Uma enfermeira especializada que atua na rede de saúde do Mount Sinai Hospital, em Nova York, acionou a Justiça dos Estados Unidos após descobrir que uma agulha cirúrgica de aproximadamente 3,8 centímetros foi deixada em seu abdômen. O caso veio à tona com o ajuizamento de uma ação por negligência médica na Suprema Corte de Manhattan, mobilizando o sistema de saúde norte-americano em torno de falhas em protocolos cirúrgicos.
A paciente, identificada como Jana Petriganova DeGregoris, conviveu com dores inexplicáveis e lesões graves ao longo de anos antes de esclarecer a origem do sofrimento físico. Ela é profissional de saúde especializada em cuidados cardiotorácicos e presta serviços na mesma instituição hospitalar desde o ano de 2013, o que torna o episódio ainda mais emblemático para a comunidade médica local.
Paciente detalha histórico cirúrgico
O processo judicial detalha que Jana passou por duas intervenções de grande porte na mesma unidade hospitalar ao longo de três anos. A primeira cirurgia ocorreu em 28 de junho de 2018, quando foi submetida a um procedimento de cesárea conduzido pelos profissionais Isabel Blumberg e Philip Torina.
Anos mais tarde, em 17 de novembro de 2021, a enfermeira retornou ao hospital para realizar uma abdominoplastia combinada com uma cirurgia laparoscópica destinada à correção de uma hérnia umbilical. Desta vez, a equipe médica foi integrada pelos doutores Scott Nguyen e Philip Torina.
A ação protocolada aponta que o instrumento metálico de cerca de 1,5 polegada permaneceu alojado no corpo da paciente decorrente de um desses dois momentos operatórios. Contudo, os documentos jurídicos ainda não estabelecem de forma definitiva em qual das cirurgias ocorreu a falha na contagem e remoção do material.
A ação sustenta que o objeto foi deixado no corpo da paciente durante um desses dois procedimentos.”
Processo judicial na Suprema Corte de Manhattan
Tomografia revela agulha esquecida
A revelação da presença do objeto estranho ocorreu somente em 14 de outubro de 2025, após a realização de uma tomografia computadorizada solicitada para investigar a persistência das dores abdominais. O exame de imagem detalhou a exata localização da agulha no organismo da paciente.
Diante do laudo, Jana precisou ser submetida a um novo procedimento cirúrgico de urgência para a retirada segura do corpo estranho. A intervenção encerrou o período de incertezas diagnósticas, mas abriu caminho para a reparação judicial dos danos causados pela retenção prolongada.
O episódio ilustra os riscos associados a falhas nos protocolos de checagem de materiais em salas de operação, tema recorrente em litígios médicos nos Estados Unidos. Especialistas apontam que a retenção de objetos gera complicações severas e sofrimento prolongado aos pacientes afetados.
Justiça cobra hospitais e médicos
Jana e seu marido, Gerard DeGregoris, formalizaram o processo no final de setembro de 2026, apontando responsabilidade direta do Mount Sinai Hospital e de três médicos envolvidos nas cirurgias. A petição inicial cobra reparações por danos materiais e morais decorrentes do período de sofrimento físico.
O casal acusa os profissionais de negligência médica e pede uma indenização por danos, mas o valor não foi especificado.”
Relatos sobre a ação judicial nos EUA
Os médicos citados nominalmente na ação são Isabel Blumberg, Philip Torina e Scott Nguyen. A defesa sustenta que a instituição e os profissionais falharam no dever de cautela exigido durante as intervenções cirúrgicas realizadas na paciente.
Até o momento do ajuizamento da demanda, nem o hospital nem os médicos alvos do processo haviam emitido posicionamento público ou notas oficiais sobre as acusações de negligência médica apresentadas pelo casal na Suprema Corte de Manhattan.
Litígios por retenção de corpos
Casos em que instrumentos ou materiais cirúrgicos são esquecidos no corpo de pacientes, conhecidos na literatura técnica como retenção de corpos estranhos, costumam resultar em processos judiciais de grande repercussão. A discussão jurídica geralmente gira em torno da rigidez dos protocolos de contagem antes e depois dos procedimentos.
O sistema de saúde norte-americano lida frequentemente com demandas dessa natureza, que buscam responsabilizar redes hospitalares por falhas que comprometem a segurança do paciente. Especialistas em direito médico reforçam que a prevenção exige checagens duplas por equipes de enfermagem e cirurgiões.
O desdobramento do processo na Suprema Corte de Manhattan deverá definir as responsabilidades civis do hospital e dos médicos envolvidos, além de fixar eventuais compensações financeiras pelos danos causados à profissional de saúde ao longo dos anos.


