O presidente do Supremo Tribunal Federal, Edson Fachin, retirou do ministro André Mendonça a relatoria de um pedido ligado ao relatório da Polícia Federal que menciona Alexandre de Moraes e Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master.
A Presidência da Corte passou a conduzir a Petição 16.662 diante da possibilidade de impedimentos entre ministros envolvidos. A mudança trata da tramitação e não antecipa conclusão sobre o mérito.
Fachin centraliza a condução
A transferência coloca o processo sob responsabilidade direta da Presidência do Supremo. Fachin citou normas internas e dispositivos processuais para determinar a substituição da relatoria.
O pedido está relacionado à análise de atos praticados durante as apurações do Banco Master. Como as discussões alcançam integrantes da Corte, a definição ganhou relevância institucional.
A medida busca evitar questionamentos futuros sobre a participação de ministros potencialmente interessados no resultado. O processo continuará submetido às garantias do devido processo legal.
Relatório menciona Moraes e Vorcaro
O material reúne informações extraídas do celular apreendido com Daniel Vorcaro. Entre os elementos estão registros de contatos atribuídos ao empresário e ao ministro Alexandre de Moraes.
As referências não representam, isoladamente, comprovação de crime. A validade, o contexto e os possíveis efeitos jurídicos dos dados ainda dependem da análise do Supremo.
A Procuradoria-Geral da República questionou a forma de produção do relatório e defendeu sua nulidade. O debate envolve a competência para investigar magistrados do tribunal.
Mendonça enfrenta questionamento
Alexandre de Moraes pediu apuração sobre possível abuso de autoridade em atos atribuídos a André Mendonça. O pedido integra a tensão criada pelas investigações relacionadas ao banco.
Mendonça defendeu o exame público das questões pelo colegiado. Outros ministros solicitaram acesso amplo aos documentos e contestaram a divulgação considerada parcial de informações.
A mudança de relatoria não equivale a julgamento da conduta de Mendonça. Caberá à Corte avaliar os pedidos, as manifestações e os elementos juntados aos autos.
Plenário avaliará os próximos passos
Fachin também organiza sessões destinadas aos diferentes processos relacionados ao caso. O tribunal busca separar procedimentos em fases distintas e reduzir o risco de decisões conflitantes.
O julgamento poderá definir a validade do relatório, a competência do plenário e o tratamento das referências a autoridades. Essas questões antecedem eventual investigação formal.
Enquanto isso, documentos continuam sob exame dos gabinetes. Qualquer responsabilização depende de procedimento regular, direito de defesa e decisão do órgão judicial competente.


