A distribuição internacional de “Musk”, documentário dirigido por Alex Gibney sobre a trajetória empresarial e política de Elon Musk, tornou-se incerta depois da estreia do filme em festivais europeus e norte-americanos. A Universal Pictures, que adquiriu direitos para mercados fora dos Estados Unidos, ainda não anunciou um plano global de lançamento e avalia o cenário depois da reação política e jurídica provocada pela obra.
O longa, com quase quatro horas de duração, examina a ascensão de Musk no setor de tecnologia, sua compra do Twitter, posteriormente rebatizado como X, e sua aproximação com Donald Trump e movimentos de direita. Nos Estados Unidos, a distribuição está nas mãos da Bleecker Street, com estreia comercial prevista para outubro.
Filme provoca reação política
A produção ganhou atenção depois de ser exibida no Festival de Veneza. O filme apresenta entrevistas com ex-sócios, jornalistas e pessoas próximas a Musk, além de reconstruções visuais e trechos baseados em declarações públicas do empresário.
Gibney afirma que buscou examinar como um empresário sem mandato eletivo passou a acumular influência sobre áreas estratégicas, incluindo redes sociais, contratos públicos, satélites e transporte espacial. Musk recusou participar do documentário e passou a criticá-lo antes mesmo de assistir à versão final.
A defesa do empresário enviou uma carta à equipe responsável pelo filme, alegando que determinados trechos poderiam conter afirmações falsas ou difamatórias. A produção rejeita essa interpretação e sustenta que o trabalho jornalístico e documental está protegido pela legislação americana.
A controvérsia deixou de se limitar ao conteúdo do filme e passou a alcançar sua estratégia comercial fora dos Estados Unidos.
Universal mantém silêncio
A Universal adquiriu os direitos internacionais do projeto antes de a produção estar concluída. Mesmo assim, até agora não apresentou um calendário detalhado para cinemas em mercados como Europa, América Latina e Ásia.
A indefinição alimentou especulações de que o estúdio esteja calculando os riscos comerciais e políticos de distribuir uma obra crítica a uma figura com forte influência sobre setores conservadores e sobre parte do eleitorado americano.
A empresa não anunciou oficialmente o cancelamento da distribuição. Também não confirmou que eventual decisão esteja relacionada a receio de reação política, o que torna necessário distinguir a avaliação atribuída a fontes da indústria de uma posição pública do estúdio.
Musk ameaça levar caso à Justiça
O advogado Alex Spiro, que representa Musk, questionou especialmente passagens relacionadas à eleição presidencial americana de 2024 e ao uso da Starlink. A carta enviada aos responsáveis pelo documentário pede preservação de documentos e materiais, medida geralmente associada à preparação de uma possível disputa judicial.
Gibney respondeu que sua equipe consultou advogados durante a produção e decidiu manter o conteúdo. O diretor também afirma ter procurado Musk para uma entrevista e diz que o empresário recusou participar.
O documentário estreou em Veneza e também foi apresentado no Festival de Toronto. Nos Estados Unidos, a Bleecker Street antecipou a abertura em Nova York e Los Angeles para 9 de outubro, antes de ampliar a exibição para outras cidades.
O filme deve chegar posteriormente à HBO, que participa do projeto. Esse acordo de televisão e streaming é separado da distribuição cinematográfica internacional, o que significa que diferentes territórios podem receber a produção por janelas distintas.
Lançamento global segue indefinido
A ausência de um anúncio da Universal não significa, por enquanto, que “Musk” ficará restrito aos Estados Unidos. O estúdio pode optar por estreias seletivas, vendas territoriais ou um calendário posterior ao lançamento americano.
Uma decisão de não utilizar os direitos adquiridos também pode gerar consequências contratuais com os produtores, dependendo das cláusulas negociadas quando a Universal entrou no projeto. Esses termos não foram tornados públicos.
Enquanto a estratégia comercial não é esclarecida, o debate em torno do filme continua ampliando sua visibilidade. A reação de Musk, as ameaças judiciais e a discussão sobre sua influência política passaram a fazer parte da própria repercussão do documentário.


