As equipes de resgate do Nepal procuram nesta segunda-feira (7) trabalhadores de usinas hidrelétricas que podem estar presos em túneis, 12 dias depois das enchentes e dos deslizamentos que atingiram a fronteira do Himalaia com a China. Segundo equipes do Exército, cerca de 121 pessoas podem estar dentro das estruturas subterrâneas.
O número faz parte de um grupo de aproximadamente 900 pessoas dadas como desaparecidas nos projetos hidrelétricos. A operação ocorre enquanto o país registra pelo menos 1.380 mortos e mais de 5.500 desaparecidos no Nepal e no Tibete, segundo o balanço informado no material.
Resgates realizados nos últimos dias mantêm a possibilidade de encontrar sobreviventes. Entre eles estão um cidadão chinês retirado de um túnel e dois trabalhadores de uma usina localizados em outra estrutura subterrânea.
Resgate busca 121 pessoas em túneis
As equipes nepalesas concentram os esforços em túneis de projetos hidrelétricos atingidos pela lama, pelas rochas e pela água. Os socorristas avaliam que parte dos desaparecidos pode ter procurado abrigo em salas e áreas com bolsas de ar.
O grupo de 121 pessoas não corresponde necessariamente ao total de trabalhadores desaparecidos nos projetos. De acordo com as equipes de resgate, outras pessoas podem ter atuado em áreas externas ou em setores diferentes das usinas.
No projeto hidrelétrico de Chilime, no distrito de Rasuwa, quatro das seis pessoas desaparecidas ainda são procuradas. O parlamentar Shri Ram Neupane, envolvido nas operações, afirmou que elas podem estar vivas.
As autoridades conseguiram equipamentos especializados e definiram técnicas para tentar avançar dentro da estrutura de Chilime. No entanto, a operação ocorre em áreas afetadas por detritos e por danos provocados pelas enchentes.
Sobreviventes renovam a esperança
As buscas recentes resultaram em quatro resgates. Um cidadão chinês saiu de um túnel no sábado (5), enquanto dois trabalhadores de uma usina hidrelétrica foram retirados de outro túnel na sexta-feira (4).
Uma mulher nepalesa também foi encontrada com vida no sábado, depois de ficar soterrada em sua casa. Os casos reforçaram a expectativa de que outras pessoas possam resistir em espaços protegidos.
As equipes consideram que túneis com áreas de circulação de ar, salas e pontos de abrigo podem aumentar as chances de sobrevivência. Ainda assim, o material não informa quantas pessoas foram localizadas especificamente em cada operação.
Deslizamento atingiu Nepal e Tibete
O desastre começou em 26 de agosto, quando uma massa de lama e rochas caiu em um rio após o desabamento de parte de uma geleira. A corrente atingiu áreas ao longo da fronteira entre o Nepal e o Tibete, região administrada pela China.
As enchentes destruíram ou soterraram cidades, vilarejos, estradas e rodovias. No balanço apresentado, pelo menos 1.380 pessoas morreram e mais de 5.500 continuam desaparecidas nos dois lados da fronteira.
Na China, equipes de resgate recuperaram mais 12 corpos até domingo (6), segundo autoridades. As buscas continuam por centenas de desaparecidos no Tibete, entre eles turistas indianos ou de origem indiana que visitavam locais de peregrinação hindu.
O Lago Mansarovar e o Monte Kailash estão entre os destinos citados no material como áreas sagradas para os peregrinos. Famílias de estrangeiros desaparecidos pressionaram as autoridades chinesas por informações sobre seus parentes.
Nepal pede equipamentos para operação
O governo nepalês solicitou ajuda internacional para manter as operações de emergência. Entre os itens pedidos estão drones de alta capacidade, pontes Bailey, kits para testes de DNA e trajes específicos para resgates em túneis.
O país também pediu materiais para prevenir epidemias, em razão das condições deixadas pelas enchentes e pela destruição de áreas habitadas. A solicitação foi informada pelo Ministério das Relações Exteriores.
Enquanto isso, as equipes continuam trabalhando nas áreas atingidas. O material não informa prazo para a conclusão das buscas nem apresenta um balanço final das operações nos projetos hidrelétricos.
China promete atualizar informações
A porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, Mao Ning, afirmou que o país manterá as operações de busca e resgate e tratará das medidas posteriores ao desastre.
Segundo Mao, Pequim divulgará atualizações sobre a situação e as atividades de resgate. No domingo, a China convidou jornalistas de oito veículos estrangeiros para visitar as principais áreas afetadas, pela primeira vez desde o desastre.
A abertura ocorreu em meio à pressão de famílias de turistas estrangeiros que relataram dificuldades para obter notícias sobre pessoas desaparecidas no Tibete. Ainda assim, o material não detalha quais informações foram apresentadas durante a visita.
Luto segue durante buscas
O Nepal marcou nesta segunda-feira o 13º dia após o desastre, tradicionalmente considerado o último dia de luto em ritos hindus. Órgãos públicos e representações diplomáticas no exterior hastearam a bandeira nacional a meio-mastro.
A data também é associada a rituais e oferendas de alimentos. No entanto, o governo não organizou uma cerimônia de grande porte, porque as operações de busca e resgate continuam nas áreas atingidas.
O presidente Ram Chandra Paudel visitou as regiões afetadas para avaliar os danos. Em outro episódio relacionado à enchente, agentes transferiram 923 presos da unidade distrital de Nuwakot para um prédio em área mais alta antes que a água invadisse o local original.
De acordo com o primeiro-ministro Balendra Shah, 50 presos fugiram quando romperam muros e portões, mas foram capturados depois de percorrer cerca de 100 metros.


