A produtora de Dark Horse Karina Ferreira da Gama registrou em cartório uma declaração na qual relata ter recebido três contatos sobre uma possível delação premiada. Empresária e dona da Go Up Entertainment, ela está relacionada a apurações no Supremo Tribunal Federal (STF) sobre a produção do filme.
O documento, assinado em 3 de setembro de 2026 e registrado em 4 de setembro em São Paulo, descreve conversas ocorridas entre maio e setembro. Karina afirma que coopera com as investigações por meio de sua defesa e diz não identificar motivo para fazer uma colaboração premiada.
Documento relata contatos sobre delação
Na declaração, Karina cita um primeiro contato atribuído a Fernando Sarney. Segundo seu relato, ele a procurou em 20 de maio de 2026, e a conversa ocorreu dois dias depois, às 9h07.
A empresária afirma que Sarney ofereceu apoio jurídico e disse ter proximidade com o ministro Flávio Dino, além de mencionar a possibilidade de uma delação. Ela declarou, porém, que a referência ao ministro partiu exclusivamente de Sarney.
Karina também registrou que não presenciou conversas entre Sarney e Dino. Assim, disse não ter elementos próprios para atribuir ao ministro conhecimento, participação ou envolvimento no contato narrado.
Sarney nega ter falado com empresária
Fernando Sarney negou ter mantido contato com Karina Gama ou discutido uma suposta delação sobre Dark Horse. A negativa foi enviada em resposta à reportagem que teve acesso ao documento.
Ele também afirmou não conhecer a empresária. A versão de Sarney, portanto, diverge do relato formalizado por Karina no cartório.
A declaração da produtora não atribui a Flávio Dino a iniciativa do contato. O texto registra apenas a menção feita, segundo ela, por Fernando Sarney durante a conversa.
Outros dois contatos são citados
Karina relata que recebeu uma ligação em 27 de agosto, às 11h22, de um pastor que ela descreve como amigo de longa data. Segundo a declaração, ele disse ter proximidade com integrantes do governo federal e ministros do STF.
De acordo com a empresária, o interlocutor teria transmitido uma proposta de delação como alternativa para evitar uma possível “complicação”. Ela afirmou ter respondido que a cadeia de produção do filme foi conduzida dentro da legalidade.
O terceiro contato citado ocorreu em 3 de setembro e é atribuído ao jornalista Breno Pires, da revista Piauí. Karina diz que ele já havia feito questionamentos anteriores sobre a hipótese de colaboração premiada e que, na nova abordagem, sugeriu consequências judiciais caso ela não colaborasse.
A revista Piauí informou que não se manifestaria sobre o relato.
Produtora reafirma cooperação na apuração
Na parte final da declaração, Karina afirma que a proximidade entre os contatos e a semelhança dos temas lhe causaram preocupação. Ela registra receio de sofrer pressões externas de natureza política em sua situação jurídica.
A empresária diz que não pretende se furtar às investigações e que tem providenciado documentos para esclarecimento dos fatos com sua defesa. Ao mesmo tempo, ressalta garantias como o direito ao silêncio, à não autoincriminação e à assistência de advogado.
O texto cita o Inquérito nº 5.070 e a Petição nº 16.070, ambos no STF, além de procedimento policial correlato relacionado ao filme. Karina declarou que fez o registro para preservar as comunicações recebidas e permitir eventual análise pelas autoridades.


