Técnica brasileira testa remoção menos invasiva do câncer de mama

Estudo retrospectivo com 120 casos combinou biópsia a vácuo e raspagem do local da lesão; estratégia ainda seguirá para validação clínica.

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Redação
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Estudo brasileiro avaliou a combinação de biópsia a vácuo e raspagem das margens na retirada de tumores de mama.andreswd/GettyImages
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Uma técnica brasileira para a remoção menos invasiva do câncer de mama foi avaliada em estudo retrospectivo com 120 casos de um centro especializado em imagem mamária de Belo Horizonte. A abordagem combina a biópsia assistida a vácuo, também chamada de mamotomia, à coleta de fragmentos das margens da cavidade formada no tecido mamário.

O trabalho foi publicado em agosto na revista Annals of Surgical Oncology, da Sociedade Americana de Cirurgia Oncológica. Segundo os autores, a estratégia busca verificar se a lesão foi retirada completamente e, assim, pode contribuir para futuras formas de tratamento percutâneo de tumores pequenos.

Estudo combina mamotomia e raspagem

A biópsia assistida a vácuo permite coletar amostras de tecido da mama. No método analisado, após essa retirada, permanece uma cavidade no local da extração.

O médico faz então uma raspagem nessa cavidade por meio de uma agulha, que recolhe fragmentos do tecido. Em seguida, os segmentos passam por análise para indicar se ainda existem células cancerígenas na área.

Além de auxiliar a avaliação das margens, a retirada de tecido durante a própria biópsia pode remover a lesão, a depender do tamanho do tumor. A proposta procura evitar cirurgias feitas para confirmar com precisão a retirada do câncer.

Pesquisa analisou 120 casos

Os pesquisadores examinaram 120 casos que integram o banco de dados da Redimama-Redimasto, centro especializado em imagem mamária em Belo Horizonte. O desenho foi retrospectivo, ou seja, analisou casos já registrados na base.

O estudo tem o título “Coleta de fragmentos das margens da cavidade como parte da biópsia mamária estendida assistida a vácuo: uma abordagem potencial para prever a excisão percutânea de câncer de mama”.

De acordo com o levantamento, 37,5% dos casos não apresentaram tumor que precisasse de cirurgia. A mastologista Paula Clarke resumiu o resultado como remoção completa do câncer em aproximadamente um a cada três casos.

Unesp orientou a investigação

A pesquisa partiu do projeto de dissertação de doutorado de Paula Clarke. Eduardo Carvalho Pessoa e Henrique Lima Couto idealizaram e orientaram o trabalho no Departamento de Obstetrícia e Ginecologia da Unesp, em Botucatu, no interior paulista.

Clarke afirmou que a análise tratou de um problema concreto da oncologia: verificar se a biópsia mamária estendida a vácuo, associada à raspagem das margens, poderia antecipar a identificação da retirada completa de tumores pequenos.

Para a pesquisadora, a combinação representa uma possibilidade para abordagens futuras de tratamento percutâneo. Portanto, o resultado divulgado não descreve uma substituição imediata da cirurgia, mas uma estratégia em investigação.

Ensaio clínico busca validar resultado

Henrique Lima Couto informou que os achados seguem para validação em um ensaio clínico de fase 2. Além disso, há testes com pacientes em tratamento de câncer de mama após quimioterapia.

Segundo o mastologista, a investigação é conduzida no Brasil pelo estudo VAE Breast 01. A iniciativa avalia o tratamento percutâneo e a ressecção completa de tumores com a intenção de tratar a doença.

O câncer de mama ocorre quando células anormais se multiplicam de forma desordenada nas mamas, conforme a definição apresentada pelo Ministério da Saúde. Tumores malignos podem invadir outros tecidos e órgãos.

O material também aponta uma incidência de 66,54 novos casos a cada 100 mil mulheres e classifica a doença como a primeira causa de morte por câncer entre mulheres no Brasil. Por isso, a identificação precoce e a busca por avaliação médica diante de sinais de alerta são relevantes para as chances de cura.

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