Deslizamento na fronteira China-Nepal deixa 519 desaparecidos no lado chinês

Equipes enfrentam lama, estradas destruídas e risco de novos desabamentos no Porto de Gyirong, atingido em 26 de agosto.

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Redação
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O Porto de Gyirong foi destruído pela inundação e pelo deslizamento que atingiram a fronteira entre China e Nepal em 26 de agosto.REUTERS
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O deslizamento de terra e a inundação que atingiram o Porto de Gyirong, na fronteira entre China e Nepal, em 26 de agosto, deixaram 43 mortos confirmados e 519 desaparecidos no lado chinês, segundo a atualização divulgada pelas autoridades da China em 6 de setembro. Entre os desaparecidos, há cerca de 261 estrangeiros, informou Ren Wei, vice-presidente executivo da Região Autônoma do Tibete.

O posto fronteiriço, que recebia turistas e comerciantes entre os dois países, foi destruído pela enxurrada. As buscas continuam, mas o acesso difícil, a instabilidade do terreno e a ameaça de novos deslizamentos limitam o trabalho das equipes de resgate.

Deslizamento destrói posto de fronteira

Antes da tragédia, o Porto de Gyirong concentrava a circulação entre a China e o porto nepalês de Rasuwa, do outro lado do rio. Centenas de pessoas passavam pela área diariamente, de acordo com o relato sobre a região.

A onda de água atingiu primeiro o lado chinês da passagem e, em seguida, avançou para o Nepal. A destruição alcançou o prédio de controle de fronteira, estabelecimentos comerciais, agências de viagem, um supermercado e a ponte que fazia a ligação entre os dois países.

O edifício de controle fronteiriço, de cinco andares, foi totalmente demolido. No local, restaram fundações, rochas, cascalho e lama, enquanto equipes de emergência passaram a vasculhar os escombros.

China informa mortos e desaparecidos

A atualização chinesa divulgada em 6 de setembro registrou 43 mortes confirmadas e 519 pessoas desaparecidas em seu lado da fronteira. O número foi informado após quase dois dias sem uma nova atualização oficial, segundo o material disponível.

Ren Wei afirmou a repórteres que aproximadamente 261 estrangeiros estão entre os desaparecidos. As autoridades, no entanto, não divulgaram publicamente uma lista dos nomes de quem estava no porto no momento do desastre ou de quem é considerado desaparecido.

A parte mais difícil têm sido as condições no local do resgate”

Yang Qiqiao, comandante da equipe de operação em solo

A ausência dessa relação alimentou questionamentos de familiares sobre a transparência das informações. Pequim sustentou que tem divulgado dados de maneira aberta e oportuna na área remota afetada.

Resgate avança com acesso limitado

As estradas até a área ficaram destruídas pela enxurrada e só foram liberadas em 2 de setembro, sete dias depois do desastre. Com isso, milhares de socorristas e máquinas pesadas puderam chegar ao porto.

Antes da reabertura das vias, equipes menores alcançaram a região a pé, de barco ou por aeronave. O trajeto terrestre também exige longas viagens por estradas estreitas, curvas de montanha e áreas de grande altitude.

Segundo Yang Qiqiao, comandante da operação em solo, a equipe chegou inicialmente à parte central da área devastada caminhando pelas montanhas, porque a estrada havia sido levada pela enxurrada. Ele trabalha no local desde 28 de agosto.

Agora, os socorristas removem os destroços gradualmente e fazem buscas em cada camada de lama e sedimentos. A estratégia prioriza a localização de vítimas fatais em meio ao material arrastado pela inundação.

Terreno mantém risco de novos colapsos

A operação enfrenta lama profunda, sedimentos e grandes rochas. Além disso, a geologia da região permanece instável, o que expõe os trabalhadores a riscos secundários durante as escavações.

As buscas foram atrasadas ou interrompidas em alguns momentos pelo temor de novos deslizamentos e pelo risco de rompimento de lagos de barreira. Esses lagos se formam quando detritos e lama bloqueiam trechos de rios próximos.

Foi realmente de partir o coração. Muitos de nossos compatriotas chineses perderam suas vidas preciosas nesta tragédia.”

Zhang Xiaojun, socorrista

Chuvas fortes e o relevo montanhoso também reduziram as possibilidades de deslocamento aéreo. Dessa forma, a resposta de emergência depende de condições seguras tanto nas estradas quanto nas encostas.

Geleira no Nepal entra no alerta

Autoridades alertaram para a possibilidade de novos desabamentos nas proximidades da geleira do monte Langtang Lirung, no Nepal. Segundo o relato, rachaduras e um rompimento na geleira desencadearam o deslizamento e as inundações de 26 de agosto.

O desastre atingiu os dois lados da fronteira. O material informa que autoridades de China e Nepal já confirmaram mais de mil mortes no conjunto da catástrofe e que milhares de pessoas continuavam desaparecidas, sem detalhar a distribuição desses totais por país.

Enquanto as buscas seguem, o episódio reforça a necessidade apontada no relato de monitoramento de riscos, troca de dados e sistemas de alerta precoce entre os dois países. Por ora, porém, as equipes concentram esforços na recuperação da área e na identificação das vítimas.

Famílias buscam informações sobre vítimas

O porto se tornou um ponto de procura por notícias de pessoas que estariam no controle de fronteira quando a enxurrada chegou. Familiares chineses e de outras nacionalidades aguardam informações sobre os desaparecidos.

Um memorial improvisado foi montado entre os escombros, com flores amarelas em homenagem às vítimas. Ao mesmo tempo, veículos de resgate circulam pela área e autoridades controlam o trânsito em trechos recuperados com cascalho.

Em 6 de setembro, a China levou cerca de uma dúzia de jornalistas internacionais à região em uma visita organizada conjuntamente pelo Ministério das Relações Exteriores e pelo Escritório de Informação do Conselho de Estado. A iniciativa ocorreu em meio às cobranças por informações mais detalhadas sobre as pessoas afetadas.

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