A Rússia acusou os Estados Unidos de colocar em risco a estabilidade das atividades espaciais ao manter armas de controle espacial em órbita. A reação ocorreu após uma declaração do secretário da Força Aérea dos EUA, Troy Meink, em conferência realizada perto de Washington na segunda-feira (14).
Na terça-feira (15), a porta-voz do Ministério das Relações Exteriores russo, Maria Zakharova, afirmou que Washington ignora os efeitos de um eventual conflito armado no espaço. Segundo ela, a Rússia apresentará no próximo mês à Assembleia Geral da ONU resoluções sobre a proibição de armas espaciais e a transparência no uso do espaço.
Rússia reage às armas orbitais
Meink declarou que os Estados Unidos possuem “armas de controle espacial em órbita” capazes de defender a Força Conjunta americana de ações hostis de adversários. A fala foi apresentada como a admissão mais contundente de uma autoridade dos EUA sobre a existência desses sistemas no espaço.
Zakharova classificou a declaração como um sinal de que os EUA estariam dispostos a desconsiderar as consequências de um confronto em órbita. A porta-voz vinculou a presença desses equipamentos a riscos para a exploração espacial no longo prazo.
A posição russa associa um eventual conflito no espaço a impactos sobre atividades que dependem de sistemas orbitais. A declaração de Moscou ocorre em meio a tensões espaciais envolvendo Estados Unidos, Rússia e China, segundo o material divulgado.
Zakharova aponta riscos à Terra
A representante da diplomacia russa afirmou que a militarização do espaço criaria ameaças a processos socioeconômicos na Terra. Ela relacionou esses processos ao bem-estar da população.
Na avaliação de Zakharova, a presença de armas americanas em órbita compromete as perspectivas de exploração espacial. A crítica russa, portanto, não se limita a uma disputa militar e abrange possíveis efeitos sobre usos civis dependentes da infraestrutura espacial.
O governo russo não detalhou, no comentário citado, quais sistemas específicos estariam envolvidos nem quais processos socioeconômicos seriam mais afetados. Ainda assim, a fala enquadra a questão como uma preocupação de alcance global.
Moscou contesta moratória antissatélite
Zakharova também criticou a moratória para testes de mísseis antissatélite promovida por países que ela chamou de “Ocidente coletivo”. Segundo a porta-voz, a iniciativa não alcançaria armas que os Estados Unidos já possuem.
Ela acrescentou que a moratória tampouco se aplicaria a outros tipos de sistemas antissatélite que, segundo Moscou, Washington busca desenvolver. A declaração apresenta a posição russa de que a medida tem alcance limitado.
A diplomata disse ainda que acusações de que a Rússia desenvolve armas antissatélite serviriam para desviar a atenção das ambições americanas no espaço. Essa é a avaliação expressa pela representante do Ministério das Relações Exteriores russo.
ONU deve receber propostas russas
Segundo Zakharova, a Rússia levará no próximo mês propostas à Assembleia Geral da ONU. As resoluções seriam coautoradas por Moscou e tratariam da proibição da implantação de armas no espaço.
As iniciativas também buscariam assegurar transparência no uso do ambiente espacial, de acordo com a porta-voz. Não foram informados, no material disponibilizado, os demais países que coautorariam os textos nem os detalhes das propostas.
O anúncio coloca a Assembleia Geral da ONU como o próximo foro citado pela Rússia para discutir o tema. Enquanto isso, as declarações públicas de autoridades russas e americanas evidenciam a disputa em torno da presença e do emprego de sistemas militares em órbita.


