O Pisa 2025 mostra que o Brasil reduziu a distância em relação à média dos países da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) em leitura, matemática e ciências. Apesar do avanço acumulado desde 2006, os estudantes brasileiros continuam abaixo da média internacional nas três áreas. Os resultados foram divulgados pela OCDE nesta terça-feira (8).
A edição avaliou estudantes de 15 anos e teve participação de 30.140 alunos brasileiros, entre abril e maio de 2025. No país, a aplicação foi coordenada pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), autarquia vinculada ao Ministério da Educação (MEC).
Brasil mantém notas abaixo da OCDE
O Brasil alcançou 408 pontos em leitura, 377 em matemática e 409 em ciências. A média de 23 países da OCDE ficou em 466, 469 e 486 pontos, respectivamente. Assim, a diferença permanece expressiva, sobretudo em matemática.
Segundo a referência apresentada no estudo, cada 20 pontos correspondem aproximadamente a um ano escolar. Por essa medida, a distância brasileira em matemática equivale a cerca de 4,6 anos em relação à média dos países da organização.
Em comparação com o ciclo anterior, de 2022, o desempenho brasileiro ficou estável nas três áreas. Ciências, no entanto, registrou a maior variação positiva: a nota passou de 403 para 409 pontos.
Distância histórica diminui desde 2006
A comparação com 2006 indica uma redução maior do intervalo entre o Brasil e a média da OCDE. Em leitura, a diferença caiu de 102 para 58 pontos, uma redução de 44 pontos.
Em matemática, o intervalo passou de 131 para 92 pontos, enquanto, em ciências, diminuiu de 113 para 77 pontos. Portanto, o país ainda está distante da média, mas a desvantagem é menor do que a registrada no início da série comparada.
O resultado precisa ser lido como uma evolução relativa, e não como uma aproximação completa dos países da OCDE. As notas brasileiras continuam abaixo da média internacional nas três disciplinas avaliadas.
Pandemia afeta recuperação dos estudantes
O relatório também compara a trajetória brasileira com o período anterior à pandemia de covid-19. Entre 2018 e 2025, o país recuperou e superou o desempenho pré-pandemia em ciências.
Em leitura e matemática, as perdas brasileiras foram menores que as observadas, em média, nos países da OCDE. Dessa forma, os dados indicam uma recuperação relativamente mais favorável do Brasil após o período de interrupções e impactos educacionais provocados pela pandemia.
A edição de 2025 foi realizada após mudanças no calendário do programa. A avaliação prevista para 2021 ocorreu em 2022, e o ciclo inicialmente previsto para 2024 foi transferido para 2025.
Avaliação mede habilidades no mundo digital
O Pisa 2025 introduziu o domínio “Aprendizagem no Mundo Digital”. A dimensão incluiu a Resolução de Problemas por meio de Ferramentas Computacionais (RPFC) e os Processos de Aprendizagem Autorregulada.
No primeiro volume divulgado pela OCDE, foram apresentados os resultados de RPFC. O Brasil obteve 406 pontos, abaixo da média de 500 pontos da organização.
Entre os 19 países selecionados para essa comparação, a Coreia do Sul registrou a maior média, com 538 pontos. O Paraguai teve a menor, com 352. Os resultados sobre aprendizagem autorregulada estão previstos para 2027.
Escolas ampliam restrições a celulares
Os questionários aplicados aos estudantes também abordaram o uso de celulares em sala de aula. Em 2025, 81% dos alunos brasileiros avaliados frequentavam escolas com restrições a esses dispositivos.
Em 2022, essa proporção era de 37%. O percentual brasileiro ficou acima da média da OCDE, de 49%, e coincide com a implementação de regras nacionais para o uso de celulares na educação básica.
O MEC relacionou o resultado à Lei nº 15.100/2025. Segundo a pasta, estudantes em escolas com restrições têm menor probabilidade de relatar distrações digitais. Já o relatório de 2022 havia apontado associação entre uso excessivo de dispositivos e desempenho escolar.
Estudantes valorizam escola e meio ambiente
Os dados de 2025 também registraram percepções dos estudantes sobre aprendizagem e vida escolar. Cerca de 72% disseram ter interesse por diversos assuntos, enquanto 59% afirmaram se esforçar mais diante de desafios.
A parcela que considera a escola uma perda de tempo caiu para 16%. O índice ficou abaixo da média da OCDE, de 24%, e foi 6,9 pontos menor que o registrado no Brasil em 2022.
Os estudantes que reconhecem o valor da educação e rejeitam a ideia de que a escola é uma perda de tempo obtiveram, em média, 35 pontos a mais em ciências. Na OCDE, a diferença associada a essa percepção foi de 27 pontos.
O levantamento ainda mostrou forte percepção de engajamento ambiental no Brasil: 84% disseram acreditar que podem gerar impactos positivos para o meio ambiente, 87% confiaram na ação coletiva e 77% afirmaram saber trabalhar em grupo para promover mudanças positivas.


