Eduarda Campopiano (PL), eleita deputada estadual por São Paulo com 1.956.238 votos nas eleições de outubro de 2026, afirmou publicamente que o feminicídio não existe. Aos 23 anos, a parlamentar alcançou a segunda maior votação da história para uma cadeira na Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp), ficando atrás apenas de Janaína Paschoal em 2018.
A ascensão da parlamentar ocorreu de forma acelerada após forte atuação nas redes sociais com foco em pautas conservadoras de costumes e segurança. Em 2024, ela havia sido eleita vereadora de Praia Grande com 3.583 votos, multiplicando exponencialmente sua base eleitoral em apenas dois anos.
Posicionamento contra o feminismo
A oposição ao feminismo ocupa o centro da trajetória política de Campopiano, que já se apresentou como a maior inimiga das feministas de São Paulo. A declaração de que o feminicídio não existe ocorreu durante um debate com a deputada federal Fernanda Melchionna (PSOL) ao discutir a criminalização da misoginia.
A deputada eleita defende que crimes desse tipo sejam tratados como passionais, embora admita a aplicação de agravantes quando há superioridade física do agressor. No entanto, o feminicídio é tipificado na legislação brasileira pela Lei nº 13.104/2015 como homicídio qualificado cometido contra a mulher por razões da condição de sexo feminino ou violência doméstica.
Campopiano argumenta que rejeita a atribuição de conquistas individuais das mulheres ao movimento feminista. Segundo ela, todo mérito pertence estritamente ao esforço pessoal de cada indivíduo.
Propostas na segurança pública
Entre as propostas defendidas pela parlamentar para a área de segurança está o acesso ao porte de armas de fogo para mulheres. Ela argumenta que o armamento funcionaria como instrumento de autodefesa contra situações de violência urbana e doméstica.
Por outro lado, Campopiano posiciona-se contrária ao reconhecimento da prostituição como profissão e rejeita políticas de cotas raciais. Suas pautas combinam o conservadorismo nos costumes com demandas voltadas ao endurecimento penal.
A parlamentar também reforçou que pretende manter o tom combativo durante o mandato que iniciará no Legislativo paulista. O confronto com parlamentares de esquerda e pautas identitárias deve marcar sua atuação na Alesp.
Rejeição a pautas identitárias
Além de negar o feminicídio, Campopiano atua fortemente contra o direito ao aborto. A deputada eleita defende a vida desde a concepção e afirma que buscará propor iniciativas para fazer com que mulheres desistam de interromper a gravidez.
A parlamentar também criticou propostas como a criminalização da misoginia em tramitação no Congresso Nacional. Embora o tema pertença à esfera federal, ela promete usar sua visibilidade estadual para combatê-lo.
Eu não acho que feminicídio seja algo que exista.”
Eduarda Campopiano
O discurso da parlamentar gerou forte repercussão em diferentes setores políticos e na imprensa nacional. A jornalista Adriana Araújo, âncora da Band, emocionou-se ao criticar as declarações e apontar que o posicionamento ignora a realidade de mulheres vítimas de violência.
Trajetória e projeção política
Maria Eduarda Campopiano Monteiro nasceu em Campinas em 22 de julho de 2003 e iniciou a produção de conteúdo digital político aos 18 anos. Antes de ingressar na vida partidária, atuou como comentarista e participou de debates transmitidos pela internet.
A eleição para a Alesp consolidou sua projeção estadual e nacional, transformando-a em um dos principais nomes da nova direita conservadora em São Paulo. O desempenho eleitoral superou marcas históricas recentes na assembleia legislativa paulista.
O impacto prático de sua atuação legislativa passará a ser medido após a posse e o início dos trabalhos na Alesp. A deputada eleita reiterou que pretende manter o enfrentamento político e consolidar suas bandeiras nos próximos anos.


