O senador Jaques Wagner (PT-BA) afirmou nesta terça-feira, 6, que o estado da Bahia possui total capacidade de reverter a vantagem obtida pelo senador Flávio Bolsonaro (PL) sobre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na disputa presidencial. A declaração foi feita por meio de um vídeo publicado nas redes sociais, no qual o parlamentar convocou líderes locais e eleitores a ampliarem a mobilização política para o segundo turno da eleição.
Segundo o senador, a estratégia para alcançar a virada eleitoral passa pela busca ativa de eleitores que optaram pela abstenção no primeiro turno, além daqueles que votaram em candidatos da oposição. O parlamentar destacou que a margem registrada é estreita e pode ser superada com esforço concentrado nas bases municipais.
De volta ao gabinete no Senado Federal, em Brasília, o parlamentar petista intensificou os alertas políticos e associou uma eventual vitória da oposição ao retorno de barreiras financeiras e administrativas contra o estado.
Chamado aos prefeitos baianos
Durante a gravação divulgada aos eleitores, Jaques Wagner enfatizou o papel estratégico dos gestores municipais na reta decisiva da campanha presidencial. O senador cobrou o engajamento direto de prefeitos e prefeitas para reverter o cenário desfavorável e garantir uma votação expressiva para o atual presidente.
A orientação direcionada aos aliados prevê o diálogo corpo a corpo nas cidades do interior e da região metropolitana. Para o senador, a captação de votos deve alcançar o eleitorado que não compareceu aos locais de votação no último domingo, considerado um contingente decisivo para alterar o placar.
A mobilização de prefeitos também busca neutralizar o avanço da oposição nos redutos eleitorais onde o desempenho governista ficou abaixo do esperado. As diretrizes repassadas aos diretórios locais reforçam a necessidade de unidade entre as lideranças partidárias da base.
Alerta sobre perseguição política
Além da estratégia de mobilização, Wagner utilizou o pronunciamento para fazer duras críticas ao histórico da família Bolsonaro em relação ao estado. Na avaliação do senador baiano, o território estadual voltaria a sofrer represálias administrativas caso o candidato do PL saia vitorioso do pleito presidencial.
O parlamentar argumentou que os eleitores precisam recordar o tratamento recebido pela Bahia ao longo da gestão do ex-presidente Jair Bolsonaro. Segundo o relato, houve esvaziamento político e retenção de verbas essenciais para o desenvolvimento de infraestrutura na região nordestina.
O discurso busca politizar a disputa ao resgatar episódios de embate institucional entre o governo federal anterior e a administração estadual baiana, associando a figura do adversário atual à continuidade de práticas que considera prejudiciais aos interesses locais.
Precisamos tirar essa diferença e nós da Bahia podemos tirar essa diferença. Quero chamar a atenção de cada prefeito e prefeita, de cada baiano.”
Jaques Wagner, senador
Cobrança por obras estaduais
Para fundamentar as críticas sobre o tratamento recebido pela administração federal passada, Wagner citou exemplos concretos de investimentos que teriam sofrido interrupções ou bloqueios financeiros ao longo dos anos anteriores. Entre os projetos mencionados pelo senador estão intervenções no sistema de transporte metropolitano e na rodovia que liga os municípios de Ilhéus e Itabuna.
O parlamentar sustentou que os recursos destinados a essas obras de infraestrutura regional foram reduzidos ou paralisados por decisões da gestão anterior. O argumento foi empregado para reforçar a tese de que o estado correria riscos econômicos caso a oposição assuma o comando do Palácio do Planalto.
A recuperação desses episódios na narrativa de campanha visa sensibilizar o eleitorado sobre a importância de manter a aliança política atual com o governo federal para assegurar a continuidade dos repasses financeiros voltados a projetos de mobilidade e escoamento na região.
Perspectivas do segundo turno
A corrida eleitoral na Bahia entra em nova fase com a intensificação das agendas dos principais cabos eleitorais de ambos os lados da disputa presidencial. A estratégia do governo busca consolidar o Nordeste como principal reduto de sustentação para a candidatura petista frente ao avanço conservador.
Analistas políticos apontam que a mobilização de prefeitos recém-eleitos ou reeleitos no primeiro turno será determinante para definir o resultado final nos estados nordestinos. A capacidade de capilarização das campanhas locais deve ditar o ritmo da recuperação de votos até a data da votação definitiva.
O encerramento da campanha no estado dependerá diretamente da eficácia com que as lideranças locais conseguirão engajar a base partidária e convencer os eleitores indecisos a comparecerem às urnas no segundo turno.


