Por que o petróleo despencou abaixo de US$ 100 mesmo com guerra

Escalada de conflitos no Oriente Médio desafia expectativas e pressiona cotações globais

Da
Redação
A Redação do Jornal Maior reúne a produção jornalística do portal, com cobertura dos principais acontecimentos do Brasil e do mundo.
6 min leitura
O barril do Brent recuou para US$ 97,91 nesta terça-feira, atingindo o menor valor desde a última quinta-feira.
Ouvir notícia
00:00 / 00:00

O mercado internacional de energia registrou uma nova desvalorização significativa nesta terça-feira (6). O preço do petróleo recuou mais de 2%, fazendo com que o barril voltasse a ficar abaixo da marca de US$ 100. A cotação refletiu o comportamento recente dos contratos futuros em meio ao ambiente geopolítico tenso no Oriente Médio, desafiando expectativas de altas prolongadas decorrentes de instabilidades na região produtora.

O barril do Brent, que serve como referência mundial para o setor, caiu 2,4% e passou a ser negociado a US$ 97,91 por volta das 6h30 no horário de Brasília. O valor marcou o menor patamar desde a última quinta-feira, quando o contrato havia alcançado US$ 96,55. No pregão anterior, o mesmo contrato já havia flertado com patamares inferiores aos três dígitos, demonstrando volatilidade nas praças financeiras globais.

Paralelamente, o petróleo WTI, referência utilizada nos Estados Unidos, também operou em trajetória de baixa. A commodity registrou desvalorização de 1,86%, sendo cotada a US$ 87,74 por volta das 7h15. O movimento consolidou o recuo generalizado das principais referências do mercado petrolífero internacional durante o início da semana de negociações.

Ataques atingem infraestrutura saudita

A retração nos preços ocorreu contrariando projeções de que a escalada de conflitos no Oriente Médio pressionaria as cotações para cima. Na noite de segunda-feira, aeroportos da Arábia Saudita foram alvos de novos bombardeios. Os terminais afetados localizam-se nas cidades de Jazan e Najran, resultando em três pessoas feridas.

A ofensiva contra as instalações aeroportuárias foi atribuída aos rebeldes houthis, grupo aliado do Irã baseado no Iêmen. A Autoridade-Geral de Aviação Civil da Arábia Saudita confirmou os danos decorrentes dos ataques. Além dos aeroportos, os houthis relataram ter atingido uma refinaria pertencente à gigante estatal petrolífera Aramco.

A intensificação dos ataques na península arábica ocorre em um momento de acirramento das tensões regionais. A guerra civil no Iêmen voltou a ganhar força após um período de relativa calmaria, abrindo uma nova frente de instabilidade que se soma ao conflito mais amplo deflagrado no início do ano entre Estados Unidos, Israel e Irã.

Conflito iemenita amplia crise

No cenário interno do Iêmen, o grupo rebelde anunciou o controle total de áreas estratégicas, incluindo pontos de acesso no Mar Vermelho. Por outro lado, o governo do país contestou a declaração e afirmou ter retomado o domínio sobre partes do território, a exemplo do estreito de Bab al-Mandab, corredor fundamental para o escoamento marítimo internacional.

Porta-vozes militares dos houthis confirmaram a realização de dezenas de ofensivas recentes contra forças governamentais em províncias estratégicas como Al-Jawf, Marib e Taiz. A disputa territorial e o controle de rotas logísticas mantêm o grau de incerteza elevado para operadores econômicos que dependem do fluxo na região.

A Organização das Nações Unidas alertou para a gravidade da situação humanitária decorrente do recrudescimento dos combates. Os deslocamentos forçados já atingiram mais de 184 mil pessoas no país, agravando a dependência de ajuda internacional em meio à deterioração das condições de vida locais.

Mantêm controle total sobre todas as áreas conquistadas em terra.”

Yahya Saree, porta-voz militar dos houthis

Rebeldes consolidam ofensivas terrestres

As disputas internas no Iêmen alimentam um cenário de forte instabilidade geopolítica que repercute diretamente nas cadeias de suprimento de energia. Enquanto o governo tenta assegurar rotas vitais para o comércio exterior, os insurgentes mantêm ofensivas terrestres e aéreas para consolidar posições conquistadas recentemente em diversas frentes de combate.

A falta de um acordo político duradouro entre as facções locais prolonga a crise institucional que assola o país há anos. Essa dinâmica de confrontos constantes impede a normalização das atividades econômicas e mantém em alerta constante os governos de nações vizinhas e potências ocidentais que monitoram a segurança regional.

Analistas políticos apontam que a fragmentação do poder no território iemenita dificulta qualquer perspectiva de trégua a curto prazo. O envolvimento de atores externos na disputa regional complexifica ainda mais o quadro, transformando a área em um permanente foco de tensão internacional.

Incerteza geopolítica e mercados

A dificuldade de verificação independente dos relatos no terreno iemenita adiciona cautela aos analistas que monitoram os desdobramentos econômicos e geopolíticos. O acesso restrito de observadores e jornalistas à zona de conflito faz com que as informações oficiais e os informes de grupos armados sejam avaliados com ressalvas pelos mercados globais.

Apesar da gravidade dos episódios envolvendo refinarias e rotas de transporte no Oriente Médio, os investidores priorizaram indicadores econômicos e ajustes técnicos de portfólio durante a sessão desta terça-feira. A oscilação evidencia a complexidade de mensurar o impacto exato de crises regionalizadas sobre a oferta global de energia.

Especialistas continuam acompanhando de perto os desdobramentos diplomáticos e militares na região para antecipar possíveis impactos sobre a produção e o frete de barris nos próximos meses, mantendo o setor em estado de vigilância constante frente à volatilidade dos preços internacionais.

WhatsAppFacebook
Share This Article