A Polícia Federal avalia um pedido da família para incluir Ágatha Isabelly, de 6 anos, e Allan Michael, de 4, na Difusão Amarela da Interpol. Os irmãos estão desaparecidos desde 4 de janeiro, após saírem para brincar na comunidade quilombola São Sebastião dos Pretos, em Bacabal, no Maranhão.
A mãe das crianças apresentou a solicitação à PF em 9 de setembro, acompanhada de advogada. Se a corporação encaminhar o caso, a Interpol analisará as informações antes de decidir pela publicação e pelo compartilhamento do alerta entre seus 196 países integrantes.
PF analisa pedido de alerta internacional
A família buscou a Polícia Federal para pedir a inclusão dos nomes das crianças na Difusão Amarela, mecanismo da Organização Internacional de Polícia Criminal voltado à localização de pessoas desaparecidas.
A PF informou que recebeu o pedido e adotará os procedimentos necessários para um eventual encaminhamento à Interpol. A iniciativa não representa, por si só, a publicação do alerta internacional.
Depois de receber uma solicitação encaminhada pela Polícia Federal, cabe à própria Interpol examinar o material e decidir se divulgará a difusão. O sistema pode auxiliar a busca inclusive fora do Brasil.
Irmãos desapareceram em janeiro
Ágatha e Allan desapareceram em 4 de janeiro, quando estavam com o primo Anderson Kauã, então com 8 anos. As três crianças haviam saído para brincar no quilombo São Sebastião dos Pretos, na região do Médio Mearim.
No dia seguinte, a mãe, o padrasto e a avó dos irmãos prestaram depoimento na Delegacia de Bacabal e foram liberados. As buscas começaram após o sumiço das crianças.
Anderson foi localizado com vida em 7 de janeiro por três produtores rurais no povoado Santa Rosa, a cerca de 4 quilômetros do local onde o grupo havia sido visto pela última vez. Ele foi levado ao Hospital Geral de Bacabal.
Segundo o relato informado no caso, o menino disse que se perdeu dos primos na mata. Em 20 de janeiro, após receber alta médica, ele colaborou pessoalmente com as buscas e indicou o trajeto percorrido até uma cabana abandonada próxima ao Rio Mearim.
Buscas percorreram mata e rio
Uma força-tarefa da Operação Bacabal mobilizou nove equipes simultâneas nos primeiros meses da ocorrência. As equipes atuaram por terra, pelo ar e na água.
A Secretaria de Estado da Segurança Pública do Maranhão informou que a área é extensa e de difícil acesso, com mata fechada, lagos, trilhas naturais e presença de animais silvestres.
Durante a operação, os agentes utilizaram helicópteros, drones com sensores térmicos, cães farejadores e equipamentos de mapeamento subaquático. O trabalho percorreu 19 quilômetros do leito do Rio Mearim com uso de side scan sonar.
Voluntários encontraram roupas infantis em uma área de mata em 11 de janeiro. No dia seguinte, porém, a SSP-MA informou que os itens não pertenciam a Ágatha e Allan.
Investigação mantém hipóteses abertas
A investigação considerou linhas como sequestro, tráfico humano, ataque de animal e afogamento. Nenhuma delas resultou, até agora, na localização das crianças ou numa conclusão para o inquérito.
Em 28 de janeiro, em meio à circulação de mensagens falsas, o então secretário de Segurança Pública do Maranhão, Maurício Martins, afirmou que as informações recebidas eram verificadas com rigor técnico. Naquele momento, a principal linha era a possibilidade de as crianças estarem perdidas na mata, sem exclusão de outras hipóteses.
A SSP-MA declarou que a Polícia Civil mantém os trabalhos por meio de uma comissão criada especificamente para o caso. A pasta também informou que o inquérito não havia sido concluído e que não era possível apontar circunstâncias, responsabilidades ou conclusões definitivas.
Os trabalhos de campo da força-tarefa foram desfeitos após os primeiros meses. Ainda assim, a secretaria informou que segue empenhada no esclarecimento dos fatos e que continua a checar as informações relacionadas ao desaparecimento.
Denúncia em São Paulo foi descartada
Em 24 de janeiro, a Polícia Civil de São Paulo apurou uma denúncia de que as crianças teriam sido vistas em um hotel no bairro da República, na região central da capital paulista.
Dois dias depois, a polícia paulista confirmou que as crianças vistas no estabelecimento não eram Ágatha e Allan. Assim, a denúncia não alterou o rumo da investigação.
O caso também mobilizou a população local durante as buscas em Bacabal. Apesar do uso de equipes e equipamentos especializados, não foram encontrados vestígios dos irmãos na área percorrida.
Família busca ampliar a localização
O pedido de inclusão na Difusão Amarela ocorre oito meses após o desaparecimento. Em 4 de maio, o caso completou quatro meses sem uma resposta sobre o paradeiro de Ágatha e Allan.
Para a família, o acionamento da Polícia Federal abre a possibilidade de avaliação de um alerta com alcance internacional. No entanto, a divulgação depende da análise da PF e, posteriormente, da decisão da Interpol.
Enquanto isso, a investigação conduzida no Maranhão permanece em andamento. A comissão da Polícia Civil continua responsável pelos trabalhos no estado.


