Conselho do Flamengo aprova reforma estatutária para profissionalizar gestão

Proposta reformula regras vigentes desde 1992, cria o Conselho Gestor e extingue vice-presidências temáticas.

Da
Redação
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Sede do Flamengo, onde conselheiros aprovaram o novo estatuto para a profissionalização da gestão.
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O Conselho Deliberativo do Flamengo aprovou, na terça-feira (15), uma proposta de reforma estatutária que institucionaliza o modelo de gestão profissional dentro da agremiação carioca. Elaborado por uma Comissão Permanente, o projeto havia sido apresentado originalmente pelo presidente do clube, Luiz Eduardo Baptista, no mês de junho.

O novo texto altera o estatuto em vigor desde 1992, considerado ultrapassado por defensores de alterações na estrutura administrativa e no funcionamento das rotinas de gestão do futebol e das áreas corporativas do Rubro-Negro.

A reformulação altera profundamente a rotina do clube carioca, propondo uma clara divisão entre as funções políticas e as decisões de negócios operadas cotidianamente pela instituição esportiva.

Conselheiros aprovam reforma por ampla maioria

A votação do projeto de profissionalização registrou forte apoio entre os participantes da reunião do Conselho Deliberativo do Flamengo. O resultado final contabilizou 643 votos favoráveis à mudança, representando um percentual equivalente a 92,39% dos votantes.

A oposição obteve apenas 47 votos contrários durante a apreciação da pauta, alcançando a marca de 6,75% do total. Além disso, foram registradas seis abstenções ao longo do processo de escolha no plenário rubro-negro, totalizando 0,86% do colégio votante.

O debate prévio, no entanto, expôs divergências marcantes na visão sobre a administração do Rubro-Negro. Apoiadores defendiam a alteração afirmando que as regras vigentes desde a década de 1990 estavam defasadas para as demandas atuais do futebol profissional brasileiro.

Por outro lado, alas contrárias ao projeto alegavam que as mudanças propostas poderiam centralizar ainda mais poderes nas mãos do presidente Luiz Eduardo Baptista. Os críticos também expressavam receio de redução do nível de transparência das decisões perante os conselheiros do clube.

Mudança separa governança e execução do clube

Com a nova regra, a estrutura administrativa do clube passa a estabelecer uma divisão nítida entre as atribuições de governança, supervisão e execução diária das atividades institucionais.

Toda a condução rotineira do clube será assumida por uma diretoria profissional de executivos remunerados. Os nomes selecionados para esses cargos de liderança técnica deverão preencher critérios técnicos específicos estabelecidos pelas novas diretrizes estatutárias.

O organograma corporativo do futebol e da instituição passa a contar com duas funções centrais de liderança operacional no dia a dia. Tratam-se do Diretor-Geral e do Diretor de Futebol, encarregados das principais frentes de trabalho.

Enquanto o Diretor-Geral assume o comando da gestão corporativa do clube, o Diretor de Futebol comanda diretamente a equipe principal e as categorias de base rubro-negras. Nesse processo de reestruturação, as vice-presidências temáticas anteriores serão extintas.

Novo conselho gestor passa a supervisionar executivos

A reformulação aprovada determina igualmente a criação do Conselho Gestor, órgão identificado pela sigla COGE, encarregado de acompanhar a atuação e os resultados da nova diretoria remunerada.

O Conselho Gestor será composto pelo presidente e pelo vice-presidente do Flamengo, por um Procurador-Geral e por um grupo variável de nove a 12 membros. A nomeação desses conselheiros é atribuição direta do presidente do clube, para mandatos com duração de três anos.

Entre as responsabilidades atribuídas ao COGE estão a avaliação contínua de estratégias, metas operacionais, indicadores de desempenho, gestão de riscos e estrutura de pessoal no clube.

Apesar da inclusão de sugestões apresentadas por conselheiros, o texto final preserva a exigência de aprovação ou veto presidencial em tópicos relevantes, principalmente nas decisões relativas ao departamento de futebol.

Planejamento financeiro ganha metas de longo prazo

A aprovação da reforma estatutária impacta diretamente os instrumentos de elaboração do orçamento anual e das diretrizes orçamentárias do Flamengo para os próximos exercícios financeiros.

A elaboração orçamentária para cada temporada passará a caminhar integrada a um planejamento plurianual estruturado para os três anos seguintes, garantindo continuidade administrativa ao planejamento do clube.

Além do plano trienal, o projeto estabelece projeções estratégicas de longo prazo voltadas para um horizonte de cinco anos. O processo inclui metas e indicadores específicos para mensurar o rendimento institucional.

A expectativa é que esse modelo imponha maior estabilidade e previsibilidade na aplicação dos recursos da instituição esportiva ao longo das gestões profissionais.

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