Estados Unidos e Cuba trocaram acusações na sede das Nações Unidas nesta segunda-feira (19), após um evento promovido pela missão americana com dissidentes cubanos. O embaixador de Havana, Ernesto Soberón Guzmán, discutiu com o representante americano Mike Waltz enquanto ele saía do encontro.
O confronto antecede a votação anual da Assembleia Geral sobre uma resolução que pede o fim do embargo dos EUA contra a ilha, prevista para 27 e 28 de outubro. A decisão não é obrigatória para Washington, mas costuma receber amplo apoio internacional.
Evento termina em confronto verbal
Diplomatas americanos organizaram um encontro com dissidentes cubanos na sede da ONU para discutir acusações de violações de direitos humanos em Cuba. A iniciativa provocou reação imediata dos representantes do governo de Havana.
O embaixador cubano Ernesto Soberón Guzmán e outros integrantes de sua delegação confrontaram verbalmente o representante americano Mike Waltz quando ele deixava o evento. O episódio expôs a tensão entre as missões diplomáticas.
Waltz defendeu o encontro sob o argumento de que a comunidade internacional deveria ouvir denúncias de repressão política e violações de direitos fundamentais na ilha. A delegação cubana contestou a iniciativa e denunciou hostilidade por parte de Washington.
O incidente aconteceu antes de uma votação tradicionalmente marcada por discursos opostos das duas partes. Os Estados Unidos questionam a situação política cubana, enquanto Havana procura concentrar a discussão nos efeitos econômicos das restrições americanas.
Votação ocorrerá na próxima semana
A Assembleia Geral da ONU deve examinar nos dias 27 e 28 de outubro uma resolução que solicita o encerramento do embargo econômico, comercial e financeiro imposto pelos Estados Unidos contra Cuba.
Desde 1992, resoluções semelhantes vêm recebendo apoio expressivo dos países-membros. A exceção à série anual ocorreu durante a pandemia, quando a organização ajustou seu calendário de debates.
Em 2025, o texto foi aprovado por 165 votos favoráveis, sete contrários e 12 abstenções, conforme o registro da Assembleia Geral sob o código A/RES/80/4. O placar oferece referência verificável, mas não antecipa o resultado do novo debate.
A resolução é politicamente relevante, porém não tem caráter vinculante. Sua aprovação não revoga automaticamente as normas americanas que sustentam o embargo e tampouco obriga Washington a alterar sua política comercial.
| Entenda os principais dados | |
|---|---|
| Item | Condição |
| Favoráveis | 165 países |
| Contrários | 7 países |
| Abstenções | 12 países |
| Efeito jurídico | Resolução não vinculante |
Fonte: Assembleia Geral da ONU, A/RES/80/4
Países divergem sobre sanções
O governo cubano responsabiliza o embargo e medidas adicionais pelo agravamento de suas dificuldades de abastecimento, financiamento e infraestrutura. As restrições afetam as possibilidades de comércio e operações financeiras internacionais ligadas ao país.
A administração americana, por sua vez, afirma que as sanções são instrumentos de pressão para mudanças políticas e resposta a denúncias de repressão. Os representantes dos Estados Unidos rejeitam a explicação de Havana de que as medidas externas sejam responsáveis por todos os problemas econômicos da ilha.
O impasse ganhou força com restrições adicionais ao fornecimento de petróleo e dificuldades no acesso a divisas. A crise energética tem efeitos sobre transportes, serviços e a disponibilidade de produtos essenciais para a população cubana.
Embargo permanece em vigor
A política de restrições econômicas americanas a Cuba possui antecedentes de mais de seis décadas. Embora diferentes governos tenham alterado regras de viagens e transações específicas, a estrutura principal do embargo continua em vigor.
Qualquer mudança duradoura envolve normas domésticas dos Estados Unidos, inclusive competências do Congresso. Por isso, a deliberação da ONU representa uma manifestação internacional de posição, e não uma ordem capaz de modificar imediatamente a legislação americana.
Na ONU, os dois governos devem apresentar argumentos e buscar apoio diplomático antes da votação. A pauta oferece uma medida do posicionamento da comunidade internacional sobre as sanções, separada das disputas relativas ao sistema político cubano.
A última resolução formalizada, de outubro de 2025, foi registrada oficialmente pelas Nações Unidas como decisão da 80ª sessão da Assembleia Geral, informação que permitirá comparar o resultado deste ano com o anterior.
