O primeiro-ministro do Canadá, Mark Carney, defendeu nesta quinta-feira, 17, uma aproximação mais profunda com a União Europeia e rejeitou a ideia de que o movimento deva ser interpretado como hostilidade aos Estados Unidos. Em discurso no Parlamento Europeu, em Estrasburgo, Carney apoiou a proposta de criar uma forma de associação inédita entre o Canadá e o bloco e destacou áreas como defesa, inteligência artificial, energia, minerais críticos e comércio digital.
Carney apoia proposta
A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, abriu a discussão sobre a possibilidade de o Canadá se tornar o primeiro membro associado da União Europeia. O conceito ainda não está definido juridicamente e precisaria ser detalhado e aprovado.
Carney recebeu a ideia de forma positiva, mas deixou claro que não se trata de pedido de adesão plena ao bloco. O objetivo, segundo ele, é aprofundar mecanismos de cooperação em áreas estratégicas.
O Canadá já mantém acordo comercial amplo com a União Europeia e participa de iniciativas de defesa e pesquisa. A proposta busca levar essa relação a um novo patamar institucional.
Trump critica aproximação
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, criticou publicamente a possibilidade de associação e sugeriu que poderia considerar o movimento um ato hostil. Também mencionou a hipótese de reagir com medidas comerciais contra a Europa.
Carney respondeu que o Canadá decidirá de forma soberana com quem pretende estabelecer acordos. Ele argumentou que uma relação mais forte com a Europa pode tornar o país também um parceiro mais robusto para os Estados Unidos.
A divergência ocorre em um momento de tensões comerciais e de reconfiguração de alianças entre economias avançadas. Canadá e União Europeia procuram reduzir vulnerabilidades em cadeias estratégicas.
Parceria mira setores-chave
No discurso, Carney citou minerais críticos, inteligência artificial, defesa, energia e comércio digital como áreas prioritárias. Também defendeu maior mobilidade de jovens e integração em programas europeus.
A agenda responde a preocupações com dependência excessiva de poucos fornecedores e com o uso de tarifas e restrições comerciais como instrumentos de pressão. O Canadá tem recursos naturais e capacidade energética que interessam ao mercado europeu.
A União Europeia, por sua vez, oferece escala econômica, mercado consumidor e instrumentos de pesquisa e defesa que podem ampliar as opções estratégicas canadenses.
Associação ainda será definida
A expressão membro associado não corresponde hoje a uma categoria padrão de adesão à União Europeia. Por isso, qualquer avanço exigirá desenho jurídico, negociação política e aprovação pelos atores competentes.
Carney indicou que a substância da parceria importa mais que o nome usado para descrevê-la. A discussão deve prosseguir em encontros bilaterais e em uma cúpula Canadá União Europeia prevista para outubro.
Até lá, o debate seguirá condicionado tanto às prioridades internas de Ottawa e Bruxelas quanto à reação de Washington. O ponto central da posição canadense é que o país pretende ampliar suas alternativas sem apresentar o movimento como ruptura com os Estados Unidos.
A proposta de associação do Canadá à União Europeia ainda depende de definições políticas e institucionais. Até aqui, Ottawa e Bruxelas apresentaram a aproximação como uma forma de aprofundar cooperação em comércio, defesa, energia, minerais críticos e tecnologia. O governo canadense sustenta que esse movimento não elimina a relação com os Estados Unidos, que continua sendo o principal destino das exportações do país.


