O ex-presidente Michel Temer (MDB), responsável pela indicação de Alexandre de Moraes ao Supremo Tribunal Federal, esteve em São Paulo para uma agenda institucional que movimentou os bastidores políticos. O encontro ocorreu na sede do Tribunal de Contas do Estado de São Paulo e envolveu diálogos com conselheiros apontados como próximos ao grupo político do ministro André Mendonça. A movimentação ocorre em um momento de forte tensão entre ministros da Suprema Corte, gerando preocupação em diferentes setores políticos.
Visita institucional ao TCE
Durante a passagem pelo Tribunal de Contas do Estado, Temer participou de um almoço com o colegiado e posou para fotos oficiais. O órgão informou publicamente que a agenda tratou-se de uma visita institucional. O ex-presidente conversou com conselheiros e buscou inteirar-se do cenário político atual, marcado por divergências na mais alta corte do país.
A presença do ex-mandatário no órgão estadual serviu para abrir canais de diálogo com interlocutores de Mendonça. A articulação busca conter uma escalada de atritos que tem repercutido diretamente no cenário político de São Paulo e de Brasília. Conselheiros da corte de contas acompanharam os debates durante o evento.
Relação com conselheiros
Entre os nomes presentes no encontro estão figuras com trânsito direto na administração estadual e no governo federal. O conselheiro Maxwell Borges, indicado ao cargo em dezembro de 2024, mantém proximidade histórica com o ministro do STF e com entidades ligadas ao magistrado. Outro participante foi o conselheiro Wagner Rosário, que integrou a gestão federal em administrações anteriores.
Foi apenas um almoço entre amigos. Nada mais”
Michel Temer, ex-presidente
O grupo também conta com articulações ligadas a lideranças do Legislativo paulista. O conselheiro Marco Aurélio Bertaiolli, indicado pela Assembleia Legislativa de São Paulo, possui vínculos históricos com o grupo político do deputado federal Cezinha de Madureira, que também orbita no entorno de influência do ministro André Mendonça.
Repercussão e investigações
A disputa entre ministros no Supremo tem gerado reflexos em investigações recentes no estado. Operações policiais autorizadas no âmbito da corte geraram alertas entre aliados políticos e figuras com trânsito em diferentes esferas de poder. A proximidade entre parlamentares investigados e o grupo político que comanda o executivo estadual tem mobilizado bastidores.
A defesa dos citados tem negado irregularidades e apontado a necessidade de rigor legal nas apurações em curso. Enquanto isso, lideranças partidárias acompanham os desdobramentos das investigações e buscam distanciar as apurações de eventuais disputas eleitorais ou institucionais em curso no país.
Articulação de bastidor
A atuação de figuras históricas como Michel Temer evidencia a preocupação de caciques políticos com o desgaste institucional entre os poderes. Interlocutores apontam que a mediação busca pacificar os ânimos e evitar novos capítulos de conflitos abertos entre magistrados. A prioridade declarada por aliados é baixar a temperatura política no curto prazo.
Apesar da intensa movimentação nos bastidores, os envolvidos evitam classificar os encontros como negociações formais de trégua. O ex-presidente sintetizou o tom da agenda ao afirmar que o compromisso na capital paulista tratou-se estritamente de uma confraternização entre conhecidos, sem pautas oficiais de pacificação.


