Derrotado no primeiro turno da eleição presidencial, o ex-governador de Goiás Ronaldo Caiado (PSD) anunciou oficialmente nesta terça-feira (6), em Goiânia, o seu apoio à candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL) ao Planalto. A aliança sela uma reaproximação política após trocas de duras críticas e acusações públicas durante a reta final da campanha anterior, quando o goiano chegou a rotular o adversário de mentiroso devido a declarações sobre o caso Master.
O anúncio ocorreu em um ato conjunto com apoiadores na capital goiana, reunindo nomes expressivos da direita brasileira, como o governador reeleito de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), e o governador de Goiás, Daniel Vilela (MDB). Durante o evento, Caiado justificou a movimentação afirmando que a decisão é coerente com a sua trajetória histórica de combate ferrenho ao PT e prometeu dedicação integral à nova empreitada eleitoral.
Caiado defende anistia ampla
No discurso de adesão, Caiado reforçou seu alinhamento político e fez menção direta ao ex-presidente Jair Bolsonaro, a quem classificou como colega de Câmara por duas décadas e atual alvo de uma condenação por tentativa de golpe que o mantém em prisão domiciliar. O ex-governador goiano garantiu que, se estivesse na posição de Flávio, assinaria imediatamente a anistia para o ex-presidente e para todos os condenados pelos atos de 8 de janeiro.
Flávio Bolsonaro agradeceu publicamente o gesto de apoio e acenou para a possibilidade de colaboração futura em um eventual governo. O senador mencionou convergências programáticas expressivas com o aliado e destacou que a base de apoiadores já especula sobre um possível papel ministerial para Caiado na administração federal, elogiando a gestão goiana em áreas estratégicas.
“Proporcionalmente Goiás vai dar a maior vitória a Flávio Bolsonaro. Será mobilização em tempo integral”, declarou Caiado diante da plateia de aliados. O político do PSD ainda reforçou que vai entrar de corpo inteiro na disputa por convicção própria, buscando consolidar uma frente ampla contra a esquerda no segundo turno da corrida presidencial.
Flávio promete endurecer penas
Durante sua fala aos eleitores, o candidato do PL centrou fogo na pauta de segurança pública e nas críticas à gestão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Flávio prometeu adotar como referência os modelos de policiamento implementados em Goiás e em São Paulo, além de propor a construção de meio milhão de vagas em presídios e o endurecimento de penas para chefes de organizações criminosas.
“Vou me inspirar muito na segurança pública em Goiás e em São Paulo”, afirmou o senador, que também criticou a atuação internacional do atual governo e prometeu atuar firmemente contra a criminalidade urbana. O discurso foi acompanhado de ataques diretos ao PT e ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal.
O candidato do PL ainda celebrou a configuração do Congresso Nacional saída das urnas no último domingo (4), afirmando contar com maioria consolidada na Câmara e no Senado para aprovar mudanças constitucionais. Segundo ele, o novo Parlamento permitirá redemocratizar o país e impedir que a nação siga rumos associados pela oposição a governos latino-americanos de esquerda.
Tarcísio endossa chapa presidencial
Reeleito no primeiro turno pelo estado de São Paulo, Tarcísio de Freitas também utilizou o palanque em Goiânia para endossar a candidatura de Flávio Bolsonaro e exaltar a figura de Jair Bolsonaro. O governador são-paulino classificou o ex-presidente como um líder injustiçado e destacou que o legado conservador permanece vivo por meio da mobilização popular.
“Tentaram calar Jair Bolsonaro, humilharam, mas a voz de Jair Bolsonaro reverbera por meio de todos vocês”, afirmou Tarcísio para os apoiadores presentes. O chefe do Executivo paulista criticou duramente a atual administração federal, classificando-a como rancorosa e incompetente, e reforçou o coro pelo fim da era petista no poder central.
A adesão de Caiado e o endosso de Tarcísio ocorrem um dia após o ex-governador de Minas Gerais Romeu Zema (Novo), também derrotado na disputa presidencial do primeiro turno, declarar apoio formal a Flávio. A movimentação acelera a consolidação das principais lideranças da direita em torno da candidatura do PL para a etapa decisiva das eleições.
Caiado minimiza atritos passados
O apoio de Caiado acontece após uma campanha em que o ex-governador obteve 2,18% dos votos válidos na disputa presidencial, somando cerca de 2,6 milhões de eleitores e terminando a primeira fase do pleito na quinta colocação nacional. Embora tenha tido seu melhor desempenho em território goiano com 12,33% dos votos, o resultado ficou abaixo da expressiva votação que garantiu sua reeleição ao governo estadual anos antes.
Na reta final do primeiro turno, sem conseguir decolar nas pesquisas de intenção de voto, Caiado utilizou peças duras contra Flávio Bolsonaro, resgatando declarações do senador sobre conexões com Daniel Vorcaro e afirmando que o adversário não tinha compromisso com a verdade. Questionado sobre a mudança de postura nesta terça-feira, o goiano minimizou o atrito passado com uma resposta pragmática.
“Eu sou duro com todos. Não entro na campanha mole”, justificou o ex-governador ao selar a nova aliança política. Com a adesão formalizada, a campanha de Flávio passa a incorporar palanques regionais estratégicos no Centro-Oeste e no Sudeste na tentativa de ampliar sua base de sustentação para o confronto final nas urnas.


