O Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br), conhecido como a prévia do Produto Interno Bruto, registrou queda de 0,2% em julho em relação ao mês de junho. Os dados oficiais foram divulgados nesta quarta-feira pelo Banco Central, evidenciando uma desaceleração no ritmo da economia brasileira durante o período.
Para o cálculo do indicador, a autoridade monetária aplica um ajuste sazonal que permite a comparação adequada entre diferentes períodos do ano. Com o resultado negativo de julho, a série estatística passa a refletir um movimento de contenção na atividade produtiva nacional.
Setores registram retração expressiva
Entre os principais componentes do índice, a agropecuária apresentou o recuo mais acentuado no sétimo mês do ano, com baixa de 1,2%. A indústria também operou no campo negativo, registrando uma retração de 0,4% na mesma base de comparação mensal.
Em contrapartida, o setor de serviços permaneceu estável ao longo de julho, apresentando variação nula de 0,0%. Essa estabilidade ajudou a mitigar um impacto ainda maior sobre o resultado consolidado do IBC-Br no período.
Trimestre móvel acumula baixa
Na análise do trimestre encerrado em julho, que engloba os meses de maio, junho e julho, o indicador apontou uma variação negativa de 0,3%. O resultado sucede a queda de 0,6% observada na passagem de junho para maio.
Apesar do recuo mensal e trimestral com ajuste sazonal, o índice apresentou alta de 1,1% quando comparado a julho do ano passado. No acumulado de 12 meses e no resultado do ano, a prévia registra expansão de 1,5%, calculada sem o ajuste sazonal.
Indicador mede a atividade
O IBC-Br funciona como um termômetro mensal acompanhado por analistas para antecipar os rumos da economia, embora sua metodologia difira do cálculo oficial do PIB divulgado trimestralmente pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística.
O indicador sintetiza estimativas para os setores agropecuário, industrial e de serviços e serve como subsídio técnico para as decisões do Banco Central relacionadas à taxa básica de juros, a Selic.
Projeções apontam desaceleração
Analistas e instituições financeiras projetam uma desaceleração na economia brasileira ao longo de 2026, influenciada pelo atual patamar da taxa de juros e da inflação. O governo federal revisa suas expectativas com viés de baixa após registrar alta de 0,5% no PIB do segundo trimestre.
Enquanto o Fundo Monetário Internacional projeta crescimento de 2,4% para o país em 2026, a maioria das instituições financeiras adota estimativas mais modestas, situadas em torno de 2%.


