Investigação aponta suspeita de membros de facções em cargos da Prefeitura de Macapá

Polícia Civil aponta que ao menos 12 pessoas ligadas ao crime organizado foram contratadas ou nomeadas entre 2021 e 2026

Da
Redação
A Redação do Jornal Maior reúne a produção jornalística do portal, com cobertura dos principais acontecimentos do Brasil e do mundo.
5 min leitura
Investigação da Polícia Civil do Amapá apura nomeações de suspeitos de integrar facções na Prefeitura de Macapá.
Ouvir notícia
00:00 / 00:00

Investigações conduzidas pela Polícia Civil do Amapá apontam que ao menos 12 pessoas ligadas a facções criminosas foram formalmente contratadas ou nomeadas para cargos na Prefeitura de Macapá. Os registros mapeados pelos investigadores abrangem o período entre 2021 e 2026, correspondente à gestão do ex-prefeito Antônio Paulo de Oliveira Furlan, conhecido como Dr. Furlan, que atualmente concorre ao governo do estado pelo PSD.

Segundo as apurações policiais, 11 dos alvos são identificados como integrantes da facção Família Terror do Amapá (FTA), grupo aliado ao Primeiro Comando da Capital (PCC), enquanto uma pessoa é associada ao Comando Vermelho. A maioria dos investigados também possui histórico de envolvimento com o tráfico de drogas na região.

Para a Polícia Civil, os elementos reunidos no inquérito indicam um processo sistemático de infiltração do crime organizado na administração municipal por meio da ocupação de cargos comissionados e de confiança.

Polícia aponta mecanismo de ocupação de cargos comissionados

De acordo com os relatórios da investigação, a presença de suspeitos na folha de pagamento do município não decorreu de um erro burocrático pontual. A corporação aponta que os investigados transitavam entre atividades criminosas e gabinetes do poder público local.

A Polícia Civil sustenta que a concessão desses postos integrou uma engrenagem política que utilizou verbas públicas para o loteamento de cargos comissionados. O objetivo, segundo os investigadores, era garantir apoio em currais eleitorais na capital amapaense.

Os documentos do inquérito indicam que as nomeações ocorreram de forma contínua ao longo de cinco anos, atingindo diferentes setores e secretarias da estrutura da Prefeitura de Macapá.

Nomes citados ocuparam postos de chefia e na saúde

Entre os casos detalhados no relatório da Polícia Civil está o de Jesaias Silva e Silva, que chefiou a Subsecretaria de Zeladoria entre 2022 e 2024. Ele foi preso pela Polícia Federal em 2024, durante a Operação Herodes, sob a acusação de articulação eleitoral armada, e permanece em prisão preventiva.

Outro nome listado é o de Amanda Camila Pimentel, apontada pelos investigadores como liderança histórica da FTA. Ela manteve vínculo formal com o município entre 2023 e 2025 e atualmente se encontra custodiada no sistema prisional.

Na área da saúde, a apuração identificou a admissão de Valdilene Viegas da Silva como assistente social na Secretaria Municipal de Saúde em 2025. Ela havia sido presa anteriormente por tráfico de drogas durante as operações Narke III e Labirinto de Creta.

Investigação apura pagamentos sem registro oficial de servidores

As apurações policiais também abrangem casos sem registro formal no cadastro de servidores municipais. Benedita de Nazaré Gomes Batista, identificada pela polícia como responsável pela coordenação feminina da FTA, aparece em uma folha de pagamentos da Companhia de Transportes e Trânsito de Macapá (CTMAC) referente a dezembro de 2025.

Como o nome de Benedita não consta na relação oficial de funcionários da prefeitura, os investigadores questionam a legalidade dos repasses financeiros e a efetiva prestação de serviços à autarquia de trânsito.

Também é investigada Magda Steffani Costa dos Santos, condenada por tráfico e apontada como operadora financeira da facção. Ela é casada com Tiago Pantoja Borges, conhecido como Espeta e apontado como liderança da FTA. Em audiência judicial, Magda declarou possuir contrato com o município, mas a função exercida não foi localizada nos diários oficiais.

Ex-prefeito nega irregularidades e aponta motivação política

Em nota oficial, o ex-prefeito Dr. Furlan afirmou que todas as nomeações em sua gestão seguiram estritamente os procedimentos legais, com a exigência e apresentação das certidões e documentos previstos em lei.

Dr. Furlan ressaltou que a administração municipal conta com milhares de servidores, tornando inviável ao chefe do Executivo conhecer a vida pessoal dos ingressantes. Ele informou ainda que parte dos cargos de confiança atendeu a indicações políticas de vereadores, deputados e lideranças, sempre condicionadas ao cumprimento das exigências legais.

O candidato declarou ser alvo de perseguição política em razão de sua liderança nas pesquisas eleitorais para o governo do Amapá. A nota cita também que o titular da Delegacia de Repressão ao Crime Organizado (Draco-AP), delegado Estefano da Silva Santos, declarou publicamente que os inquéritos da unidade não apontam indícios que o relacionem a facções criminosas.

WhatsAppFacebook
Share This Article
1 comentário

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *