A Bélgica mantém em prisão preventiva, desde maio, um homem de 52 anos com cidadania chinesa e belga, investigado por suspeita de espionagem envolvendo tecnologia de semicondutores. Segundo promotores do país, ele teria transferido ilegalmente propriedade intelectual e segredos comerciais para o exterior.
O investigado ocupava cargo de chefia na Belgan, fabricante belga especializada em chips de nitreto de gálio. A apuração envolve uma empresa chinesa do mesmo segmento, na qual ele também teria atuado como diretor, segundo os promotores.
Promotores apontam transferência de segredos
As autoridades belgas suspeitam que o executivo tenha repassado conhecimento técnico especializado e informações comerciais ligadas à produção de chips de nitreto de gálio. A acusação ainda está sob investigação, e o material disponível não informa eventual denúncia formal ou julgamento.
De acordo com os promotores, a transferência teria beneficiado uma companhia chinesa fabricante do mesmo tipo de semicondutor. A empresa foi criada poucos meses após o homem ingressar na Belgan e recebeu recursos de um fundo de investimento chinês.
O caso combina suspeitas sobre propriedade intelectual e uma possível atuação simultânea em empresas ligadas ao mesmo nicho tecnológico. No entanto, as autoridades não divulgaram a identidade do preso nem detalharam quais documentos, processos ou dados teriam sido levados.
Prisão ocorreu antes de voo para Pequim
O homem mora na Bélgica e foi preso no aeroporto de Zaventem quando pretendia embarcar para Pequim, segundo os promotores. Ele continua detido preventivamente.
A prisão ocorreu em maio, mas o material fornecido não especifica o dia nem o ano. Também não há informação sobre decisões judiciais posteriores que tenham mantido ou reavaliado a custódia.
Além dele, um segundo suspeito é investigado no mesmo caso e permanece em liberdade. As autoridades tampouco detalharam a relação dessa pessoa com a Belgan ou com a empresa chinesa mencionada na investigação.
Belgan produzia chips de nitreto de gálio
A Belgan desenvolvia semicondutores de nitreto de gálio, tecnologia associada a aplicações em veículos elétricos, setor aeroespacial e área militar, conforme os promotores. Esses usos ajudam a explicar a relevância econômica e estratégica das informações sob apuração.
Os chips de nitreto de gálio são o foco específico da investigação; portanto, o caso não trata de semicondutores de forma genérica. A suspeita envolve conhecimentos e segredos comerciais relacionados à fabricação desse tipo de componente.
A empresa belga teve a falência decretada em julho de 2024. O material não estabelece se a situação financeira da companhia tem relação com os fatos investigados, nem informa em que período teria ocorrido a suposta transferência de dados.
Investigação aguarda manifestações oficiais
Os promotores belgas apresentaram o caso como investigação de espionagem e transferência ilegal de propriedade intelectual. Até que haja uma conclusão judicial, porém, as suspeitas não equivalem a condenação.
A embaixada da China na Bélgica não pôde ser contatada imediatamente para comentar o caso, segundo as informações disponíveis. Também não há posicionamento atribuído à defesa do investigado.
Com isso, ainda permanecem sem resposta pública pontos centrais da apuração, como a identidade da companhia chinesa, a extensão do material que teria sido transferido e o estágio processual do segundo suspeito. Novas informações oficiais poderão esclarecer se o caso resultará em acusação formal.


