Tarcísio e Skaf convencem Salles a desistir de vaga no Senado

Empresário liderou aproximação no Palácio dos Bandeirantes para blindar o bloco conservador na disputa em São Paulo

Da
Redação
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Palácio dos Bandeirantes sediou reunião que resultou na saída de Ricardo Salles da disputa ao Senado.Reprodução: CNN Brasil
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A desistência da candidatura de Ricardo Salles (Novo-SP) ao Senado começou a ser desenhada na última sexta-feira (25) por meio de uma articulação conduzida pelo empresário Paulo Skaf. A movimentação política evitou a dispersão de sufrágios no campo conservador e alterou o panorama da disputa eleitoral em São Paulo.

A ligação inicial foi confirmada pela assessoria de Paulo Skaf. Na ocasião, o empresário sondou Salles sobre a possibilidade de um encontro com o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) na ala residencial do Palácio dos Bandeirantes para discutir os rumos da campanha.

A reunião nos bastidores do governo paulista serviu para alinhar os interesses das lideranças conservadoras diante do cenário eleitoral acirrado. Os interlocutores destacaram que a união de forças era considerada indispensável para o grupo político no estado.

Governador faz apelo direto

Durante a reunião no Palácio dos Bandeirantes, o governador Tarcísio de Freitas fez um apelo direto para que Ricardo Salles retirasse sua postulação. O argumento central foi a necessidade de impedir uma vitória da esquerda na corrida ao Senado paulista.

A divisão no campo da direita poderia beneficiar Simone Tebet (PSB) em detrimento de André do Prado (PL), alvo de críticas anteriores de Salles na campanha. O governador ponderou que a fragmentação representava um risco real para os aliados no estado.

Diante do cenário apresentado, o deputado do Novo relatou ter percebido um forte movimento de voto útil entre apoiadores nas cidades que visitou. A leitura compartilhada foi de que essa tendência esvaziaria sua viabilidade eleitoral na disputa.

Salles anuncia recuo oficial

Após acatar os argumentos apresentados no encontro, Salles formalizou sua desistência em um café na segunda-feira (28). O anúncio ocorreu no comitê de campanha ao lado de André do Prado, seu antigo adversário na corrida eleitoral.

Aliados do parlamentar informaram que não houve qualquer sondagem ou oferta de cargos como contrapartida pela retirada da candidatura. Salles também garantiu que continuará apoiando Romeu Zema (Novo) durante o primeiro turno.

Sobre os investimentos do Fundo Eleitoral feitos em sua estrutura, o deputado argumentou que a campanha cumpriu um papel estratégico. A atuação ajudou o partido Novo a obter relevância para superar a cláusula de barreira no estado de São Paulo.

Articulação evita divisão partidária

A corrida ao Senado em São Paulo gerou intensas preocupações nos bastidores políticos devido à multiplicação de candidaturas no mesmo espectro ideológico. O risco de dispersão mobilizou lideranças estaduais a buscar entendimentos rápidos.

A presença de nomes competitivos de outros partidos acendeu alertas sobre a necessidade de unificação. A articulação mediada por Skaf convergiu para blindar os interesses do grupo governista no estado.

A decisão encerra um dos movimentos mais polêmicos da pré-campanha paulista, realinhando forças para o pleito que se aproxima. O impacto da decisão nos demais partidos ainda é avaliado pelas cúpulas partidárias locais.

Partido realinha estratégias locais

Com a saída oficializada, o partido Novo concentra esforços nas demais frentes da campanha em São Paulo. A legenda tenta consolidar suas bases legislativas após a reconfiguração da chapa majoritária.

Os diretórios estaduais acompanham os reflexos da realocação de apoios entre os eleitores conservadores. A expectativa é medir como o voto útil influenciará o comportamento do eleitorado nas próximas semanas.

Novas diretrizes de campanha devem ser anunciadas pelos comitês aliados nos próximos dias. A movimentação sela uma trégua temporária em meio às disputas estratégicas pelo eleitorado paulista.

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