O presidente Luiz Inácio Lula da Silva realiza nesta sexta-feira, 2 de outubro, sua quarta viagem a Minas Gerais na atual campanha eleitoral. A passagem por Belo Horizonte integra a estratégia da reta final para intensificar a presença do chefe do Executivo nos maiores colégios eleitorais do país, buscando consolidar apoios e reverter cenários desfavoráveis em redutos estratégicos. A agenda mineira ganha relevância diante do histórico político do estado e da intensa disputa na corrida eleitoral local.
Minas Gerais abriga o segundo maior eleitorado do Brasil, somando 16,3 milhões de eleitores aptos segundo dados do Tribunal Superior Eleitoral. O estado possui um simbolismo tradicional nas eleições presidenciais brasileiras, pois, desde a redemocratização, o candidato mais votado em território mineiro sempre acabou eleito para o Palácio do Planalto, um retrospecto compartilhado apenas com o Amazonas em menor escala.
A viagem reforça a prioridade dada aos grandes centros urbanos na reta final da campanha presidencial, em um esforço concentrado da coordenação para alavancar votos nos dias que antecedem o pleito.
Desafio eleitoral em BH
Na capital mineira, o cenário eleitoral apresenta desafios recorrentes para o Partido dos Trabalhadores. Nas eleições presidenciais de 2022, o então candidato Jair Bolsonaro superou Lula tanto no primeiro quanto no segundo turno na capital do estado. Em Montes Claros, outro ponto visitado pela campanha, Lula obteve vantagem no primeiro turno, mas acabou superado no segundo.
Esses resultados anteriores motivaram um esforço concentrado da coordenação de campanha na região metropolitana de Belo Horizonte. A disputa estadual também sofreu reveses na articulação inicial, quando o PT buscou viabilizar o nome de Rodrigo Pacheco, hoje ministro do Tribunal de Contas da União, antes de oficializar a candidatura de Patrus Ananias ao governo mineiro.
As pesquisas recentes de intenção de voto indicam que o senador Cleitinho Azevedo lidera a corrida pelo governo estadual, enquanto o candidato petista aparece na segunda colocação. Essa configuração eleitoral exigiu do Palácio do Planalto uma presença mais frequente no estado, transformando Minas Gerais no segundo destino mais visitado desde o início oficial da campanha.
Prioridade nos grandes colégios
Além de Minas Gerais, a agenda dos últimos dias priorizou os estados com maior peso no mapa eleitoral brasileiro. O presidente concentrou esforços em capitais e grandes municípios das regiões Sudeste e Nordeste, alternando visitas entre locais onde obteve vitórias em 2022 e cidades onde foi derrotado pelo adversário no segundo turno da disputa anterior.
A maratona de viagens incluiu passagens por capitais expressivas como Belém, Salvador, Fortaleza e Recife. No Sudeste, a prioridade se refletiu em viagens repetidas aos estados de São Paulo e do Rio de Janeiro, considerados decisivos para definir o equilíbrio de forças na reta decisiva da disputa presidencial.
No total, a programação de campanha prevê passagens por 20 cidades distribuídas em 14 estados diferentes. A distribuição geográfica buscou equilibrar redutos consolidados com regiões onde o partido registrou menor desempenho no pleito passado, reforçando o corpo a corpo com o eleitorado urbano.
Estratégia pelo país
A rota presidencial incluiu paradas em municípios onde a votação anterior foi desfavorável, buscando ampliar o diálogo com eleitores de diferentes perfis. Em Juazeiro do Norte, no Ceará, o desempenho favorável de 2022 contrastou com o cenário adverso encontrado em praças paulistas como São José do Rio Preto, onde o adversário obteve votação expressiva.
O planejamento logístico enfrentou contratempos operacionais durante o período, como o cancelamento de uma escala programada para Juiz de Fora devido às fortes chuvas que atingiram a Zona da Mata mineira. A aeronave presidencial precisou retornar a Brasília após o pouso ser considerado inviável pelas condições meteorológicas locais.
Com a proximidade do encerramento da campanha, os deslocamentos passaram a concentrar foco absoluto nas capitais com maior densidade demográfica. A avaliação interna é de que a margem de votos conquistada nesses grandes centros urbanos pode definir o desfecho da eleição presidencial em nível nacional.
Encerramento em São Paulo
O encerramento da campanha presidencial foi estruturado para acontecer em São Paulo, o maior colégio eleitoral do país, que concentra 9,1 milhões de eleitores aptos. A vitória paulista em 2022, obtida com margem apertada no segundo turno, é apontada internamente como o fator crucial que garantiu o triunfo nacional da chapa petista.
Com essa movimentação intensa de encerramento, a campanha tenta replicar a dinâmica de mobilização que garantiu resultados expressivos em grandes centros urbanos nas disputas anteriores. A presença do presidente em capitais populosas visa consolidar a base de apoio e atrair o eleitor indeciso nos dias que antecedem a votação.
As viagens de última hora demonstram a urgência das candidaturas em assegurar vantagem nos maiores redutos populacionais, onde a variação de poucos pontos percentuais pode alterar o panorama geral da eleição presidencial. O planejamento estratégico priorizou os grandes centros em detrimento de municípios de menor porte.


