Especialista da ONU alerta que remoção de entulhos em Gaza pode apagar provas

Francesca Albanese afirma que a retirada dos destroços deve esperar a coleta de evidências e a identificação de restos mortais; Israel não comentou de imediato.

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Redação
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A retirada dos escombros em Gaza envolve a busca por desaparecidos e a preservação de possíveis evidências, segundo especialista da ONU.8 de dezembro de 2025 REUTERS/Nir Elias
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A remoção de entulhos em Gaza pode apagar evidências de possíveis crimes e dificultar a identificação de restos mortais, afirmou Francesca Albanese, especialista da ONU para os territórios palestinos. O alerta foi divulgado em declaração publicada no dia 7.

Segundo as Nações Unidas, a guerra em Gaza deixou cerca de 61 milhões de toneladas de destroços, cuja retirada pode levar aproximadamente sete anos. Albanese defende que autoridades e população palestinas liderem os planos de remoção e que o trabalho só avance integralmente após a preservação de vestígios e a recuperação de vítimas.

Albanese pede preservação de provas

A especialista sustenta que os escombros têm valor que vai além da reconstrução urbana. Na avaliação dela, o material pode conter elementos relevantes para documentar o que ocorreu durante os dois anos de bombardeios mencionados em sua declaração.

Albanese também afirmou que os destroços podem guardar restos mortais de pessoas desaparecidas. Por isso, ela defendeu a coleta de evidências e a identificação dos corpos antes da retirada completa do material.

O alerta trata de riscos à preservação de possíveis provas, não de uma conclusão judicial sobre crimes. Especialistas independentes são contratados pelo Conselho de Direitos Humanos da ONU para acompanhar e documentar crises específicas, mas não falam em nome da organização.

Entulho desafia buscas por desaparecidos

As autoridades palestinas estimam que mais de 8 mil pessoas continuem soterradas sob os escombros em Gaza. O dado dimensiona o desafio humanitário ligado à retirada dos destroços, além das implicações para eventuais investigações.

No mês anterior, uma equipe palestina de resgate que procurava vítimas nos escombros da Cidade de Gaza informou ter localizado os restos mortais de 112 pessoas de um mesmo clã. O episódio ilustra a presença de corpos ainda não recuperados em áreas destruídas.

Assim, a ordem e o método da remoção podem afetar tanto a procura por desaparecidos quanto a conservação de materiais que Albanese considera relevantes. A especialista não detalhou, no material disponível, como propõe organizar tecnicamente esse processo.

Israel não responde sobre empresas

Albanese disse ter recebido confirmações de diversas fontes sobre o envolvimento de empresas israelenses na remoção de entulhos. Contudo, ela não identificou as companhias nem informou, no texto citado, quais seriam essas fontes.

O gabinete da especialista não respondeu de imediato a questionamentos sobre a origem dessa informação. Dessa forma, a alegação sobre a participação empresarial permanece atribuída a Albanese no material disponível.

O Ministério das Relações Exteriores de Israel, o gabinete do primeiro-ministro e as Forças Armadas israelenses também não responderam imediatamente a pedidos de comentário. Israel já contestou energicamente posições anteriores da especialista sobre a ofensiva em Gaza.

Conflito amplia disputa sobre responsabilidades

Os ataques israelenses a Gaza começaram depois da incursão liderada pelo Hamas em outubro de 2023. Segundo dados israelenses citados no material, o ataque matou 1.200 pessoas em Israel e levou 251 pessoas como reféns.

Autoridades de saúde de Gaza afirmam que mais de 73 mil palestinos morreram na campanha militar israelense. Israel diz que busca evitar vítimas civis e acusa o Hamas de usar civis como escudos humanos em regiões densamente povoadas, acusação negada pelo grupo palestino.

Em comunicado, o Hamas apoiou o alerta de Albanese e pediu que os escombros sejam retirados de modo a permitir a recuperação de desaparecidos e a preservação de evidências. A manifestação ocorre em meio a uma disputa persistente sobre a condução da guerra e suas consequências humanitárias.

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