A Argentina acusou formalmente, na terça-feira (15), executivos e acionistas de empresas de petróleo que atuam nas Ilhas Malvinas, segundo informou o jornal argentino Clarín. O procurador federal Carlos Stornelli também pediu uma investigação sobre pessoas e entidades ligadas ao projeto.
A medida envolve a israelense Navitas Petroleum e a britânica Rockhopper Exploration. Além das acusações, o pedido menciona possíveis violações da chamada Lei Pino Solanas, danos ambientais e lavagem de dinheiro, conforme relatado pelo jornal.
Procurador amplia a investigação
Stornelli solicitou uma apuração aprofundada sobre os acionistas e sobre indivíduos ou empresas que possam fornecer apoio logístico ou assistência à exploração de hidrocarbonetos nas ilhas, de acordo com o Clarín.
O pedido não se limitou aos executivos e acionistas já acusados. Ele alcança outros possíveis participantes ou apoiadores da atividade de exploração de petróleo, segundo a informação publicada.
A investigação solicitada abrange possíveis apoiadores logísticos e financeiros da exploração de hidrocarbonetos. O gabinete do procurador federal não respondeu imediatamente a um pedido de comentário feito pela Reuters.
Empresas citam licenças locais
As duas companhias citadas já haviam afirmado que o projeto do campo petrolífero tem licenças válidas emitidas pelo governo das Ilhas Malvinas.
Navitas Petroleum e Rockhopper Exploration também indicaram que não esperam que ações do governo de Javier Milei prejudiquem o desenvolvimento do projeto.
A Navitas não respondeu imediatamente aos pedidos de comentário da Reuters. Por outro lado, a Rockhopper recusou-se a comentar o caso.
Reino Unido rejeita jurisdição argentina
Também na terça-feira, o governo do Reino Unido divulgou uma manifestação em defesa das empresas que desenvolvem atividades econômicas nas Ilhas Malvinas.
Em comunicado, o governo britânico afirmou apoiar atividades econômicas legítimas e defender o direito dos habitantes das ilhas de regular a própria economia e desenvolver recursos naturais, incluindo hidrocarbonetos.
O Reino Unido sustentou que a Argentina não pode exercer jurisdição sobre as ilhas nem aplicar sua legislação interna no território ou contra empresas e indivíduos envolvidos em negócios vinculados às Malvinas.
Disputa remonta à guerra de 1982
A iniciativa do procurador se insere na disputa entre Argentina e Reino Unido pela soberania das Ilhas Malvinas.
Em 1982, a Argentina invadiu as ilhas e travou uma guerra de dez semanas com o Reino Unido. Ao fim do conflito, as forças argentinas se renderam.
O governo britânico acrescentou que não vê fundamento jurídico para tribunais fora da Argentina executarem medidas tomadas contra empresas que atuem nas ilhas ou tenham relação com elas.


