O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou nesta sexta-feira (16) que a proposta econômica defendida pelo candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) contém promessas difíceis de conciliar. Em entrevista, ele criticou a sinalização de um superávit fiscal elevado já em 2027 e a intenção simultânea de preservar benefícios sociais.
A avaliação foi apresentada por Durigan como crítica política e econômica às propostas de campanha de Flávio, não como uma conclusão técnica independente de que o candidato tenha mentido. O ministro integra o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, adversário de Flávio no segundo turno.
Durigan questiona promessas de Flávio
No centro da discussão está a promessa de produzir resultado primário positivo de 1,5% do Produto Interno Bruto e manter iniciativas como Bolsa Família, Pé-de-Meia e políticas de valorização do salário mínimo. Durigan cobra detalhamento das medidas que financiariam o ajuste.
O saldo primário corresponde à diferença entre receitas e despesas do governo antes dos juros da dívida. Uma meta desse tipo exige projeções de arrecadação, despesas e mudanças legais que não se resolvem apenas por meio de compromissos políticos.
Ministro cobra coerência no orçamento
Em declaração sobre a viabilidade das medidas, Durigan sustentou que o candidato precisa explicar a compatibilidade entre o discurso apresentado ao mercado financeiro e aquele dirigido aos beneficiários de programas públicos. Ele também questionou a influência da experiência argentina sobre o programa econômico adversário.
As críticas refletem a visão do ministro sobre o desenho do ajuste. Para verificar a viabilidade das propostas, seria necessário conhecer o calendário de implementação, as despesas afetadas e as condições macroeconômicas pressupostas.
A acusação feita pelo integrante do governo não substitui uma análise de impacto orçamentário nem representa prova de falsidade deliberada nas declarações do adversário.
Não está nada claro o que o projeto do Milei, importado da Argentina para o Brasil, vai trazer de efeitos para a gente.”
Dario Durigan
Reação do mercado divide campanhas
Durigan também disse considerar um equívoco a reação favorável de parte dos investidores a um eventual governo Flávio. Segundo ele, o entusiasmo não estaria sustentado por medidas fiscais detalhadas e plenamente executáveis.
O ministro argumentou que programas de apoio à indústria, investimentos e reforma tributária deveriam fazer parte da avaliação econômica. Ele manifestou preocupação com uma eventual aproximação da equipe adversária ao modelo adotado pelo presidente argentino Javier Milei.
O mercado financeiro não constitui um grupo uniforme e suas oscilações dependem de juros, câmbio, expectativas de crescimento e cenário internacional. Reações de preços de ativos não comprovam a viabilidade de propostas eleitorais.
As equipes dos candidatos disputam a interpretação sobre quais medidas seriam capazes de reduzir o endividamento público sem comprometer atividade econômica e emprego.
Flávio promete preservar programas sociais
Em declarações durante a campanha, Flávio Bolsonaro afirmou que pretende promover ajuste fiscal sem cortar despesas diretamente relacionadas aos brasileiros de menor renda. A posição é relevante porque responde a críticas sobre eventuais consequências sociais de sua agenda econômica.
A preservação de programas existentes, combinada a uma meta ambiciosa de resultado primário, pode exigir compensações em outras despesas, aumento de receitas ou melhora da atividade econômica. As alternativas e seus efeitos dependeriam de propostas concretas e de aprovação legislativa.
Durigan também criticou a referência a experiências estrangeiras de ajuste. Comparações internacionais requerem atenção a diferenças institucionais e econômicas entre países, para evitar transposição automática de soluções.
As plataformas econômicas de Lula e Flávio seguem sob escrutínio até o segundo turno de 25 de outubro. O detalhamento fiscal anunciado por cada campanha será fundamental para avaliar custos, prazos e efeitos sobre o orçamento federal.
