Professores da rede particular de ensino de Belo Horizonte e da Região Metropolitana iniciaram uma greve por tempo indeterminado a partir desta quarta-feira. A decisão foi aprovada em assembleia realizada pela categoria durante a manhã no Auditório do Sindicato dos Professores do Estado de Minas Gerais (Sinpro Minas), localizado no bairro Floresta, na região Leste da capital mineira.
O movimento paredista ocorre em meio a um impasse prolongado nas negociações da Convenção Coletiva de Trabalho (CCT). Os docentes rejeitam a proposta apresentada pelo setor patronal para fragmentar o documento regulatório atualmente unificado em diferentes níveis de ensino.
Além da manutenção da convenção atual, a pauta da categoria inclui a reivindicação de reajuste salarial de 3,77%, valor correspondente ao Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC). Atualmente, o processo de negociação entre as partes tramita na Justiça do Trabalho sem uma perspectiva imediata de solução.
Rejeitam divisão da convenção coletiva
A principal divergência entre professores e donos de escolas reside na estrutura da Convenção Coletiva de Trabalho. Pela proposta apresentada pelo Sindicato das Escolas Particulares de Minas Gerais (Sinepe-MG), o documento atual seria dividido para criar instrumentos distintos destinados aos docentes da educação básica e aos professores do ensino superior.
O Sinpro Minas argumenta que a fragmentação da norma coletiva reduz a capacidade de negociação da categoria e pode enfraquecer a proteção a direitos históricos. Entre os benefícios citados pela liderança sindical estão a concessão de bolsas de estudos, a garantia de isonomia salarial, as férias coletivas e o adicional extraclasse.
A entidade representativa dos professores sustenta ainda que algumas instituições de ensino já teriam deixado de aplicar prerrogativas previstas na convenção anterior, como as bolsas de estudo. Enquanto isso, o sindicato patronal defende que a separação busca apenas adequar as negociações às realidades distintas de cada segmento educacional.
Defendem reajuste pelo índice inflacionário
Durante as rodadas de tratativas iniciadas em março, a pauta inicial apresentada pelos docentes continha mais de dez pontos voltados à valorização da carreira e à obtenção de ganho real. No entanto, diante das dificuldades de avançar nas conversas, o sindicato reduziu as exigências para focar na reposição inflacionária.
A reivindicação salarial fixa o índice de 3,77% com base no INPC acumulado. O sindicato laboral classifica a postura dos representantes das escolas como intransigente, apontando que o impasse levou o caso diretamente para a esfera judicial.
A discussão jurídica foi formalizada em 15 de junho, quando o Sinpro Minas ajuizou um dissídio coletivo de natureza econômica no Tribunal Regional do Trabalho da 3ª Região (TRT-3). O processo permanece em andamento, enquanto a greve ganha adesão nas instituições particulares da capital.
A proposta patronal é extremamente prejudicial à categoria
Valéria Morato, presidenta do Sinpro Minas, criticou duramente a exigência imposta pelo setor patronal para fechar um acordo salarial. Segundo a dirigente, a imposição de dividir o documento normativo desconsidera a abertura ao diálogo demonstrada pelos professores ao longo dos meses de conversas.
| Desde o início a categoria tem se mostrado aberta ao diálogo. Tanto é que os docentes propuseram renovar a Convenção atual, sem alterações, no entanto aceitaram criar um cronograma para discutir o tema, mesmo sabendo dos riscos que ele representa. Mas o patronal não quer negociar. Eles querem impor essa condição, que é extremamente prejudicial à categoria. |
Valéria Morato
A liderança sindical reforçou que os professores aceitaram discutir o tema posteriormente por meio de um cronograma, mesmo diante dos riscos apontados pela base. No entanto, a recusa do setor patronal em avançar sem a condição prévia inviabilizou um entendimento consensual.
Argumentam sobre diversidade do setor
Por outro lado, o Sinepe-MG sustenta que a separação das convenções coletivas não representa a retirada de benefícios ou direitos adquiridos pelos profissionais da educação. A entidade patronal argumenta que o setor educacional privado abrange instituições de perfis amplamente diversificados na região.
O sindicato das escolas destaca que o ecossistema local reúne desde grandes universidades privadas, que concentram mais de 100 mil alunos, até estabelecimentos de pequeno porte com apenas dezenas de estudantes matriculados. Para a entidade, o novo modelo traria maior adequação operacional.
A proposta apresentada pelo sindicato patronal prevê que a transição para as convenções separadas ocorra somente a partir de 2027. Para o ano corrente de 2026, o formato único seria preservado com as cláusulas vigentes, o que, segundo o argumento empresarial, evitaria perdas imediatas.
Avançam paralisações por tempo indeterminado
Com a confirmação da greve aprovada em assembleia, os professores da rede privada paralisam as atividades por tempo indeterminado na capital mineira e municípios vizinhos. A medida impacta o funcionamento de diversas instituições de ensino e exige atenção de pais e alunos.
O Sinpro Minas informou que os próximos passos e desdobramentos do movimento paredista serão definidos em novas reuniões e atos públicos organizados pelo sindicato. A categoria permanece mobilizada enquanto aguarda movimentações no processo em curso na Justiça do Trabalho.
As negociações continuam paralisadas e sem previsão de nova data para retomada de entendimentos diretos entre as comissões de professores e representantes das escolas particulares de Minas Gerais.


