Lula critica eventual ajuda dos EUA e defende soberania em ato no Ceará

Presidente afirmou, em caminhada de campanha em Juazeiro do Norte, que o povo brasileiro decide o destino do país.

Da
Redação
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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) • 20/08/26 - Ricardo Stuckert
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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) defendeu a soberania nacional e afirmou que brasileiros devem decidir os rumos do país durante uma caminhada de campanha em Juazeiro do Norte, no Ceará. No discurso realizado na sexta-feira (4), ele mencionou uma possível ajuda vinda dos Estados Unidos e disse que um americano não venceria “um pernambucano e um cearense”.

Lula também pediu que seus apoiadores não acreditem em “mentira da internet”. Além disso, declarou que, embora humilde, o povo brasileiro é orgulhoso e tem “vergonha na cara”.

Lula defende a soberania nacional

Ao falar aos participantes da caminhada, Lula sustentou que o comando das decisões do país pertence à população brasileira. Segundo o presidente, o Brasil tem um único dono: mulheres e homens do próprio país.

A fala ocorreu em um contexto de campanha eleitoral e tratou diretamente da possibilidade, mencionada por ele, de auxílio norte-americano. Lula não detalhou no trecho divulgado que tipo de ajuda estaria em discussão.

O presidente vinculou a mensagem a sua origem pernambucana e ao estado que recebia o ato político. Dessa forma, usou a referência regional para reforçar o argumento de que interesses externos não devem prevalecer sobre a escolha dos eleitores brasileiros.

Tarifaço reforçou o discurso do governo

O governo federal passou a enfatizar a defesa da soberania após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciar em 2025 uma tarifa de 50% sobre produtos exportados pelo Brasil, conforme o material que originou a pauta.

Naquele cenário, a administração federal adotou o slogan “Governo do Brasil do lado do povo brasileiro”. A mensagem buscou associar a reação à medida comercial à proteção dos interesses nacionais.

Assim, a declaração em Juazeiro do Norte retoma uma linha de comunicação já utilizada pelo governo desde o anúncio das tarifas. No ato no Ceará, porém, Lula levou o tema também para o debate eleitoral.

Irmãos Bolsonaro adotaram posições distintas

Do território norte-americano, o ex-deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) pediu a seguidores na rede X que agradecessem a Trump pelo tarifaço, segundo o material fornecido.

Já o senador Flávio Bolsonaro (PL), candidato à Presidência, afirmou em sabatina ao Jornal Nacional que o irmão errou ao agradecer ao presidente dos Estados Unidos. As duas manifestações indicam posições diferentes dentro da família sobre a reação à medida.

Em maio, Flávio relatou ter sido recebido por Trump com “enorme cordialidade”. Segundo o senador, o presidente norte-americano perguntou sobre a situação do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), pai dele.

Contato com Trump entrou no debate eleitoral

Flávio Bolsonaro afirmou que o encontro com Trump não foi organizado por empresário e teria resultado de um convite direto do presidente dos Estados Unidos. Ele também declarou que não viajou ao país em busca de apoio eleitoral, mas para defender bandeiras.

Mais tarde, em julho, o Washington Post informou que o governo republicano pretendia enviar ao Brasil funcionários graduados do Departamento de Estado para questionar a integridade das urnas eletrônicas antes da eleição de outubro.

Segundo a CNN Brasil, o Itamaraty negou vistos a dois funcionários do Departamento de Estado que visitariam Brasília naquele mês. Ao fim de agosto, a emissora também noticiou que as eleições brasileiras estiveram entre os assuntos de uma conversa de Trump com André Esteves, chairman e sócio sênior do BTG Pactual, em um clube de golfe próximo a Washington.

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