A Índia enfrenta congestionamento nos principais portos após ampliar as compras de óleo vegetal, segundo autoridades do setor ouvidas pela Reuters. Navios aguardam até 10 dias para descarregar, enquanto os tanques em terra chegam ao limite e as refinarias enfrentam dificuldades para escoar as cargas.
O problema ocorre depois de as importações indianas de óleos comestíveis atingirem 1,54 milhão de toneladas em agosto, o maior volume em 11 meses. A expectativa do setor é de que o país importe quantidade semelhante em setembro, mas reduza as compras para entrega entre outubro e dezembro.
Portos indianos acumulam navios
O porto de Kandla, no estado de Gujarat, concentra a maior parte do problema. Pelo menos nove navios, com cerca de 300 mil toneladas de óleos comestíveis, aguardavam para descarregar no local, de acordo com Sandeep Bajoria, diretor-executivo da corretora Sunvin Group.
Kandla é o principal ponto de entrada de óleo comestível da Índia e responde por quase um terço das chegadas ao país. Por isso, a falta de espaço no porto afeta diretamente o ritmo de recebimento das cargas importadas.
Haldia, segundo maior porto indiano de entrada para óleos comestíveis na costa leste, também registra congestionamento. No entanto, corretores afirmaram que a situação no local é menos grave do que em Kandla.
Tanques cheios atrasam o descarregamento
A capacidade de armazenamento em terra tornou-se um dos principais obstáculos para a operação. Com os tanques ocupados, os navios não conseguem descarregar rapidamente os produtos, mesmo quando as cargas já chegaram aos portos.
As refinarias instaladas nas áreas portuárias também enfrentam dificuldade para dar saída ao óleo recebido. Dessa forma, o excesso de produto se acumula entre os navios, os terminais e as unidades de processamento.
Segundo Bajoria, a falta de espaço de armazenamento vem prolongando a espera das embarcações. O tempo de atraso pode chegar a 10 dias, conforme as informações repassadas por autoridades do setor.
Refinarias anteciparam as importações
As refinarias aumentaram as compras para agosto e setembro porque o óleo comestível disponível para entrega imediata estava mais barato do que os contratos para meses posteriores. A avaliação é de Rajesh Patel, sócio-gerente da comercializadora GGN Research.
Pelo menos nove navios transportando 300 mil toneladas de óleos comestíveis aguardam para descarregar no porto de Kandla.”
Sandeep Bajoria, diretor-executivo da Sunvin Group
Além disso, as empresas esperavam uma demanda mais forte durante o período de festividades na Índia. O país realiza uma série de celebrações entre agosto e novembro, época em que o consumo de óleos comestíveis costuma alcançar o pico.
O consumo, porém, não cresceu no ritmo previsto. Com isso, o escoamento das cargas nas refinarias localizadas junto aos portos desacelerou e contribuiu para a formação do congestionamento.
Compras para outubro podem cair
O acúmulo de estoques está levando as refinarias a reduzir as compras destinadas às remessas de outubro a dezembro, segundo Bajoria. A mudança representa uma reação direta à falta de espaço para armazenar e processar o volume já importado.
A retração esperada pode alterar o ritmo de entrada de óleo de palma e óleo de soja no mercado indiano. No entanto, o material disponível não informa o tamanho exato da redução nem indica quando o congestionamento será totalmente resolvido.
A Índia aparece entre os principais compradores globais de óleos comestíveis. Por isso, uma desaceleração nas compras do país pode repercutir sobre exportadores, tradings e contratos negociados nos mercados internacionais.
Produtores podem acumular estoques
Uma queda nas compras indianas tende a deixar mais produto disponível nos países que abastecem o mercado. A expectativa citada no material é de aumento dos estoques em Indonésia, Malásia e Argentina.
Indonésia e Malásia respondem pela maior parte do óleo de palma importado pela Índia. Já o óleo de soja e o óleo de girassol vêm principalmente de Argentina, Brasil, Rússia e Ucrânia.
Assim, o impacto potencial se distribui por diferentes cadeias de fornecimento. Ainda assim, as informações disponíveis não apresentam estimativas sobre o volume adicional que poderia permanecer nos países produtores.
Mercado de óleos pode sentir pressão
A redução das compras indianas pode pressionar os contratos futuros de referência do óleo de palma e do óleo de soja, conforme a avaliação apresentada por autoridades do setor. O efeito dependerá do ritmo das novas importações e da velocidade de normalização dos portos.
O congestionamento também mostra como decisões de compra baseadas em preços imediatos podem ampliar a pressão sobre a logística. As refinarias anteciparam cargas para aproveitar valores mais baixos, mas encontraram consumo inferior ao esperado.
Por enquanto, a situação combina três fatores: importações elevadas, armazenamento limitado e escoamento mais lento nas refinarias. A evolução das compras para outubro, setembro e os meses seguintes será decisiva para indicar se o acúmulo diminuirá ou continuará afetando o mercado.


