Experimento com soda cáustica aumenta absorção de CO2 pelo oceano

Teste realizado no Golfo do Maine, nos Estados Unidos, avaliou o aumento da alcalinidade da água e não identificou impactos negativos na vida marinha durante cinco dias de monitoramento

Da
Redação
A Redação do Jornal Maior reúne a produção jornalística do portal, com cobertura dos principais acontecimentos do Brasil e do mundo.
4 min leitura
Experimento no Golfo do Maine avaliou se o hidróxido de sódio poderia ampliar a absorção de CO2 pela superfície do oceano.
Ouvir notícia
00:00 / 00:00

O experimento com soda cáustica realizado no Golfo do Maine, nos Estados Unidos, aumentou a capacidade da superfície do oceano de absorver dióxido de carbono (CO2) da atmosfera. O teste ocorreu em agosto de 2025 e acompanhou a dispersão do hidróxido de sódio por cerca de cinco dias.

A pesquisa integrou o projeto LOC-NESS, sigla em inglês para “Locking Ocean Carbon in the Northeast Shelf and Slope”. Pesquisadores da Woods Hole Oceanographic Institution apresentaram os resultados durante a conferência Ocean Sciences Meeting, na Escócia.

A técnica é chamada de Aumento da Alcalinidade do Oceano (OAE). Ao adicionar substâncias alcalinas à água, a proposta busca reduzir sua acidez e permitir que o oceano absorva CO2 do ar de forma natural.

Teste aplicou hidróxido de sódio

Os pesquisadores liberaram hidróxido de sódio de alta pureza, conhecido como soda cáustica, em águas federais do Golfo do Maine. A aplicação foi acompanhada por um corante vermelho biodegradável, que permitiu rastrear o deslocamento da mistura.

A dispersão do material durou cerca de seis horas. Depois, a equipe manteve o acompanhamento da área por aproximadamente cinco dias para observar a química da água e os organismos presentes na região.

O procedimento buscou simular o aumento controlado da alcalinidade oceânica. A lógica da OAE é combater a acidez da água, que aumenta com a poluição e reduz a capacidade do mar de absorver gases de efeito estufa.

Equipe rastreou a mancha alcalina

A equipe usou robôs submarinos e gliders para medir a química do oceano antes, durante e depois da aplicação. Os veículos navegaram sob a água e registraram dados em diferentes momentos do teste.

Os dados coletados servem como um roteiro para desenhar sistemas de observação em escala ainda maior no futuro.”

David “Roo” Nicholson, um dos líderes da pesquisa

Satélites e boias acompanharam o deslocamento da mancha alcalina a partir do espaço e da superfície. Ao mesmo tempo, cientistas embarcados em um navio de pesquisa coletaram amostras de água e organismos marinhos.

Esse conjunto de medições permitiu confrontar o comportamento observado no mar com previsões de computadores. A água retornou aos níveis normais dentro do prazo esperado após a dispersão do hidróxido de sódio.

Alcalinidade elevou absorção de CO2

Os resultados indicaram que a mancha alcalina se comportou conforme as previsões feitas pelos modelos computacionais. Além disso, a superfície do oceano passou a absorver mais carbono do ar depois da aplicação.

O aumento da alcalinidade alterou temporariamente a capacidade de captura de CO2 na área monitorada. Assim, o experimento forneceu dados sobre como acompanhar esse processo em condições controladas.

David “Roo” Nicholson, um dos líderes da pesquisa, relacionou os dados obtidos ao desenvolvimento de formas mais amplas de observação da técnica. O resultado se refere a um teste localizado, realizado durante um período determinado no Golfo do Maine.

Técnica se soma aos cortes

Os biólogos analisaram bactérias, fitoplâncton, larvas de peixes e lagostas na área do experimento. Durante o período de monitoramento, a equipe não identificou impactos negativos sobre a vida marinha observada.

A avaliação reuniu dados sobre a resposta química da água e sobre os organismos presentes na região. Dessa forma, o teste também examinou a segurança da aplicação de hidróxido de sódio nas condições adotadas pela pesquisa.

Os cientistas enfatizaram que o aumento da alcalinidade oceânica deve somar forças no combate às mudanças climáticas. A tecnologia, porém, não substitui a necessidade de reduzir as emissões de poluentes.

WhatsAppFacebook
Share This Article
1 comentário

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *