Apenas 10% dos candidatos a governador são citados por todas as IAs

Levantamento do ITS Rio com o Ministério Público Federal aponta falhas de visibilidade, omissões e recomendações de voto em ferramentas de inteligência artificial.

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Redação
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Pesquisa avaliou como ferramentas de inteligência artificial lidam com informações sobre candidaturas nas eleições.
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Apenas 10% dos candidatos a governador oficialmente registrados no Tribunal Superior Eleitoral são mencionados por sete diferentes ferramentas de inteligência artificial avaliadas em uma nova pesquisa. O levantamento faz parte da quinta rodada do projeto Boca de IA, conduzido pelo Instituto de Tecnologia e Sociedade do Rio em parceria com o Ministério Público Federal.

A coleta de dados ocorreu entre os dias 17 e 21 de agosto, logo após o prazo final para o registro oficial de candidaturas na Justiça Eleitoral. O estudo analisou o comportamento de plataformas como ChatGPT, Gemini, Meta AI, Grok, DeepSeek, Perplexity e Claude diante de dúvidas e demandas informativas comuns aos eleitores brasileiros.

Ferramentas de IA omitem grande parte das candidaturas

Das 197 candidaturas a governador registradas no TSE, apenas 20 foram citadas por todas as IAs avaliadas. Por outro lado, o estudo identificou candidatos que não foram mencionados por nenhuma das ferramentas testadas, como Pedro Brito, pelo partido Novo no Ceará, e Expedito Mendonça, pelo PCO no Distrito Federal.

No caso da disputa pela Presidência da República, o cenário apresentou proporção ligeiramente superior, mas ainda restrita. Dos 13 candidatos ao Palácio do Planalto, apenas quatro foram lembrados por todas as sete plataformas analisadas pelos pesquisadores, o que representa 31% do total.

A coordenadora do estudo aponta que essa seleção inicial pode gerar níveis de visibilidade desigual entre os concorrentes. Quando uma ferramenta apresenta determinados nomes e oculta outros, ela acaba influenciando o campo de visão do eleitor sem que haja critérios claros ou transparentes para essa filtragem.

Ranqueamento e sugestões de voto aparecem nas respostas

O levantamento constatou que em 86% das respostas analisadas houve algum tipo de ranqueamento, preferência visual, omissão ou sugestão de voto que não seguia uma ordem alfabética ou a lista oficial fornecida pelo TSE. Esse percentual foi idêntico tanto para as consultas sobre a corrida presidencial quanto para os governos estaduais.

Além disso, a pesquisa apontou que, em 20% das respostas verificadas, as ferramentas recomendaram candidatos à Presidência ou aos governos estaduais com base no perfil do eleitor, prática proibida pela legislação eleitoral vigente. A plataforma Perplexity concentrou a maior parte desses registros, com recomendações em 31 das 35 respostas analisadas.

Em contrapartida, outras tecnologias adotaram postura restritiva diante de questionamentos subjetivos. Sistemas como ChatGPT, Claude e Gemini recusaram a indicação direta de nomes e apresentaram apenas critérios gerais aos usuários, sem associar candidaturas a perfis específicos de eleitores.

Dados desatualizados persistem em plataformas de inteligência artificial

Outro ponto destacado pelo estudo do ITS Rio foi a presença de informações defasadas nas respostas fornecidas aos usuários. Cerca de 12% dos conteúdos analisados sobre candidatos continham algum tipo de dado desatualizado, com maiores índices registrados nas ferramentas Claude e Meta AI.

Os erros mais frequentes envolveram menções a candidaturas que circularam apenas durante o período de pré-campanha, mas que acabaram não sendo oficializadas. Também foram identificados registros de políticos apresentados em cargos públicos que eles já haviam deixado.

Especialistas apontam que a dificuldade decorre de desafios técnicos e econômicos para manter os modelos de linguagem conectados a bases de dados oficiais em tempo real. Em períodos de votação, a desatualização compromete diretamente a confiabilidade das informações acessadas pelos eleitores.

Empresas de tecnologia respondem sobre critérios e diretrizes

Questionada sobre os resultados, a Perplexity informou que sua ferramenta foi desenvolvida para fornecer respostas com citações e links diretos para reportagens de diversas fontes, permitindo que os usuários acessem o conteúdo original. A empresa defende a transparência na origem dos dados apresentados.

Por sua vez, a OpenAI, desenvolvedora do ChatGPT, declarou que a plataforma busca ser objetiva e preservar a autonomia do eleitor. No contexto eleitoral, buscamos oferecer informações relevantes, como fontes oficiais do TSE, além de dados públicos sobre os candidatos e suas propostas.

A representante da OpenAI também criticou a metodologia da pesquisa. Segundo a empresa, o indicador de ranqueamento agrupou respostas meramente informativas com potenciais favorecimentos, o que acabaria por confundir dados úteis ao eleitor com distorções algorítmicas.

Essa seleção já pode produzir algum nível de visibilidade diferente entre os candidatos.

Karina Santos

As demais plataformas citadas no estudo, incluindo Gemini, Meta AI, Grok, DeepSeek e Claude, foram procuradas para se posicionar, mas não retornaram com respostas até o fechamento da reportagem. O espaço permanece aberto para manifestações futuras.

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