Uma análise do Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais (CSIS) aponta que as obras em Pickaxe Mountain, uma instalação subterrânea próxima ao complexo nuclear iraniano de Natanz, ganharam ritmo em 2026. O estudo examinou seis anos de imagens de satélite e identificou mais movimentação no local durante o ano.
Segundo a reportagem da CNN que divulgou a análise, o ponto fica a cerca de 225 quilômetros ao sul de Teerã e é acompanhado por agências de inteligência como uma possível estrutura para resguardar futuras atividades do programa nuclear iraniano. Os analistas, porém, tratam os possíveis usos da instalação como avaliações, e não como uma definição confirmada de sua função.
Análise aponta avanço em Pickaxe Mountain
O CSIS identificou um aumento claro da construção em Pickaxe Mountain neste ano, conforme a análise compartilhada com a CNN. A área fica sob uma montanha de granito, característica que amplia sua relevância estratégica e a dificuldade de atingi-la.
De acordo com os analistas, o empreendimento passou de uma etapa de escavação ativa para uma fase que provavelmente envolve construção interna e reforço externo. A avaliação se apoia na evolução observada nas imagens de satélite.
O estudo também registrou, em 2026, movimento nas estradas do complexo em nível superior ao observado em outros períodos. Essa circulação foi um dos indicadores considerados para apontar a intensificação da atividade.
Obras reforçam acessos aos túneis
As imagens analisadas indicam trabalhos de elevação e reforço nas entradas dos túneis. Além disso, a equipe observou pavimentação da malha interna de estradas e intervenções nas áreas de acesso.
O conjunto de obras incluiu nivelamento do terreno e retirada de material escavado durante a abertura dos túneis. Dessa forma, a atividade não se limitou à escavação inicial da estrutura subterrânea.
Para o CSIS, a continuidade da construção é um elemento importante para avaliar o estágio do local. Os analistas consideram que Pickaxe Mountain ainda não teria capacidade para conduzir enriquecimento de urânio, caso essa seja a finalidade planejada para a instalação.
Estudo avalia possíveis usos nucleares
O relatório do CSIS avalia que a estrutura foi provavelmente concebida como abrigo para atividades ligadas ao programa nuclear iraniano. A análise apresenta três usos possíveis para o complexo, todos associados a esse programa.
Uma das hipóteses é que o local abrigue uma unidade de montagem de centrífugas, equipamentos empregados no processo de enriquecimento de urânio. Outra possibilidade considerada é a instalação funcionar diretamente como unidade de enriquecimento.
Os analistas também mencionam a hipótese de o complexo servir de refúgio para outras atividades relacionadas a armas nucleares, como a conversão de urânio metálico. A inteligência israelense, segundo a CNN, sugeriu que o Irã poderia planejar a transferência de centrífugas para a área.
Granito dificulta eventual ataque
A montanha de granito que abriga Pickaxe Mountain cria um obstáculo até para as bombas convencionais mais potentes dos Estados Unidos, segundo a equipe do CSIS. Por isso, o local se diferencia de instalações menos protegidas na superfície.
A reportagem também cita Isfahan como outra instalação iraniana profundamente enterrada. Em depoimento a parlamentares no ano passado, um general americano afirmou que os ataques dos Estados Unidos haviam soterrado acessos do complexo, sem destruí-lo por completo.
Na avaliação relatada pela CNN, o Pentágono entendeu que suas bombas antibunker Massive Ordnance Penetrator, conhecidas pela sigla MOP, não conseguiriam destruir a estrutura de Isfahan. Esse limite ajuda a explicar a atenção americana a alvos subterrâneos mais profundos.
EUA estudam testes contra alvos profundos
Quatro dias antes do lançamento da Operação Epic Fury, um gerente de programa da Agência de Redução de Ameaças de Defesa (DTRA) autorizou uma justificativa emergencial de US$ 1,2 milhão para reparar uma instalação subterrânea de testes em White Sands, no Novo México, segundo documentos citados pela CNN.
O documento previa um teste com munição real para validar capacidades classificadas diante de ameaças emergentes. Registros federais mostraram que a contratação exigia preparação em duas ou três semanas, em razão de uma diretriz de segurança nacional considerada sensível ao tempo.
Três fontes ouvidas pela CNN disseram que os planos estavam ligados à guerra com o Irã e à busca por meios de atingir instalações subterrâneas mais profundas. A área de testes, chamada Alternate Seismic Hardrock in Situ Test Site, também foi escavada em granito, segundo uma avaliação ambiental citada na reportagem.
Pentágono desenvolve nova bomba penetradora
As Forças Armadas dos Estados Unidos trabalham em uma bomba penetradora de próxima geração para substituir a atual MOP e, potencialmente, alcançar alvos mais profundos. Um contrato para iniciar o protótipo foi concedido em setembro de 2025.
Em junho, a Força Aérea americana consultou empresas do setor de defesa sobre a nova arma. Enquanto isso, setores do Departamento de Defesa realizaram recentemente uma força-tarefa de planejamento sobre ataques a instalações subterrâneas, segundo uma fonte familiarizada com o tema ouvida pela CNN.
Os Estados Unidos já haviam atacado instalações nucleares iranianas em junho de 2025, na operação chamada Midnight Hammer pelos militares americanos. Segundo uma fonte citada pela reportagem, Pickaxe Mountain integrou um conjunto de alvos considerado quando o presidente Donald Trump ameaçava ampliar o conflito; ele afirmou a jornalistas na semana anterior que os EUA poderiam atingir a instalação em breve.


