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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou, durante sabatina à TV Globo na quinta-feira (15), que a melhor maneira de enfrentar o desequilíbrio das contas públicas é estimular o crescimento econômico. Ele defendeu uma estratégia que evite transferir o peso do ajuste fiscal para a população de menor renda.

“O jeito de você resolver o problema fiscal é fazer a economia crescer”, declarou. O petista também afirmou estar preocupado com a situação orçamentária e reconheceu que a perda de controle da dívida pode provocar consequências graves.

Presidente defende expansão da atividade

Na entrevista, Lula contrapôs sua proposta a medidas de contenção de despesas que, em sua avaliação, atingiriam principalmente os mais pobres. O presidente não apresentou nessa resposta um cronograma completo de ajuste das contas, mas destacou medidas de crédito e renegociação.

A fala ocorreu durante a campanha para o segundo turno presidencial e em meio ao debate sobre os custos de iniciativas anunciadas pelo governo. O equilíbrio fiscal, nesse contexto, envolve tanto a capacidade de arrecadar quanto a expansão das despesas e o custo de financiamento da dívida.

Desenrola e crédito para empreendedores

Entre as iniciativas mencionadas, Lula destacou o Desenrola Brasil, criado para facilitar a renegociação de dívidas. Ele citou as duas primeiras etapas do programa e afirmou que o governo prepara uma terceira fase, voltada à recuperação da capacidade de pagamento de famílias endividadas.

O presidente disse que, ao assumir o governo em 2023, encontrou um quadro em que 78% da população estava endividada. O percentual foi apresentado por ele como argumento para reforçar a necessidade de oferecer condições de renegociação e restabelecimento do crédito.

Lula também mencionou a possibilidade de perdoar dívidas de microempreendedores individuais com a União. Outra proposta citada na sabatina foi a concessão de um pagamento de R$ 5 mil para ajudar empreendedores a retomar negócios.

Na avaliação apresentada pelo presidente, pessoas com restrições em cadastros de crédito enfrentam dificuldades para voltar a negociar e investir na própria atividade. As medidas citadas combinam alívio de passivos existentes com a tentativa de ampliar o acesso a recursos para consumo e produção.

O debate sobre o impacto fiscal

O governo sustenta que essas iniciativas podem estimular a atividade econômica sem comprometer o espaço fiscal. A implementação, porém, depende do desenho final dos programas, da forma de financiamento e, em certos casos, de regras orçamentárias e legislativas.

Uma análise publicada pela Reuters em 15 de outubro mostrou que as propostas fiscais dos candidatos ganharam peso eleitoral, enquanto a trajetória da dívida pública permanece uma preocupação para economistas. O endividamento do país exige atenção ao resultado primário e aos juros pagos sobre a dívida.

O boletim Prisma Fiscal, divulgado pelo Ministério da Fazenda, mostrou piora na mediana das projeções para o déficit primário do governo central em 2026. A estimativa citada por analistas passou de R$ 52,27 bilhões para R$ 53,05 bilhões entre as rodadas.

Também houve revisão das projeções de dívida bruta para 2026 e 2027. As estimativas não representam resultados fechados, mas expectativas dos profissionais consultados e ajudam a dimensionar as restrições enfrentadas pela política econômica.

Histórico citado por Lula e metas

Na sabatina, Lula relembrou seus mandatos anteriores e afirmou que o Brasil havia avançado na classificação das maiores economias do mundo. Também citou a formação de reservas internacionais e o pagamento de obrigações com o Fundo Monetário Internacional.

Para o período atual, o presidente disse esperar que a economia brasileira alcance a oitava posição mundial em 2027. O resultado depende de fatores como expansão real da produção, câmbio e desempenho de outros países, e não constitui um dado já realizado.

A defesa do crescimento como solução fiscal não elimina a necessidade de acompanhar o comportamento das despesas. A arrecadação tende a responder à atividade econômica, mas o resultado das contas depende também de decisões de gasto, regras fiscais e encargos da dívida.

Na projeção Prisma citada em outubro, a mediana para a dívida bruta correspondia a 83,4% do PIB em 2026 e 87% em 2027. Esses indicadores expressam expectativas de mercado para a relação entre o estoque da dívida e o tamanho da economia.

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