O presidente Luiz Inácio Lula da Silva embarca no fim de semana para Nova York, nos Estados Unidos, onde participará da 81ª Assembleia Geral das Nações Unidas. A previsão divulgada pelo Ministério das Relações Exteriores é que o presidente chegue à cidade no domingo, 20, e concentre sua agenda internacional entre segunda-feira, 21, e terça-feira, 22.
Entre os compromissos em negociação está um possível encontro com o prefeito de Nova York, Zohran Mamdani. O Itamaraty confirmou que recebeu um pedido de reunião bilateral apresentado pelo lado norte-americano, mas informou nesta quarta-feira, 16, que a agenda presidencial ainda não estava definitivamente fechada.
Em relação ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, o cenário é diferente. Não existe, até o momento, previsão de uma reunião bilateral entre os dois chefes de Estado durante a passagem de Lula por Nova York. Os dois estarão, porém, no mesmo espaço durante a abertura do Debate Geral da ONU na terça-feira.
Mamdani pede encontro com Lula
O prefeito Zohran Mamdani solicitou uma reunião com Lula durante a passagem do brasileiro pela cidade. Segundo a Agência Brasil, o Ministério das Relações Exteriores confirmou a existência do pedido, que integra uma lista de solicitações de encontros recebidas pela equipe presidencial antes da Assembleia Geral.
A reunião é tratada oficialmente como uma possibilidade, e não como um compromisso confirmado. Informações divulgadas pela imprensa apontam que o encontro poderá ocorrer na segunda-feira, quando a agenda de Lula estará voltada principalmente para reuniões bilaterais.
Mamdani assumiu a prefeitura de Nova York no início de 2026 e se tornou o primeiro muçulmano a ocupar o cargo. Entre as pautas defendidas pelo prefeito estão políticas de redução do custo de vida, ampliação da oferta de moradias acessíveis e mudanças no sistema de transporte público da cidade.
O Itamaraty confirma que recebeu o pedido de encontro de Mamdani, mas a reunião ainda depende do fechamento da agenda presidencial.
Agenda concentra reuniões bilaterais
Lula deverá dedicar a segunda-feira, 21, aos encontros com autoridades estrangeiras. Como ocorre tradicionalmente durante a semana de alto nível da Assembleia Geral, diversos governos solicitam reuniões com o presidente brasileiro, o que obriga o Itamaraty a selecionar os compromissos que cabem no período disponível.
A viagem deste ano será relativamente curta. A previsão é que Lula deixe Nova York na terça-feira, depois de participar da abertura do Debate Geral e fazer o pronunciamento do Brasil no plenário das Nações Unidas.
Também está prevista uma reunião com o secretário-geral da ONU, António Guterres, na terça-feira. Entre os assuntos que devem aparecer nas conversas brasileiras estão a defesa do multilateralismo, a reforma das Nações Unidas, as guerras em andamento, a segurança internacional e o combate à pobreza e à fome.
| Agenda prevista de Lula em Nova York | ||
|---|---|---|
| Data | Compromisso | Situação |
| 20 de setembro | Chegada a Nova York | Prevista |
| 21 de setembro | Reuniões bilaterais | Agenda em definição |
| 21 de setembro | Possível encontro com Zohran Mamdani | Ainda não confirmado |
| 22 de setembro | Reunião com António Guterres | Prevista |
| 22 de setembro | Discurso de abertura do Debate Geral | Previsto |
| 22 de setembro | Retorno ao Brasil | Previsto |
Fonte: Ministério das Relações Exteriores, Agência Brasil e Nações Unidas.
Brasil abre debate da ONU
O Debate Geral da 81ª Assembleia Geral começa na terça-feira, 22, e prossegue até 28 de setembro. A reunião reúne chefes de Estado, chefes de governo e representantes de alto nível dos 193 países integrantes das Nações Unidas.
Como ocorre tradicionalmente desde 1955, o Brasil será o primeiro Estado-membro a discursar na abertura do Debate Geral. Lula fará o pronunciamento brasileiro e, na sequência, está prevista a fala do presidente do país anfitrião, Donald Trump.
O tema escolhido para o debate de 2026 é “Restaurar a confiança, gerenciar a transformação: uma Organização das Nações Unidas que atenda a todas as pessoas”. A 81ª sessão da Assembleia Geral foi formalmente aberta em 8 de setembro e é presidida pelo diplomata Khalilur Rahman, de Bangladesh.
O conteúdo definitivo da fala de Lula ainda estava em preparação nesta quarta-feira. O Itamaraty antecipou, entretanto, algumas das linhas que deverão aparecer no pronunciamento, incluindo a defesa do sistema multilateral e da solução negociada de conflitos.
Nossa expectativa é que ele contenha uma defesa forte do multilateralismo como linha básica da política externa brasileira.
Carlos Márcio Bicalho Cozendey, secretário de Assuntos Multilaterais Políticos do Itamaraty
Trump não tem reunião prevista
Apesar de Lula e Trump discursarem em sequência no plenário, o Ministério das Relações Exteriores informou que não existe uma reunião bilateral confirmada entre os dois presidentes. Isso não impede um contato informal nos corredores ou bastidores da sede das Nações Unidas.
Os dois presidentes tiveram um breve contato durante a Assembleia Geral de 2025, quando Lula deixava o espaço do plenário e Trump se preparava para discursar. Depois daquele episódio, os chefes de Estado voltaram a se encontrar em outras ocasiões.
As relações entre Brasil e Estados Unidos atravessam em 2026 discussões em diferentes áreas, incluindo comércio exterior e temas diplomáticos. Eventuais novos contatos durante a Assembleia dependerão da dinâmica da agenda e não significam, por si mesmos, uma reunião bilateral formal.
A programação divulgada até agora mantém como compromisso central de Lula a participação na ONU. Trump também estará na sede do organismo por causa do Debate Geral, o que coloca os presidentes fisicamente no mesmo ambiente durante parte da terça-feira.
Discurso reforçará multilateralismo
O Itamaraty espera que Lula use o pronunciamento para defender a importância das instituições multilaterais em um momento marcado por guerras e disputas internacionais. A diplomacia brasileira também pretende reafirmar posições em favor de negociações de paz e do respeito ao direito internacional humanitário.
A reforma da própria Organização das Nações Unidas deve voltar a aparecer. O Brasil reivindica há décadas mudanças na estrutura do Conselho de Segurança e uma ampliação da representação de países em desenvolvimento nos principais órgãos de decisão internacional.
Outros temas previstos na atuação brasileira durante a semana incluem o combate à fome e à pobreza. O chanceler Mauro Vieira deverá presidir em Nova York uma reunião da Aliança Global contra a Fome e a Pobreza, iniciativa lançada durante a presidência brasileira do G20 em 2024.
A programação oficial da ONU estabelece que a semana de alto nível da 81ª sessão será realizada entre 22 e 29 de setembro, enquanto o Debate Geral prossegue até o dia 28. Lula, entretanto, deverá retornar ao Brasil já na terça-feira, deixando o restante das atividades da delegação brasileira sob responsabilidade de integrantes do governo e da diplomacia.


