Cuidados após o sexo, como retirar o preservativo de modo adequado, higienizar externamente a região íntima e urinar quando houver vontade, podem ajudar a reduzir irritações e infecções. Especialistas ouvidas pela Folhapress ressaltam, porém, que essas medidas não substituem o uso de preservativos na prevenção de infecções sexualmente transmissíveis (ISTs).
O alerta ganha espaço no contexto do Dia Mundial da Saúde Sexual, criado em 2010 pela Associação Mundial para a Saúde Sexual. Segundo as médicas, a rotina posterior à relação não precisa envolver procedimentos complexos, mas deve evitar práticas que irritem a pele ou alterem a proteção natural da região genital.
Retire o preservativo corretamente
A retirada do preservativo deve ocorrer logo após a ejaculação, enquanto o pênis ainda está ereto. A urologista Karin Anzolch, secretária-geral da Sociedade Brasileira de Urologia (SBU), recomenda segurar a camisinha pela base para que ela não deslize nem permita vazamento de secreções.
Depois disso, a orientação é descartar o preservativo no lixo. Deixá-lo no pênis por um período prolongado pode manter o órgão em contato com umidade e secreções, situação que, segundo a médica, favorece irritação superficial e o surgimento de fungos.
No caso da camisinha feminina, a ginecologista Fabiane Bernardes, presidente da comissão nacional de sexologia da Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo), alerta para o risco de ela ficar retida na vagina se permanecer no local por muito tempo. Nessa situação, pode ser necessária a retirada em ambiente hospitalar.
Urinar pode reduzir a cistite
Urinar após a relação pode diminuir a chance de infecção urinária, também chamada de cistite. Conforme as especialistas, o atrito sexual pode facilitar a chegada de bactérias à uretra, e a eliminação da urina ajuda a expulsá-las antes que se multipliquem na bexiga.
O risco tende a ser maior entre mulheres porque a uretra é mais curta, explica Fabiane Bernardes. Karin Anzolch observa que a uretra pode permitir tanto a saída da urina quanto a entrada de bactérias.
Para homens, fazer xixi depois do sexo não é uma obrigação, já que a cistite é menos frequente nesse grupo, segundo a urologista da SBU. Ainda assim, ninguém deve tentar urinar à força quando não sente vontade.
Higienize apenas a área externa
As médicas recomendam uma limpeza básica da região íntima após a relação. Para a vulva, lavar a parte externa é suficiente, pois as secreções da genitália participam da eliminação de impurezas.
Já a ducha intravaginal não é indicada. De acordo com Bernardes, a prática pode retirar a proteção oferecida pela flora local e, por isso, facilitar infecções.
Água e sabão neutro bastam para essa higiene. Produtos perfumados, desodorantes íntimos e talcos devem ser evitados, pois podem irritar a pele, favorecer dermatites e desequilibrar a flora da região.
Mantenha a higiene peniana diária
Para quem tem pênis, a higiene precisa fazer parte do dia a dia, e não se limitar ao momento posterior ao sexo. Segundo Anzolch, esse cuidado reduz a possibilidade de irritações e infecções na uretra e na próstata.
A médica também relaciona a higiene adequada à redução do risco de câncer de pênis. Quem tem prepúcio deve puxá-lo delicadamente até o fim para lavar a glande e, em seguida, reposicioná-lo.
A limpeza genital ou o banho, contudo, não previnem ISTs. Essas medidas removem bactérias e secreções e podem evitar dermatites provocadas por produtos externos, mas não substituem a barreira oferecida pelo preservativo.
Redobre a atenção no sexo anal
Após sexo com penetração anal, a recomendação é eliminar os resquícios fecais da área externa e lavar as mãos que tiveram contato com o ânus. Além do odor, bactérias intestinais podem causar irritação na uretra e infecções como uretrite ou prostatite.
Não há necessidade de lavar a parte interna do reto, mesmo quando ocorre ejaculação, afirma Maria Júlia Segantini, membro titular da Sociedade Brasileira de Coloproctologia (SBC). Para ela, a lavagem externa atende ao cuidado necessário.
Por outro lado, duchas que envolvem a introdução de aparelhos podem irritar a região e causar lesões. Dessa forma, a orientação das especialistas é evitar procedimentos internos sem indicação médica.
Mantenha a prevenção contra ISTs
O preservativo durante toda a prática sexual continua sendo a principal medida de prevenção contra ISTs, reforçam as especialistas. Vacinas e exames médicos periódicos também integram a estratégia de cuidado.
No sexo oral, a higiene bucal é importante, mas escovar os dentes não elimina vírus que possam estar presentes no sêmen ou nas secreções vaginais. Além disso, a escovação vigorosa pode provocar escoriações ou microlesões e facilitar a entrada de agentes indesejados.
Brinquedos sexuais devem ser higienizados conforme a orientação adequada para cada item. Por fim, lesões, bolhas, dor persistente, ardência, sangramento ou secreções exigem avaliação médica. “Curta, faça as coisas que sente vontade e, depois, tenha um cuidado adequado com a limpeza, mas também sem extravagâncias”, resume Fabiane Bernardes.


