O diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, declarou neste domingo que não há registros de risco ou de indícios de planos de ataque contra embaixadas estrangeiras em Brasília. A manifestação ocorreu após investigações e mandados cumpridos pela corporação no âmbito de supostas ameaças relatadas por representações diplomáticas no país.
Na última sexta-feira, agentes federais cumpriram dois mandados de busca e apreensão em São Paulo e na região do entorno do Distrito Federal. A operação foi desencadeada para apurar informações repassadas pela própria representação estadunidense, que apontavam potenciais riscos à segurança de suas instalações no território brasileiro.
O trabalho investigativo mobilizou equipes de inteligência e exigiu medidas judiciais sigilosas para verificar a procedência dos alertas. Segundo a corporação, os elementos reunidos até o momento permitiram afastar o temor de uma ameaça iminente contra as instalações diplomáticas estrangeiras situadas na capital federal.
Diretor detalha apuração sigilosa
Em entrevista coletiva realizada no Centro Integrado de Comando e Controle Nacional, em Brasília, o chefe da corporação detalhou os desdobramentos da investigação conduzida pelos policiais federais nos últimos dias.
Os elementos colhidos neste momento não apontam nenhuma ação concreta. Ou seja, não havia nenhum plano, não havia nada que a gente tivesse, de imediato, identificado.”
Andrei Rodrigues
O diretor-geral ressaltou que, apesar da gravidade inicial atribuída aos informes recebidos, as diligências executadas não confirmaram a existência de uma articulação criminosa voltada a atentados. As ordens judiciais cumpridas em território paulista e brasiliense serviram justamente para esgotar as hipóteses levantadas pelas equipes de investigação.
A condução das medidas ocorreu de forma sigilosa para preservar o andamento das apurações e garantir a segurança das missões diplomáticas envolvidas. Com o avanço das diligências, os investigadores concluíram que o cenário não indicava perigo real para as representações estrangeiras no país.
Consulados suspendem atendimento presencial
A movimentação policial ocorreu na sequência de decisões adotadas por representações diplomáticas de potências estrangeiras no Brasil. Na última sexta-feira, os governos dos Estados Unidos e da Austrália anunciaram a suspensão temporária de seus atendimentos consulares presenciais.
As paralisações temporárias afetaram unidades consulares em diferentes cidades brasileiras, gerando forte repercussão pública e preocupação quanto à segurança institucional. Os avisos emitidos pelas embaixadas citavam expressamente a necessidade de resguardar funcionários e cidadãos estrangeiros diante de alertas recebidos.
Austrália e Estados Unidos mantêm cooperação estreita na área de inteligência por meio da aliança conhecida como Five Eyes. O governo australiano chegou a mencionar publicamente o risco de terrorismo às vésperas do primeiro turno das eleições gerais no território brasileiro.
Balanço aponta crimes eleitorais
Além das apurações sobre as sedes diplomáticas, a corporação divulgou um balanço abrangente sobre as ocorrências registradas durante o período eleitoral em diversos estados do país. Até o início da tarde deste domingo, foram instaurados inquéritos e lavrados termos circunstanciados.
Cumprimos as medidas judiciais – é um processo sigiloso – e, de fato, não comprovamos nenhum elemento concreto que nos apontasse um risco efetivo para essa embaixada ou para qualquer outra embaixada aqui no nosso território.”
Andrei Rodrigues
Os registros policiais abrangeram dezenas de conduções de suspeitos e apreensões expressivas de bens e valores em espécie relacionados a crimes eleitorais. Entre os delitos mais investigados pelas equipes policiais figuram a propaganda irregular e a corrupção eleitoral voltada à captação ilícita de sufrágio.
As autoridades federais destacaram que os montantes financeiros e os balanços parciais divulgados ainda estão sujeitos a validação oficial e novas atualizações conforme o andamento das investigações em curso nos estados afetados.
Governo monitora suposta interferência
O trabalho da Polícia Federal também abrange a análise de possíveis interferências externas no pleito brasileiro, conforme pontuado por integrantes do governo federal ao longo do final de semana.
As equipes especializadas mantêm monitoramento constante sobre tentativas de desestabilização institucional e campanhas de desinformação que possam influenciar o processo democrático e a segurança pública no país.
A corporação reiterou que continuará atuando em regime de prontidão em todo o território nacional para garantir a normalidade das instituições e a proteção de cidadãos brasileiros e estrangeiros até a conclusão do pleito.


