Ouvir notícia
00:00 / 00:00

O Tribunal do Júri de Santos, no litoral de São Paulo, condenou o sargento da Polícia Militar Samir do Nascimento Rodrigues Carvalho a 123 anos e quatro meses de prisão pelo feminicídio da esposa, Amanda Fernandes Carvalho, e pela tentativa de homicídio qualificado contra a filha do casal. A sentença foi divulgada nesta sexta-feira (16).

A pena deverá começar a ser cumprida imediatamente, em regime inicial fechado, de acordo com a decisão relatada pela CNN Brasil. Os jurados analisaram os crimes cometidos em uma clínica de dermatologia na Vila Belmiro, em 7 de maio de 2025.

Júri fixa pena de 123 anos

A sentença também determinou a perda da graduação militar, do poder familiar e a proibição de ocupar cargos públicos. Foi fixada indenização de R$ 150 mil destinada à vítima sobrevivente, filha do casal e herdeira de Amanda.

O julgamento teve início na quarta-feira (14) e foi encerrado na quinta (15), após dois dias de sessões no Fórum de Santos. A condenação representa a decisão do júri sobre a responsabilidade penal do acusado, sem dispensar as regras legais de eventual recurso.

Crime ocorreu dentro de clínica

Conforme as investigações descritas pela CNN, o sargento foi até a clínica depois de descobrir que sua esposa estava no estabelecimento acompanhada da filha, que tinha dez anos na ocasião. Amanda se trancou em uma sala com um médico, que acionou a Polícia Militar.

Quando policiais chegaram ao local, o médico abriu a porta e Samir sacou uma arma. Ele disparou contra Amanda e a criança. Em seguida, atingiu a mulher repetidas vezes com uma faca.

Amanda, de 42 anos, foi atingida por três tiros e 51 golpes de faca, segundo os dados apresentados na cobertura do caso. Ela morreu na clínica. A filha foi socorrida, recebeu atendimento na Santa Casa de Santos e permaneceu hospitalizada durante seis dias.

Um laudo do Instituto Médico Legal atribuiu a morte da mulher a anemia aguda provocada por hemorragia interna traumática decorrente dos ferimentos. Amanda era mãe de três filhos e atuava como diretora executiva de uma empresa.

Sentença prevê outras consequências

A decisão judicial não se limitou ao tempo de prisão. A perda da graduação na Polícia Militar afeta o vínculo funcional do condenado com a corporação. O afastamento do poder familiar envolve prerrogativas legais relacionadas aos filhos.

O valor de R$ 150 mil fixado como indenização possui natureza distinta da pena de reclusão. Trata-se de uma reparação determinada pela Justiça para a vítima sobrevivente e não de redução do tempo de prisão.

A execução imediata foi expressamente mencionada no resultado divulgado. Isso não equivale a afirmar que todos os meios de impugnação judicial estejam esgotados, mas estabelece a consequência determinada na sentença do caso.

Julgamento encerrou dois dias de sessão

Samir foi preso em flagrante no dia do crime e encaminhado à Delegacia de Defesa da Mulher de Santos, segundo a reportagem. Desde então, permaneceu privado de liberdade enquanto o processo avançava.

O policial participou posteriormente da reconstituição. Na época, seu advogado, Paulo de Jesus, declarou que o cliente pretendia colaborar com a investigação. Essa manifestação anterior não altera o teor da sentença proferida pelo júri.

Antes dos debates e da deliberação dos jurados, a sessão previa a oitiva de testemunhas e o interrogatório do réu. O procedimento ocorreu no Fórum de Santos, responsável pelo julgamento do caso.

A CNN informou que tentava localizar novamente a defesa após a condenação. Até a publicação da reportagem utilizada, não havia sido apresentado novo posicionamento do advogado sobre a pena definida.

WhatsAppFacebook