O governo do Iêmen, reconhecido internacionalmente e apoiado pela Arábia Saudita, anunciou o início de uma grande operação militar contra os rebeldes houthis, que contam com o respaldo do Irã. O objetivo declarado da ofensiva é retomar o controle de territórios atualmente sob o domínio do grupo e restabelecer a autoridade institucional em todo o país.
A decisão foi oficializada pelo presidente iemenita, Rashad al-Alimi, por meio de um pronunciamento televisionado transmitido neste domingo (4). A medida ocorre em um momento de acentuada deterioração da segurança na região, embora ainda permaneçam incertas a extensão total da operação e a profundidade do respaldo militar externo recebido para a empreitada.
As hostilidades ganharam força após o esgotamento prático de uma trégua que vigorava desde 2022. O cenário de confronto direto voltou a se intensificar como um desdobramento das tensões regionais mais amplas envolvendo o Irã e os Estados Unidos, além da imposição de um bloqueio naval declarado pelos houthis contra a Arábia Saudita ao longo dos últimos meses.
Combates deixam mortos
Nas últimas 24 horas, confrontos violentos na província de Taiz, localizada no oeste do país, resultaram na morte de mais de 70 pessoas. Fontes próximas a ambos os lados do conflito detalharam o impacto humano imediato dessa nova onda de enfrentamentos terrestres na localidade estratégica.
Do lado governamental, as forças alinhadas à administração reconhecida internacionalmente reportaram a morte de 34 combatentes. Já os rebeldes houthis confirmaram a perda de 39 integrantes durante os mesmos episódios de combate prolongado na província de Taiz.
Essas baixas evidenciam a intensidade da resistência encontrada pelas tropas estatais ao tentarem avançar sobre posições fortificadas pelos rebeldes. A disputa territorial na faixa ocidental segue como um dos principais pontos de atrito militar no território iemenita.
Ataques atingem a capital
Paralelamente aos combates terrestres, as Forças Armadas do Iêmen informaram a realização de ataques contra o que classificaram como alvos vitais situados na capital Sanaa e na região de Saada, reconhecida historicamente como o principal reduto dos rebeldes houthis.
A emissora Al Masirah, que opera sob o controle dos houthis, atribuiu diretamente à Arábia Saudita a autoria dos bombardeios aéreos que atingiram a capital iemenita. Até o momento, as autoridades sauditas não emitiram confirmação oficial detalhada sobre a participação direta nesses ataques específicos.
A ação aérea e de mísseis aprofunda o clima de cerco na capital e amplia os danos à infraestrutura urbana. A população local convive com o som constante de aeronaves e explosões desde as primeiras horas da madrugada.
Rebeldes lançam mísseis
Em resposta imediata aos bombardeios atribuídos à coalizão liderada pelos sauditas, os houthis afirmaram ter lançado mísseis balísticos e drones explosivos contra instalações estratégicas da petrolífera estatal Saudi Aramco.
Segundo o comando rebelde, os alvos atingidos estariam localizados na capital saudita, Riad, e na região de Khurais. Os insurgentes alegaram que os disparos provocaram grandes incêndios nas dependências da companhia energética, como retaliação a dezenas de ataques aéreos sofridos no Iêmen.
A monarquia saudita manteve silêncio inicial e não confirmou oficialmente se houve danos materiais ou interrupções operacionais decorrentes dessa suposta ofensiva com drones e mísseis balísticos em seu território.
Tropas retomam operações
A deflagração atual recupera a dinâmica de guerra civil que assola o Iêmen desde o final de 2014 e o início de 2015, período em que os houthis tomaram Sanaa e forçaram o governo legítimo ao exílio, motivando a intervenção militar saudita em março de 2015.
As hostilidades ganharam novo fôlego impulsionadas pela decisão dos rebeldes de estabelecer um bloqueio naval e intensificar ataques contra embarcações e alvos terrestres na Arábia Saudita, aproveitando-se de avanços territoriais na costa do mar Vermelho.
Diante desse avanço insurgente, a coalizão liderada pelos sauditas reagiu com uma nova série de campanhas aéreas, fortalecendo a retaguarda das tropas governamentais na tentativa de conter a expansão dos houthis e recuperar áreas estratégicas.


