O ex-ministro da Educação Abraham Weintraub afirmou que não irá votar no segundo turno da eleição presidencial, marcado para 25 de outubro. Ao explicar a decisão à coluna Painel, da Folha de S.Paulo, citou suspeitas de corrupção relacionadas ao candidato Flávio Bolsonaro e disse que já havia se abstido no primeiro turno.
Weintraub, que integrou o governo de Jair Bolsonaro entre 2019 e 2020, afirmou ter rompido politicamente com o grupo em 2020. Suas críticas expressam avaliação pessoal sobre o cenário eleitoral. Investigações citadas pelo ex-ministro não significam condenação nem comprovação de irregularidade pelo candidato.
Ex-ministro anuncia abstenção
Residindo atualmente nos Estados Unidos, Weintraub disse à Folha que pretende repetir no segundo turno a decisão de não participar da votação. Ele usou uma frase atribuída ao teólogo Charles H. Spurgeon para justificar a recusa a escolher entre os candidatos.
O ex-integrante do governo afirmou que não considera Flávio Bolsonaro uma alternativa que mereça seu apoio. O candidato é filho do ex-presidente com quem Weintraub manteve relações próximas durante parte da gestão federal.
Weintraub também fez críticas ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, rejeitando ambos os nomes que disputam o segundo turno. A posição anunciada não representa orientação de partido ou decisão coletiva de antigos integrantes do governo Bolsonaro.
As declarações foram publicadas pela coluna Painel na manhã desta sexta-feira (16). A votação do segundo turno está marcada para o dia 25, e a decisão relatada pelo ex-ministro é de abstenção pessoal.
Críticas envolvem investigação
Como justificativa para a recusa de apoio, Weintraub citou suspeitas que atingem Flávio Bolsonaro. A Folha relata que o senador é investigado por possíveis crimes de lavagem de dinheiro, evasão de divisas e corrupção em apuração relacionada à produção de um filme sobre Jair Bolsonaro.
A investigação mencionada envolve a cinebiografia intitulada Dark Horse. Segundo a Folha, a decisão que incluiu Flávio como investigado foi tomada em 22 de julho pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, após pedido da Polícia Federal.
Ser investigado não equivale a ser denunciado ou condenado. Os elementos do inquérito precisam ser examinados pelas autoridades competentes, e qualquer afirmação de culpa depende das etapas processuais e das garantias de defesa.
Rompimento político em 2020
O ex-ministro afirmou que o distanciamento da família Bolsonaro ocorreu durante o primeiro mandato de Jair, em 2020. Segundo Weintraub, a aproximação daquele governo com partidos do chamado centrão foi um dos motivos de seu rompimento.
Ele chefiou o Ministério da Educação de abril de 2019 a junho de 2020. Naquele período, tornou-se conhecido por conflitos políticos e declarações dirigidas a integrantes do Supremo Tribunal Federal.
A saída do cargo ocorreu depois de uma série de manifestações contra ministros da Corte, incluindo uma fala sobre prendê-los. O episódio agravou a crise institucional entre o Executivo e o Judiciário.
Declarações e contexto eleitoral
Na conversa com a coluna, Weintraub também apresentou críticas ao sistema político brasileiro e fez afirmações sobre auditoria de urnas e procedimentos eleitorais. Esses questionamentos foram manifestações do entrevistado, não conclusões técnicas comprovadas.
Sua decisão de não votar pode ter natureza prática ou política, mas não altera as regras oficiais da disputa eleitoral. O voto é obrigatório para a maior parte dos eleitores brasileiros entre 18 e 70 anos, com hipóteses de facultatividade previstas na legislação.
Weintraub informou à Folha que não participou do primeiro turno e pretende manter a mesma posição no segundo. Até a publicação da reportagem, a notícia disponível não trazia resposta específica de Flávio Bolsonaro às críticas do ex-ministro.
