Donald Trump chegou a Dallas, no Texas, nesta quarta-feira (9), enquanto o Partido Republicano iniciava sua primeira convenção voltada às eleições de meio de mandato dos Estados Unidos. O encontro de dois dias ocorre antes da votação de 3 de novembro e aposta na força política do presidente para manter as maiorias republicanas no Congresso.
A reunião também expõe os riscos dessa estratégia. Embora Trump busque mobilizar sua base, republicanos enfrentam insatisfação do eleitorado com a inflação e a guerra contra o Irã. Além disso, vários candidatos em disputas acirradas decidiram não comparecer ao evento.
Trump centraliza a estratégia republicana
A convenção em Dallas coloca Trump no centro da preparação republicana para as eleições de meio de mandato. O partido tenta transformar a presença presidencial em demonstração pública de unidade e em estímulo aos apoiadores.
O encontro ocorre em um momento decisivo para a legenda. Uma derrota em novembro pode encerrar o controle republicano do Congresso e limitar a atuação de Trump nos dois últimos anos de seu mandato.
Ao mesmo tempo, a escolha de realizar uma convenção nacional antes das midterms revela a preocupação do partido com seu desempenho quando Trump não disputa diretamente a Presidência.
O evento acontece em Dallas
A programação foi marcada para esta quarta-feira (9) e quinta-feira (10), no American Airlines Center, em Dallas. A eleição de meio de mandato está prevista para 3 de novembro.
Diferentemente das convenções partidárias tradicionais, o encontro não tem a função de indicar candidatos nem de aprovar uma plataforma formal. Essas convenções costumam ocorrer em anos de eleição presidencial.
Por isso, a reunião funciona principalmente como vitrine política. O Partido Republicano pretende apresentar uma frente unificada e reforçar a conexão entre Trump e as campanhas para a Câmara e o Senado.
Candidatos evitam aparecer no encontro
Muitos republicanos que disputam cadeiras competitivas na Câmara e no Senado não foram à convenção. A ausência indica que parte dos candidatos prefere permanecer em suas bases eleitorais na reta de preparação para a votação.
Alguns integrantes do partido questionam se participar do evento transmite a mensagem adequada aos eleitores. Eles também avaliam o custo político de aparecer ao lado de Trump em um período de baixa aprovação presidencial.
Segundo a média de pesquisas citada pela CNN, a taxa de aprovação de Trump está em 35%. Esse índice alimenta a dúvida sobre se o apoio fiel ao presidente será suficiente para superar a insatisfação mais ampla do eleitorado.
Presidente minimiza as ausências
Trump rejeitou a ideia de que as ausências representem um problema para a convenção. Antes de viajar ao Texas, ele afirmou que todos os republicanos gostariam de participar, mas que o espaço do evento é limitado.
O presidente disse que a organização priorizou candidatos envolvidos em disputas acirradas, estejam eles ligeiramente atrás, à frente ou empatados nas corridas.
Na avaliação apresentada por Trump, políticos com vantagem ampla deveriam permanecer em seus próprios estados e continuar fazendo campanha. Dessa forma, ele tratou a ausência de alguns nomes como uma decisão estratégica, e não como sinal de desunião.
A convenção testa a força de Trump
O encontro testa até que ponto Trump consegue transferir sua capacidade de mobilização para candidatos republicanos. O resultado será especialmente relevante em disputas nas quais a margem entre os concorrentes é pequena.
Por outro lado, a estratégia vincula diretamente o desempenho do partido à imagem do presidente. Se a base responder, os republicanos poderão usar a convenção como impulso para as campanhas de novembro.
A iniciativa também torna mais visível a dependência do partido em relação a Trump. Essa aproximação ocorre apesar das preocupações internas sobre inflação, política externa e aprovação presidencial.
Eleição pode mudar o controle do Congresso
As eleições de meio de mandato definirão uma etapa importante do segundo período do mandato de Trump. A disputa pode preservar as maiorias republicanas ou alterar o equilíbrio de forças no Congresso.
Uma eventual mudança restringiria a margem de ação do presidente durante seus dois últimos anos de governo. Por isso, o partido usa a convenção para preparar sua mensagem e mobilizar eleitores antes da votação.
O evento de Dallas, portanto, cumpre uma função política mais ampla do que uma reunião partidária. Ele apresenta a estratégia republicana para novembro e mede a disposição da legenda de associar suas campanhas à liderança de Trump.


