Brasil e Estados Unidos acertaram nesta quarta-feira (30) a criação de um novo grupo de trabalho para discutir um possível acordo comercial bilateral. A decisão foi firmada durante reunião em Milwaukee, no estado americano de Wisconsin, realizada à margem do encontro de ministros do Comércio do G20.
O encontro durou cerca de 40 minutos e reuniu os ministros brasileiros Mauro Vieira, das Relações Exteriores, e Márcio Elias Rosa, do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, com o representante comercial dos Estados Unidos, Jamieson Greer. As conversas ocorrem meses após Washington anunciar duas taxações sobre produtos brasileiros que somam 37,5%.
Diálogo aberto no G20
Apesar da reunião de alto nível, o encontro não produziu avanços concretos imediatos para a revogação das sobretaxas aplicadas pelos Estados Unidos em julho. Integrantes da gestão federal já antecipavam que a prioridade do evento no G20 seria manter os canais de diálogo abertos e estruturar os próximos passos das conversas.
A expectativa predominante em Brasília é de que as negociações mais complexas passem a avançar de maneira mais efetiva apenas após o período eleitoral. Ainda assim, a oficialização de um novo mecanismo de diálogo bilateral foi tratada como o principal saldo prático da agenda diplomática nos Estados Unidos.
Segundo diplomatas do Itamaraty, o novo grupo de trabalho terá natureza distinta de uma instância anterior formada entre os dois governos. O fórum passado havia sido estabelecido no contexto de uma investigação conduzida pelo USTR contra práticas comerciais brasileiras com base na legislação norte-americana.
Investigação e tarifas anteriores
A apuração americana, aberta em julho de 2025, analisou temas sensíveis como comércio digital, propriedade intelectual, tarifas aduaneiras, acesso do etanol dos Estados Unidos ao mercado brasileiro e questões ligadas ao desmatamento. O processo foi concluído em julho deste ano com a imposição de uma tarifa de 25% sobre determinados itens do Brasil.
Agora, o objetivo da diplomacia brasileira é estabelecer uma mesa de negociações sob um prisma diferente, focada na construção conjunta de um novo pacto comercial entre as duas maiores economias das Américas. A articulação busca contornar o ambiente de atrito gerado pelas barreiras alfandegárias recentes.
Nas próximas semanas, o governo americano deverá formalizar o envio de um documento contendo uma proposta detalhada para o escopo de atuação do novo grupo. A expectativa é que o texto abrança tanto barreiras tarifárias quanto pautas regulatórias não tarifárias.
Negociação bilateral em curso
Durante a reunião em solo americano, os ministros Mauro Vieira e Márcio Elias Rosa reiteraram a Jamieson Greer a disposição do governo brasileiro em buscar soluções negociadas para os impasses que afetam o fluxo comercial entre os dois países. Os representantes de ambos os governos também manifestaram interesse em conferir celeridade às próximas etapas do processo.
A articulação desta quarta-feira representa mais um desdobramento na retomada das conversas de alto nível entre Brasília e Washington. O canal de diálogo foi reaberto após um telefonema oficial entre os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump ocorrido em 21 de agosto.
Enquanto o novo grupo de trabalho não inicia formalmente as atividades, os exportadores brasileiros continuam sob o impacto das alíquotas implementadas por Washington. O governo brasileiro monitora os desdobramentos econômicos e aguarda os termos da proposta norte-americana para definir os próximos movimentos da estratégia diplomática.
Governo monitora impacto comercial
A retomada dos contatos diplomáticos em alto nível busca estabelecer bases mais estáveis para o comércio exterior entre as duas nações. Autoridades econômicas acompanham de perto os desdobramentos das negociações setoriais previstas para os próximos meses.
O alinhamento institucional é considerado fundamental por especialistas para mitigar efeitos indesejados nas cadeias de suprimentos bilaterais. A expectativa é que novas reuniões técnicas ocorram em breve para detalhar o cronograma de trabalho do grupo.
A condução das tratativas seguirá sob o acompanhamento direto do Ministério das Relações Exteriores e do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços. O governo brasileiro reforça que o diálogo permanece aberto para equacionar divergências regulatórias e tarifárias.


