarecer o homicídio e identificar os responsáveis. Até esta quinta-feira (17), as autoridades não haviam divulgado uma motivação confirmada para o crime nem informado a prisão de suspeitos.
Corpo é achado na estrada
Serviços de emergência foram acionados após a localização de um homem com ferimentos provocados por arma de fogo às margens da rodovia. Horas depois, a vítima foi identificada como Román de la Cruz Hernández, pároco da comunidade de Santa Cruz, vinculada à Diocese de Huejutla.
O sacerdote era natural da região de Lolotla e atuava na Huasteca hidalguense. Segundo informações divulgadas por veículos locais e pela Igreja, ele havia assumido a paróquia de Santa Cruz depois que a comunidade passou a integrar formalmente a Diocese de Huejutla.
Além do corpo, investigadores encontraram indícios no local que incluem a mensagem em cartolina e uma caminhonete com placas de outro estado mexicano. A relação desses elementos com o homicídio ainda precisa ser estabelecida pelas perícias.
A presença de uma mensagem junto ao corpo é tratada como elemento de investigação, mas as autoridades ainda não confirmaram quem a escreveu nem qual seria sua relação com o crime.
Igreja cobra investigação
A Conferência do Episcopado Mexicano condenou o assassinato e pediu às autoridades uma apuração completa. A Diocese de Huejutla também divulgou manifestação de pesar e cobrou que o caso não fique impune.
As entidades religiosas evitaram atribuir uma motivação ao homicídio enquanto a investigação está em andamento. Em comunicado, a diocese classificou o cenário de violência como alarmante e pediu que a sociedade rejeite a normalização de ataques contra qualquer pessoa.
A Arquidiocese da Cidade do México e organizações ligadas à promoção da paz também manifestaram solidariedade à comunidade e aos familiares do sacerdote.
Violência contra religiosos preocupa
O assassinato se soma a uma série de ataques contra sacerdotes e religiosos no México. Levantamentos de entidades católicas registram pelo menos 13 padres assassinados no país nos sete anos anteriores ao caso de Román, que eleva esse número.
As motivações variam entre os episódios e não podem ser atribuídas automaticamente ao crime organizado. Em algumas regiões, religiosos atuam em comunidades afetadas por disputas territoriais, extorsão, tráfico e outras formas de violência, o que aumenta a exposição.
A Igreja Católica mexicana tem cobrado políticas de segurança e mecanismos de proteção para líderes comunitários. Em alguns estados, padres também participam de iniciativas de mediação social e apoio a vítimas.
Motivação ainda é desconhecida
As autoridades de Hidalgo deverão analisar imagens, registros telefônicos, depoimentos e vestígios coletados na rodovia para reconstruir os últimos passos do sacerdote. A perícia balística também pode ajudar a determinar a arma utilizada e a dinâmica dos disparos.
O conteúdo da mensagem encontrada no local não foi oficialmente divulgado. Relatos de imprensa a descrevem como ameaçadora, mas a investigação ainda precisa estabelecer sua autenticidade, autoria e eventual ligação com os autores do homicídio.
Sem suspeitos formalmente identificados e sem motivo confirmado, o caso permanece aberto. A Conferência Episcopal afirmou que espera uma resposta rápida das autoridades e que os responsáveis sejam levados à Justiça.


