Cilia Flores, esposa de Nicolás Maduro, pediu na quarta-feira (9) a um tribunal de Nova York para aguardar em prisão domiciliar por motivos de saúde. A defesa afirma que ela enfrenta problemas cardíacos e precisa se recuperar em ambiente adequado após procedimentos médicos.
Flores foi detida com Maduro em janeiro. Os dois respondem nos Estados Unidos a acusações de tráfico de drogas, lavagem de dinheiro e corrupção e se declararam inocentes. O julgamento está marcado para começar em 1º de junho de 2027.
Defesa pede prisão domiciliar por saúde
Os advogados Mark E. Donnelly e Andres Sanchez apresentaram o pedido ao juiz federal Alvin K. Hellerstein. Eles defendem que Flores seja transferida para uma residência particular enquanto aguarda o andamento do processo.
Segundo a petição, a proposta prevê vigilância armada durante 24 horas, monitoramento por GPS, visitas limitadas e escuta telefônica, entre outras condições. A defesa informou que discutiu a solicitação com o governo dos Estados Unidos, que se opôs à medida.
Os advogados sustentam que um centro de detenção não reúne as condições que consideram necessárias para a recuperação de Flores. Ela está presa no Centro de Detenção Metropolitano do Brooklyn, conhecido pela sigla MDC.
Advogados relatam quadro cardíaco
A defesa afirmou que Flores, de 69 anos, não tomava medicamentos antes de sua prisão e passou a receber quatro remédios. A petição também relata um episódio de forte pressão no peito em 29 de julho.
A Sra. Flores de Maduro é uma mulher de 69 anos que precisará de tempo suficiente para se recuperar de quaisquer procedimentos médicos em um ambiente propício à sua recuperação.”
Mark E. Donnelly e Andres Sanchez, advogados de defesa de Cilia Flores, em petição judicial
Os advogados disseram que consultaram especialistas médicos externos e não descartam que o episódio tenha sido um infarto leve. Ainda segundo a defesa, são necessários novos exames para comparar a função cardíaca de Flores com avaliações anteriores.
A petição aponta a necessidade de ao menos um procedimento cardíaco invasivo, o cateterismo. O documento também menciona palpitações, fraqueza, taquicardia ocasional, falta de ar, dor no peito e tonturas.
Petição descreve rotina na detenção
De acordo com a defesa, Flores perdeu mais de 11 quilos desde que foi presa. Ela teria tentado aumentar a atividade física, mas ainda apresentaria limitações associadas aos sintomas relatados pelos advogados.
O documento afirma que ela dorme, no máximo, entre três e quatro horas por dia. A defesa associa essa situação à convivência com mais de 40 detentas e ao nível de ruído e agitação na rotina da unidade.
Além disso, os advogados alegaram que Flores não tem antecedentes criminais. Para eles, as acusações não mostram que ela represente perigo à comunidade nos Estados Unidos.
Processo segue para audiência em novembro
A defesa também argumentou que Flores não representa risco de fuga. Os advogados afirmaram que ela pretende levar adiante tanto sua defesa quanto a de Maduro e apoiá-lo durante o processo.
O pedido de prisão domiciliar inclui argumentos de imunidade internacional. Essa linha também foi usada pela defesa de Maduro dias antes, quando solicitou ao juiz o arquivamento das acusações contra ele.
O caso está na fase pré-julgamento. Em 17 de novembro, as partes devem apresentar ao juiz Hellerstein seus argumentos sobre os pedidos para arquivar o processo.


