Giulia Silva de Araújo, professora de História de 26 anos e estudante da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), morreu depois de receber duas altas no mesmo dia no Hospital Municipal Francisco da Silva Telles, em Irajá, na zona Norte do Rio. O laudo de necropsia, finalizado pela Polícia Civil, apontou tamponamento cardíaco e ruptura de aneurisma da aorta ascendente como causas da morte. A família questiona o atendimento, enquanto a unidade afirma que prestou assistência conforme o quadro clínico apresentado em cada avaliação.
Giulia procurou atendimento duas vezes
Segundo o relato apresentado pela família, Giulia chegou à emergência com dor no peito e sintomas que os parentes consideraram compatíveis com um problema cardíaco. Ela passou por exames e recebeu alta da unidade na primeira consulta.
Cerca de três horas depois, a professora retornou ao hospital, relatando a persistência e a intensificação dos sintomas. A unidade fez novos exames e concedeu uma segunda alta, de acordo com as informações divulgadas sobre o caso.
Familiares afirmam que o atendimento tratou a situação como crise de ansiedade. Nas redes sociais, parentes também relataram que Giulia desmaiou durante a segunda passagem pela unidade e apresentou sintomas mais graves; essa versão foi atribuída à família.
Laudo aponta causas da morte
Horas após a segunda liberação, Giulia passou mal e foi levada a outro hospital, mais próximo de sua casa, segundo o relato reunido no material. Ela sofreu um infarto e morreu no mesmo dia.
O laudo de necropsia da Polícia Civil do Rio de Janeiro foi concluído na quarta-feira (2). O documento apontou tamponamento cardíaco e ruptura de aneurisma da aorta ascendente.
O tamponamento cardíaco ocorre quando há compressão do coração por acúmulo de líquido ao seu redor. No caso, porém, o material disponível não detalha a evolução clínica nem estabelece responsabilidades pelo desfecho.
“Ela me ajudava em tudo, até mesmo nas tarefas da escola do meu filho.”
Fabiana Marques, irmã de Giulia Silva de Araújo
Hospital defende protocolos adotados
A direção do Hospital Municipal Francisco da Silva Telles afirmou que prestou toda a assistência indicada de acordo com o quadro clínico apresentado em cada avaliação. Segundo a unidade, Giulia foi atendida prontamente ao relatar dor no peito.
O hospital declarou que realizou os exames previstos no protocolo para identificação imediata de casos cardíacos agudos. De acordo com a instituição, frequência cardíaca, frequência respiratória, pressão arterial, temperatura e saturação de oxigênio ficaram dentro dos parâmetros de normalidade.
A unidade informou ainda que o eletrocardiograma não apresentou alterações. Em nota, a Secretaria Municipal de Saúde do Rio lamentou a morte e repetiu que a paciente recebeu assistência conforme o quadro apresentado.
Família cobra esclarecimentos
Os parentes de Giulia dizem buscar respostas sobre as duas liberações hospitalares. Eles sustentam que resultados de exames apresentavam alterações que precisam ser esclarecidas, sem especificar quais seriam essas alterações no material disponível.
Fabiana Marques, irmã da professora, afirmou que pretende lutar por Justiça. Além disso, relatou que pais de alunos têm enviado mensagens à família e ajudado a divulgar o caso.
A Polícia Civil informou que a 59ª DP, de Duque de Caxias, investiga as circunstâncias da morte. Até as informações disponibilizadas, não havia conclusão pública da investigação sobre eventual responsabilidade no atendimento.
UFRJ prepara homenagem à professora
Giulia era professora de História e cursava especialização em Educação Especial e Inovação Tecnológica pela UFRJ. A universidade realizaria, no sábado (5), uma cerimônia de premiação pela conclusão do curso, segundo sua irmã.
A família informou que pretendia comparecer para receber a homenagem em nome da professora. Fabiana também disse que Giulia planejava fazer uma nova graduação e, mais tarde, tentar se mudar para os Estados Unidos em busca de melhores oportunidades profissionais.
Ao descrever a relação das duas, a irmã destacou a participação de Giulia na rotina da família e na educação do sobrinho. “Ela me ajudava em tudo, até mesmo nas tarefas da escola do meu filho”, disse Fabiana Marques.


